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Os pedidos vão pela InternetO Pão de Açucar aderiu ao Web EDI. Seus pequenos fornecedores vão ter as mesmas mordomias de gente grande POR ROSE CRESPOQue a Internet facilita a comunicação e agiliza os negócios você já deve estar cansado de saber. Agora a rede mundial começa a ser importante também para manter as prateleiras dos supermercados cheias. No grupo Pão de Açúcar, a conexão com algumas indústrias já é feita pela Web. A empresa pretende com isso tornar a reposição de produtos em suas lojas mais barata e eficiente. Bem-vindo ao mun- do do Web EDI. Mais simples que o tradicional EDI (Electronic Data Interchange, ou troca eletrônica de dados), o Web EDI começa a derrubar a burocracia entre o Pão de Açúcar e a indústria. Quando estiver a pleno vapor, no final deste ano, todos os parceiros da rede varejista vão poder, pela Internet, se informar sobre os pedidos de produtos do Pão de Açúcar, enviar notas fiscais, estabelecer as condições de pagamento e até verificar o melhor horário para a entrega das mercadorias.
O fato de ser mais prático significa que o Web EDI vai varrer do Pão de Açúcar o tradicional EDI? Não é possível afirmar isso hoje. O projeto começou tímido, e ainda precisa de tempo para avançar mais. Atualmente, quinze fornecedores participam do Web EDI, encarado ainda na empresa como um projeto piloto. Isso não significa falta de disposição para investir. O Pão de Açúcar reservou 1 milhão de dólares para Web EDI e espera ter, até o final deste ano, 40% dos 3500 parceiros de pequeno e médio portes usando a Web para poder transmitir seus pedidos a eles pela rede.
O EDI via Internet começa a merecer a atenção de empresas como o Pão de Açúcar por algumas razões. As duas principais: a utilização da Web facilita o contato com médios e pequenos fornecedores, aqueles que não têm condições de implantar sofisticados sistemas de troca de informações. Segundo: o custo do Web EDI é menor. Se optar pelo EDI tradicional, uma empresa pequena vai gastar entre 800 e 1 000 reais para a implantação e cerca de 500 reais mensais para usar o serviço. O Web EDI custa 50% menos para implantar e aproximadamente 200 reais mensais de manutenção.
Se antes a segurança era um empecilho associado à Web, hoje o que mais tem preocupado o Pão de Açúcar é mudar a cultura dos parceiros. "As relações comerciais é que emperram o Web EDI. Nem sempre o parceiro prioriza o projeto e está preparado para o novo cenário", diz Jair Fernandes, diretor de informática do Pão de Açúcar. Apesar de ainda não fazer parte da cultura das empresas, o Web EDI tem tudo para se tornar um meio eficiente para as transações comerciais do Pão de Açúcar com seus cerca de 6 000 fornecedores. Mas não é o único. A empresa prevê que pouco mais da metade deles deve optar pela Web. O restante vai permanecer, ou aderir ao bloco dos adeptos do tradicional EDI, hoje usado por 860 fornecedores. Do total de pedidos que a rede emite, 36% são feitos eletronicamente. "Até o final do ano, o percentual de pedidos via EDI chegará a 50%", diz Paulo Gualtieri, diretor de coordenação comercial do Pão de Açúcar.
O Web EDI funciona de forma bastante simples no Pão de Açúcar. Os parceiros entram no site da empresa, digitam o número de seu CGC e uma senha. Assim, têm informações sobre os créditos pendentes e podem receber pedidos do supermercado. O projeto foi desenvolvido pela Interchange em parceria com a EDS. Antes de partir para o Web EDI, o Pão de Açúcar automatizou suas 349 lojas e incrementou a logística do centro de distribuição, localizado em São Paulo, e formado por três depósitos que armazenam 40 000 itens e abastecem 60% dos estoques das lojas. Nos últimos três anos, o grupo desembolsou 40 milhões de dólares nesse megaprojeto.
Para controlar estoques e vendas de todas as suas lojas, o Pão de Açúcar adotou uma solução desenvolvida em casa. É um sistema de transferência de arquivos que roda num servidor IBM Risc, conectado à rede Windows NT da matriz, onde estão pendurados 3 000 usuários. Os pedidos de produtos para reposição de estoques seguem pela intranet para o centro de distribuição ou para a matriz, em São Paulo. As oitenta lojas de fora de São Paulo enviam os dados pela rede via satélite. Nas demais, a comunicação fica por conta de 250 linhas privadas. Por esse sistema, a loja acompanha se o pedido já foi atendido e quando a mercadoria será despachada.
Quanto mais ágil a reposição de estoques, menor é o risco de o consumidor chegar a uma loja Pão de Açúcar e não encontrar a sua marca preferida de leite condensado ou iogurte light. Para garantir que de 100 pedidos feitos a loja vai receber no mínimo 97, o Pão de Açúcar adotou a reposição automática de estoques com vinte grandes indústrias, entre elas Gessy Lever e Elida Gibbs. Esse sistema, baseado no conceito de ECR, sigla para resposta eficiente ao consumidor (veja quadro), elimina a necessidade de interferência direta de vendedores ou a troca de notas fiscais em papel. O Pão de Açúcar e os fornecedores definiram três níveis para a reposição automática: 1) estoque mínimo, 2) ponto de pedido e 3) estoque máximo. Assim, ao receber o alerta de que o estoque do Pão de Açúcar chegou ao nível 2, ou seja, ao ponto de pedido, o sistema da indústria envia a mercadoria automaticamente. Hoje os fornecedores com que o Pão de Açúcar pratica o ECR representam 15% das vendas do grupo. A combinação de EDI, Web EDI, ECR e logística já começa a gerar resultados. A falta de produtos nas lojas foi reduzida de 25% para 4% do total vendido.
Linha direta
Com o ECR, os microsrepõem os estoques
Por trás da tecnologia que liga o Pão de Açúcar aos fornecedores está o conceito de ECR, sigla para efficient consumer response, ou resposta eficiente ao consumidor. O ECR é uma espécie de just-in-time de última geração, em que os computadores repõem os estoques sem a interferência de vendedores. Para isso o ECR estabece padrões de transmissão eletrônica de dados e de padronização dos níveis de estoque. Mas, para que os pedidos eletrônicos fluam de forma harmoniosa, é preciso que todos falem a mesma língua. O EDI está conseguindo isso. Um dos padrões de mercado é o EDIFact, o mais popular e eleito pelo Pão de Açúcar, pois permite que os dados possam ser lidos sem problemas nas duas pontas.
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