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Nem tudo é WAPA verdadeira Internet móvel está para acontecer. É o que diz Kurt Hellström, o presidente mundial da Ericsson POR MAURÍCIO GREGOO sueco Kurt Hellström é um interlocutor privilegiado no nascente mundo da Internet móvel. Presidente mundial da Ericsson, ele comanda a maior fabricante de equipamentos para redes de telefonia celular e a terceira maior fabricante de telefones móveis do mundo. A Ericsson está na linha de frente de tecnologias como Bluetooth, WAP e telefonia celular de terceira geração. Numa recente visita a São Paulo, Hellström falou a INFO Exame sobre o futuro da Internet móvel e da telefonia celular.
Os primeiros usuários de WAP no Brasil dizem que o acesso é lento e os serviços são ruins. Quanto tempo vai demorar para que essa tecnologia se torne atraente? O amadurecimento vai acontecer com bastante rapidez. Hoje, o usuário precisa primeiro estabelecer a conexão com a rede para acessar o serviço. E isso demora de 20 a 24 segundos. A verdadeira Internet móvel vai acontecer quando houver serviços de transmissão de dados em pacotes. Já temos os primeiros serviços desse tipo, como CDPD nos Estados Unidos e iMode no Japão. Na Europa e na Ásia, estamos implementando o GPRS. Assim, o usuário estará sempre conectado e terá acesso instantâneo a qualquer momento. O iMode é tão bem-sucedido por que ele usa um serviço de transmissão de dados em pacotes. Como o acesso é instantâneo, não há sensação de lentidão, mesmo sendo a velocidade bastante lenta, 9,6 Kbps. O CDPD funciona a cerca de 20 Kbps e o GPRS, a 115 Kbps. Quando passarmos para a terceira geração vamos ter 384 Kbps. Então, vai ser possível transmitir dados de maneira praticamente instantânea. Eu nunca esperei que a Internet sem fio com conexão discada fosse bem-sucedida. É com a transmissão por pacotes que a grande mudança virá.
Dá para confiar na segurança das transações financeiras via celular? Eu fico atônito quando ouço isso sobre o celular porque as pessoas usam cartão de crédito. E o cartão de crédito é a coisa mais fácil de copiar que existe no mundo. Como as pessoas podem usá-lo? Com o telefone móvel, se o usuário tem o cartão de identificação do GSM, esse é um código quase inquebrável. Você teria de ser realmente profissional e ter bastante equipamento para violar o código. A segurança está um passo à frente nos dispositivos móveis, mas precisamos educar as pessoas sobre isso. O tráfego aéreo é muito seguro, mas as pessoas acham que não é tão seguro assim. Toda vez que acontece um acidente, ficam com medo de avião. E os telefones móveis também são dispositivos de baixíssimo risco. Mas há uma percepção das pessoas de que não é assim.
Como os provedores de conteúdo vão poder ganhar dinheiro com a Internet móvel? Até agora, sempre tem sido o usuário quem paga pelas chamadas e outros serviços. No futuro, os provedores de conteúdo vão poder cobrar pelo conteúdo. Mas também vão poder veicular anúncios ou vender produtos e oferecer o conteúdo de graça. Antes, podíamos dizer que a receita da operadora era proporcional ao número de assinantes e ao tempo em que eles ficavam conectados. Mas, no futuro, os esquemas de serviço podem mudar. No mercado financeiro, por exemplo, a corretora de valores poderá pagar para entregar informações financeiras a você porque ela quer mantê-lo como cliente.
Não parece haver espaço suficiente para anúncios na tela de um celular. Essa é uma fonte de receita viável? Já temos alguns telefones com tela maior. Em breve, vamos ter muitos com telas parecidas com a do Palm. Nos Estados Unidos, pode-se usar um Palm para acessar a Internet. Com tela colorida, é possível até exibir fotos e filmes. Logo, dá para transmitir bastante informação dessa forma.
A diversidade de formatos de tela parece criar dificuldades para os produtores de conteúdo. Como resolver esse problema? O que o WAP faz é exatamente isso. Ele foi criado para apresentar pequenas quantidades de informação em dispositivos com formatos variados de tela. Mas, se você quiser enviar ou receber uma quantidade grande de informação, vai ter de ir até um dispositivo fixo, como um PC.
Quanto tempo vai demorar para a telefonia de terceira geração entrar em plena operação? A telefonia 3G vai ser implementada no Japão no próximo ano. A DoCoMo e a Japan Telecom devem introduzir os serviços 3G até o final de 2001. Em 2002 haverá muitas operadoras em toda a Europa. Vai ser como o GSM, mas vai se alastrar muito mais rapidamente.
Quais são as chances de que haja uma convergência de padrões no futuro, permitindo o uso do mesmo aparelho em todos os países? A escolha dos padrões depende dos organismos de padronização de cada país e dos interesses da indústria local. Não tem nada a ver com custos. Todos os padrões têm uma base instalada muito grande. É possível obter custos equivalentes em qualquer um deles. Todos nós temos sonhado, é claro, com um padrão único mundial. Mas, infelizmente, não veremos isso nem na terceira geração. Vamos ter o UMTS, uma espécie de padrão europeu e japonês, e também o CDMA 2000, evolução do CDMA. Os dois vão coexistir, mas então teremos apenas dois padrões de 3G. Poderemos fazer aparelhos compatíveis com os dois. E, então, para o assinante, não vai fazer diferença.
As primeiras redes GSM no Brasil devem começar a operar em 2001. Que benefícios isso vai trazer ao usuário? O benefício mais óbvio é que vocês poderão se conectar em roaming na Europa e na Ásia. E vão ter mais opções de aparelhos. O GSM tem uma seleção muito ampla de aparelhos por ser o padrão mais difundido. Oferecemos uns quarenta modelos em GSM, e apenas uns dez em TDMA. E, é claro, a entrada de um novo sistema representa um aumento de capacidade. Haverá mais linhas disponíveis e será mais fácil conectar-se de qualquer lugar.
O crescimento da telefonia móvel vai continuar tão rápido quanto tem sido nos últimos anos? O crescimento vai se acelerar. O Brasil não é diferente dos outros países nesse aspecto. Durante anos, acreditávamos que algum dia iríamos atingir a saturação na Europa. Mas, quando chegamos a 50% de penetração no mercado, o crescimento se acelerou mais ainda. Há muita gente no mundo que não usa um celular hoje e essas pessoas vão passar a usá-lo à medida que a telefonia se torne mais barata. Mais e mais segmentos da população vão ter condições de usar um celular. Na China, no final dos anos 80, previa-se que o país teria entre 70000 e 100000 assinantes móveis no ano 2000. Diziam que os chineses não podiam pagar por esses serviços. Hoje, eles tem 70 milhões de assinantes. Isso não seria possível com os preços de doze anos atrás, mas o preço se reduz sempre e o poder aquisitivo tem aumentado. Assim, não acho que o crescimento vá se tornar mais lento.
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