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opinião / patrulha cibernética

edição 143 - Fevereiro/1998

Meu trauma com a tecnologia push


Ela só funciona em redes velozes e, ainda assim, parece uma baleia dentro de um aquário

POR MUTTLEY BATES

EU NÃO SOU UM dos maiores fãs da tecnologia push - um serviço de distribuição de informações na Web, principalmente notícias, enviadas para a tela do seu micro. Na teoria, esse serviço é fantástico. Em vez de gastar seu tempo para procurar informações fresquinhas na Internet, os próprios sites fazem o trabalho de mandar eletronicamente as novidades para sua máquina. Com uma vantagem: o conteúdo pode ser armazenado no disco rígido enquanto ele não está em uso. Com as informações disponíveis para consulta, sem conexão com a Internet, há uma economia de tempo para quem consulta constantemente a Web.

Esse serviço foi criado pela empresa americana PointCast, em 1996. Depois dela, mais algumas dezenas de empresas aderiram à tecnologia push. Todas com o mesmo objetivo: ocupar ao máximo o tempo de navegação dos internautas. A razão é simples. Quanto mais tráfego no site, mais caro o valor para anunciar nesses sites. Essa é a fórmula mágica. Mas esse serviço só funciona em grandes corporações, por terem conexões com a Internet mais velozes. Nelas, como o acesso é normalmente feito pela rede, as atualizações dos sites push podem ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, sem prejudicar a produtividade. Mas para os pobres mortais que acessam a Web de suas casas ou seus escritórios via dial up, esse serviço é mais irritante do que útil.

Mesmo com essas desvantagens, os dois maiores desenvolvedores de navegadores para Internet estão investindo na tecnologia push. A Netscape saiu na frente com o Netcaster, incluído em seu Communicator. A Microsoft colocou no Internet Explorer 4 um serviço push opcional chamado Active Channels. Mas mesmo com todos esses investimentos, essa tecnologia ainda parece não ter saído de sua versão alfa. Depois de ter usado ambos por algum tempo, ficou a sensação de que estão tentando colocar uma baleia dentro de um aquário de mesa.

O trauma com a tecnologia push nasceu ao instalar em meu micro o novo navegador da Microsoft, o IE4. Curioso com o monte de logos de empresas que apareciam na barra de canais, assinei alguns serviços para testá-los. Não precisei de muito tempo para descobrir que os canais assinados, incluindo sites famosos como Business Week, não ofereciam um sistema de triagem de informações decente. E que o seu conteúdo demora muito para ser recebido. O risco de inundar o disco rígido com informações ou sobrecarregar o trafego da rede é alto. Basta não controlar a empolgação e assinar diversos canais. Com tantos logos no papel de parede do Windows, o micro parece mais um outdoor digital do que um local de trabalho. Minha dica: feche a barra de canais. Ela não afeta em nada o recebimento de informações. Se os canais forem instalados na rede da empresa e a conexão do servidor for dial up, cuidado. Como alguns dos canais checam os sites para novas informações, o servidor pode acabar conectado 24 horas por dia. O resultado só aparece no final do mês, quando a conta de acesso ao provedor Internet chega na sua mesa. Eu caí como pato nesse descuido com os canais e acabei com uma conta de 2 000 reais, quase quatro vezes maior que o valor normalmente pago.

Talvez nos próximos dezoito meses as coisas mudem, com conexões mais rápidas. Por enquanto, tudo é puro marketing e, na prática, muito fraco para ser usado. Prefiro o sistema de distribuição de informações do NewsPage (www.newspage.com).

Muttley Bates, na vida real, é um alto executivo do ramo de informática

       


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