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edição 175 - Outubro/2000

Deu SMS!


Enquanto o WAP irrita, o SMS ganha adeptos rapidamente entre as pessoas que não vivem sem celular

POR FLÁVIA YURI

A insistência das operadoras de telefonia em divulgar os novos serviços de WAP quase conseguiu ofuscar uma tecnologia que vem se popularizando rapidamente entre os usuários de celular brasileiros, o SMS. Criado há oito anos na Inglaterra, o sistema de troca de mensagens escritas no celular é sucesso absoluto na Europa. Até o final do ano, o tráfego no continente deve atingir 7,5 bilhões de mensagens por mês. No Brasil, o SMS conquista novos adeptos com rapidez. No Rio Grande do Sul, a Telet registra um movimento diário de 180 000 mensagens. No Rio de Janeiro, a ATL conta com 100 000 assinantes desse serviço e, em Minas Gerais, a Telemig tem 155 000 pessoas cadastradas.

A Nokia lançou há cerca de um mês, e em plena onda do WAP, um celular TDMA com desenho arrojado, mas sem o navegador para a Internet. O Nokia 8260 (também vendido pela Gradiente com o nome Neo) possibilita receber musiquinhas por SMS para ser usadas no lugar do toque tradicional do celular. Também permite enviar mensagens a partir do próprio aparelho, o que não deixa de ser incômodo por causa da dificuldade em digitar palavras no teclado numérico. A Nokia é uma das empresas que compõem a diretoria do WapForum, o comitê que dita as regras do WAP. O fato de ela ter lançado um modelo de topo de linha sem o microbrowser, mas com bons recursos de SMS, é bastante significativo.

Pelo menos no Brasil, a grande maioria do tráfego de SMS é formada por serviços do tipo newsletter. Embora o SMS tenha um limite de cerca de 150 caracteres por mensagem, essas informações ultra-resumidas fazem sucesso. No caso da Telet, por exemplo, só 20% do movimento correspondem a mensagens interpessoais. Os restantes 80% são notícias, cotações financeiras e outras informações que a própria Telet envia aos assinantes. Há uma certa ironia nisso, já que os serviços de notícias estão entre os que poderiam ser acessados via WAP.

Mesmo na Web, muita gente prefere assinar uma newsletter por e-mail em vez de navegar até as notícias. Na Internet móvel, a preferência pelas newsletters via SMS é muito mais nítida. Os motivos para isso são vários. Em comparação com o SMS, o acesso às informações pelo WAP é mais caro e mais lento, além de exigir a incômoda digitação de endereços no teclado numérico do celular. Um dado importante é que a maioria dos usuários não tem um celular com microbrowser e não vê motivos para investir num já -- sem contar que muitas operadoras não oferecem, ainda, serviço de WAP.

Há outro fator a favor do SMS. Do ponto de vista do usuário, ele funciona de forma semelhante aos serviços de pager, que tiveram enorme sucesso no Brasil nos anos 90. Ao longo dos últimos anos, muitas pessoas que tinham um pager compraram um celular. Com o SMS, elas podem usar o serviço de mensagens curtas com o qual já estavam habituadas sem precisar de um pager para isso.

Para uma determinada parcela de usuários, o SMS é também uma forma de economizar na conta. Muitos dos heavy users desse serviço são adolescentes e universitários -- quase todos com celulares pré-pagos -- que encontram nele uma forma mais barata do que a ligação convencional para se comunicar com os amigos. Na operadora britânica Vodafone, os 2 milhões de usuários do SMS no sistema pré-pago emitem o dobro do volume de mensagens dos usuários do pós-pago. No Brasil, o modelo pré-pago corresponde a 60% da base de usuários de telefonia móvel. Em algumas cidades, a parte do pré-pago passa de 70%. O país é, portanto, um campo fértil para o SMS.

Para a maioria dos usuários adultos, as informações financeiras são o tipo de serviço mais valorizado no SMS. Além dos já tradicionais saldos e cotações, os bancos começam a oferecer serviços personalizados, como o aviso imediato em caso de alta ou queda das ações especificadas pelo cliente. A Paiva Piovesan, produtora dos aplicativos Finance e Company, para administração financeira, anunciou um serviço que envia para o celular a relação de contas que devem ser pagas a cada dia, o faturamento e outras informações à escolha do usuário.

Além disso, o SMS começa a ser visto como uma eficiente ferramenta de trabalho. "As empresas que trabalham com vendedores externos e consultores são responsáveis pela maior parte da utilização do serviço de envio de mensagens", diz André Barbisan, analista de desenvolvimento de produtos e serviços da Claro Online, portal da Telet.

Um recurso que já está se tornando popular entre os administradores de sistemas é o monitoramento remoto de servidores. Quando o equipamento apresenta alguma falha, o software de gerenciamento envia uma mensagem ao administrador via SMS. Essa é uma aplicação típica em que o SMS substituiu o pager. Em alguns países da Europa, um sistema similar é utilizado nas máquinas de venda automática de refrigerantes e outros produtos. Quando precisam ser reabastecidas, elas mandam um aviso ao sistema central, que automaticamente gera uma mensagem à equipe de reposição mais próxima.

O SMS também acena como solução para a difícil tarefa de definir um modelo para a propaganda nos celulares. Com base em informações pessoais fornecidas pelo próprio usuário, as empresas firmam parceria com as operadoras para patrocinar algum tipo de promoção que seja vantajosa o suficiente para que o usuário não se sinta invadido pela mensagem que não foi solicitada.

A Telet, por exemplo, há pouco tempo enviou para os assinantes do serviço de entretenimento uma promoção: "Telet informa: os primeiros cinqüenta que ligarem ganham ingresso grátis para o show do Jota Quest". Noventa e um caracteres e ninguém saiu ferido. Imediatamente o telefone começou a tocar e, em vez de reclamações, a operadora recebeu inúmeros pedidos de bis.

       


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