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edição 137 - Agosto/1997

A guerra do empurrão


As grandes empresas lutam pela supremacia da tecnologia push. Mas é bom não esperar milagres dos canais de notícias da Internet

Se você não agüenta mais ouvir falar em "guerra dos browsers", preste atenção nesta: agora Microsoft e Netscape decidiram lutar também em outra arena: a da tecnologia push.

Por push (empurrão, em inglês) entenda-se o método de levar informações da Internet diretamente ao computador do interessado, sem que ele tenha de sair navegando pela Web. A idéia é reduzir o tempo de espera para conseguir os dados e, ao mesmo tempo, tornar o processo um pouco mais passivo - textos e imagens vão surgindo na tela enquanto o usuário assiste a tudo. Não é à toa que a metáfora de "canais", como os da TV, é sempre utilizada pelos fabricantes.

Os softwares de push são úteis. Facilitam determinadas tarefas e tornam o acesso às informações mais rápido. Mas o excesso de expectativa em torno deles - em grande parte criada pelos próprios fabricantes - pode gerar algum tipo de frustração. Não espere que seu browser seja subitamente transformado numa TV. Não espere que o tempo de acesso às páginas seja reduzido a zero. Em suma, não espere muito. Assim você gostará da novidade.

A Microsoft foi a última a entrar nessa briga. Em meados de junho, lançou a versão beta 2 de seu Internet Explorer já incorporando o que chama de Active Channels. Um mês antes, a Netscape havia lançado seu Netcaster, que funciona agregado ao conjunto Communicator 4.01, do qual faz parte o popular Navigator. Nessa batalha, as duas gigantes dos browsers não estão sós: há uma dezena de outros competidores. O principal deles é a PointCast, precursora do gênero, mas há também novatas que fazem barulho, como a Marimba, chefiada pela nova queridinha do Vale do Silício, Kim Polese. Todos os softwares podem ser copiados pela Internet, gratuitamente ou pelo menos para período de avaliação gratuito (veja os endereços de download no final da reportagem).

[PointCast]

O INFOLAB testou os quatro produtos, em versão para Windows 95. Os produtos da Microsoft e da Netscape, se apóiam, evidentemente, nos browsers - portanto a apresentação gráfica dos conteúdos lembra muito a navegação tradicional da Internet. A vantagem disso é que a adaptação de um site para o sistema "empurrão" é simplificada. A desvantagem é que, muitas vezes, quase não há diferença visual entre um site acessado pelo sistema tradicional ou pelo "push". O PointCast, embora também utilize o browser para mostrar determinadas páginas, tem uma interface diferente da dos browsers tradicionais. Mas é o CastaNet, da Marimba, que visualmente mais se diferencia dos navegadores comuns.

Por estar há mais tempo em cartaz (desde fevereiro de 1996), o PointCast é o que oferece mais alternativas de programação. Há canais como CNN, The New York Times, The Wall Street Journal ou especializados em informática, como Wired e TechWeb. O Netcaster também tem uma série de parceiros respeitados: ABC News, CBS SportLime, CNN, C-Net (especializada em informática), entre outros. A Marimba tem menos canais de informação, pelo menos por enquanto: Wired e Excite são alguns deles. Há também canais de jogos e diversão. Mas é a Microsoft que tem feito a mais agressiva campanha para atrair provedores de conteúdo para o novo software. Entre os produtos testados, a Microsoft foi a única que tomou a iniciativa de agregar serviços informativos brasileiros. A versão em português do produto traz dez canais nacionais já selecionados, seis jornalísticos - entre eles o Universo OnLine, que inclui INFORMÁTICA EXAME - e quatro de bancos. Entre os parceiros internacionais estão também as empresas de comunicação mais conhecidas, da revista econômica Forbes às novidades da Disney. É possível excluir os canais que vêm pré-selecionados ou incluir outros.

Cada sistema utiliza uma forma diferente para manter as informações atualizadas, mas o princípio é sempre o mesmo. O programa traz as informações continuamente para o computador do espectador. Os dados são armazenados em memória cache (temporária). Quando recebe um pedido de algum dado, o programa vai buscá-lo no cache e não na Internet. No PointCast, o usuário pode definir o horário em que as atualizações serão feitas. O cronograma valerá para todos os canais. É possível definir que tipo de informação receberá de cada canal - por exemplo, separando apenas informações de Ciência e Tecnologia do canal da CNN. No Netcaster, os critérios de atualização são definidos para cada canal. Uma janela de configuração se abre sempre que um novo canal é adicionado, permitindo escolher horário e abrangência da atualização. No software da Microsoft, além desse recurso, há outras possibilidades. A gosto do freguês, o sistema pode mandar um e-mail avisando que determinado canal tem novas informações.

A proliferação de softwares de push traz um problema tanto para usuários como para desenvolvedores. Como os sistemas não são plenamente compatíveis entre si, páginas escritas para um software podem não ser vistas pelo software concorrente. Escolher entre um dos quatro programas, portanto, é apostar qual será a tecnologia vencedora. Além de exigir boa dose de perseverança para ler tanta notícia.

ENDEREÇOS NA INTERNET

Internet Explorer 4.0 b2 - http://www.microsoft.com/ie/download/

Netscape Netcaster (exige Communicator 4.01) - http://www.

netscape.com/pt/

Marimba CastaNet Tuner - http://www.marimba.com/download/

PointCast 2.0 b1 - http://www.pointcast.com/download/index.html

       


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