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edição 178 - Janeiro/2001

Qual é a do CTO?


Uma versão turbinada do diretor de informática ganha espaço nas empresas brasileiras

POR EDUARDO VIEIRA

CIO, CKO, CTO... Acompanhar as siglas que nomeiam os principais cargos de tecnologia das empresas está ficando mais complicado do que entender algumas linguagens de programação. Mas o fato é que algumas delas já viraram objeto de desejo para muita gente que quer alcançar uma posição de destaque na carreira. E um dos cargos mais cobiçados do momento é o de CTO. À parte generalidades, você sabe o que realmente faz no dia-a-dia um Chief Technology Officer?

A resposta é mais complicada do que parece, e atualmente somente poucas empresas no Brasil a conhecem direito. Por definição, o CTO é uma versão turbinada do tradicional diretor de informática: um profissional com grande conhecimento técnico e, ao mesmo tempo, com extremo conhecimento de negócios. Em tese, um cargo criado justamente para complementar o papel do conhecido CIO (Chief Information Officer), um profissional voltado essencialmente aos negócios, mas ao mesmo tempo com profundo conhecimento tecnológico. Na prática, no entanto, esses conceitos quase sempre se trombam.

"A importância do CTO cresce na medida em que a área de tecnologia deixa de ser considerada secundária para se tornar parte fundamental da estratégica de negócios das empresas", afirma Ione Coco, analista do Gartner Group. No Brasil isso só é realidade, pelo menos por enquanto, em empresas pontocom, instituições financeiras e operadoras de telecomunicações. Em algumas delas a figura do CTO é presença garantida e convive harmoniosamente com a do CIO. É o caso da operadora de telefonia fixa Brasil Telecom, por exemplo, onde o executivo Sérgio Leo, o CTO, divide as tarefas do setor de tecnologia da informação e redes com Alessandro Vicci, o CIO.

Em outros setores, o mais comum é somente um executivo responder por todo o planejamento e implementação tecnológica. "A maioria das empresas ainda não atingiu um nível de maturidade a ponto de exigir a divisão dos domínios do CIO", diz Ione. É o que ocorre na Saraiva.com, onde o CTO Cláudio Camilo é o único profissional voltado exclusivamente à área de tecnologia. No Banco Santos, a mesma coisa: as funções são acumuladas pelo diretor de tecnologia Maurício Ghetler. No entanto, o potencial de penetração do CTO é bem amplo. Na visão do Gartner Group, 50% das grandes empresas brasileiras já têm condições de dividir as responsabilidades da área de tecnologia entre esses dois profissionais, o que deve valorizar ainda mais a carreira de CTO.

As funções do CIO e do CTO são bem distintas. "É como se o CIO fosse o lado direito do cérebro, e o CTO o lado esquerdo", diz Ione Coco. Quando há uma divisão dentro das empresas, o CIO volta-se para a gerência do conhecimento (knowledge management), riscos e estratégias de negócios. Já o CTO comanda a arquitetura e a infra-estrutura dos sistemas, além de administrar padrões de segurança, redes, operações e recursos técnicos (ver tabela). Em termos gerenciais, o ideal é que os dois executivos tenham o mesmo status dentro da organização hierárquica das empresas, afirma a analista do Gartner. O duro é que nem sempre isso efetivamente acontece, e o CIO em várias empresas ocupa um cargo de escalão superior.

PERFIL E FORMAÇÃO

Embora seja muito importante, a formação acadêmica não é determinante na hora de traçar um perfil do CTO. "Muito mais que a carreira ou as escolas onde estudou, o que conta mesmo é o perfil do profissional", diz o headhunter Maurício Franco, da consultoria Simon Franco & Associados. "O executivo precisa ter uma visão geral de processos administrativos muito boa, além do lado técnico apurado", afirma. O carioca André Potengy, CTO da incubadora InVent, tem um perfil que conjuga muito bem esses dois aspectos. Engenheiro de Computação pelo Instituto de Matemática e Estatística do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas e mestrado em Informática pela PUC, trabalhou como gerente de sistemas na Brahma durante seis anos antes de se tornar sócio da incubadora. Hoje, gerencia toda a parte relacionada à tecnologia. "Acho que a grande diferença entre as carreiras é que o CTO bota a mão na massa. O cargo é novo, mas a função é bem antiga", diz ele. Outras empresas pontocom, como a agenda O Elefante e a loja virtual ShopTime, também apostam na figura do CTO para acompanhar de perto o funcionamento de seus servidores e redes. "É preciso ficar de olho em tudo, e isso só é possível com uma formação técnica", diz Potengy.

O acúmulo de conhecimentos em áreas distintas torna o CTO uma figura muito valorizada no mercado. Segundo Maurício Franco, depois da onda dos softwares de gestão empresarial e do e-business, criou-se uma demanda mundial por profissionais com conhecimentos técnicos. "As empresas brasileiras acompanham esse movimento, e a prova é que o CTO é um cargo com muito boa procura", diz ele. A remuneração desse executivo também comprova esse fenômeno. Um CTO, hoje, chega a receber de 300000 a 600000 reais por ano. Por um salário desses, que tal convencer seu CEO a investir um pouco mais em tecnologia?

CIO e CTO: as principais diferenças

CIO (Chief Information Officer)

• planejamento e estratégia de tecnologia

• gerenciamento de risco do projeto

• fechamento de parcerias e acordos estratégicos

• gerenciamento do conhecimento (knowledge management)

• gerenciamento de demanda (articular e identificar oportunidades de negócios)

CTO (Chief Technology Officer)

• arquitetura e implementação da tecnologia

• gerenciamento de segurança de sistemas

• estratégias de outsourcing (onde encontrar os recursos mais adequados para a empresa)

• infra-estrutura e administração de ativos (hardware e software)

• gerenciamento de suprimento (integração de recursos de TI e fornecedores)

       


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