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O RFID entra em produção
Veja como fábricas e depósitos
de grandes redes de varejo estão
usando as etiquetas inteligentes
Antes mesmo de entrar na linha de montagem, a impressora recebe uma etiqueta inteligente na carcaça. Ao longo do seu trajeto pela fábrica, o chip embutido nessa tag vai carregando informações sobre o produto, como o nome do fornecedor de um componente e o firmware usado. Essas informações podem ser úteis não só enquanto a impressora está dentro da fábrica, no centro de distribuição ou numa loja, mas também caso um dia ela precise ir para a assistência técnica.
É assim que a HP vem usando, há mais de um ano, a tecnologia de etiquetas inteligentes na linha de produção de suas impressoras no Brasil — mais exatamente na fábrica da Flextronics instalada em Sorocaba, no interior de São Paulo. Foi a HP quem criou a metodologia de implantação, comprou os leitores (da Seal) e as etiquetas inteligentes (da Rafsec, com chips Philips), além de fazer a integração do middleware (da Oat Systems) com os sistemas corporativos — entre eles, o software de gestão SAP. “Oito leitores RFID espalhados em pontos estratégicos da linha de produção controlam desde a entrada da matéria-prima até a saída do produto acabado”, diz Manoel Laranja, gerente de manufatura da HP Brasil. “Com isso, conseguimos reduzir em 17% os estoques de matéria-prima, de processo e de produtos acabados. Também ganhamos agilidade nas entregas”, afirma.
A empresa começou a usar a tecnologia há quatro anos, nos Estados Unidos, para melhorar o gerenciamento de sua cadeia de suprimentos. Hoje, as etiquetas inteligentes estão em 28 instalações da HP no mundo, entre elas três fábricas e vários centros de distribuição. No Brasil, o investimento no projeto foi de 2 milhões de dólares e incluiu a implantação de um centro de excelência em RFID para atender outras empresas interessadas em adotar essa tecnologia. “Um ponto crítico é garantir a precisão das informações transmitidas entre a tag e o leitor”, afirma Manoel Laranja. “Quando começamos, a acuracidade era de apenas 20%. Hoje, depois de muitas simulações, chegamos a 95%.”
NAS FÁBRICAS DA GM
Há cerca de um ano, a GM também está usando as etiquetas inteligentes em suas três fábricas instaladas no Brasil. São etiquetas passivas, do tipo regravável, que são aplicadas no skid, um carrinho sobre o qual é colocado o futuro veículo para que ele circule pela linha de produção, antes da montagem final — o que ocorre depois que ele é pintado. “O objetivo foi melhorar o gerenciamento do banco de unidades pintadas, usado na hora de fazer o mix dos modelos que vão primeiro para a linha de montagem”, afirma Sonia Campos, diretora do controle de produção e materiais da fábrica da GM, em São Caetano do Sul.
Nas tags estão gravadas informações básicas sobre o veículo — como nome do modelo e número. Durante o processo de produção, novas informações são adicionadas pelos leitores (dez ao todo, só em São Caetano), que trabalham com antenas com alcance de 12 centímetros de distância — a freqüência utilizada é a de 13,5 MHz. Ao mesmo tempo, os leitores transmitem informações para o banco de unidades pintadas, que fica num servidor IBM 346 com banco de dados Oracle. Esse sistema, por sua vez, funciona integrado ao sistema de ordem de produção — que determina que os modelos Astra devem ser montados antes do Vectra, por exemplo. “Com o RFID, ganhamos flexibilidade na montagem, além de maior garantia de acerto no mix, com a eliminação da atividade manual e da burocracia”, diz Sonia.
TAGS NO SUPERMERCADO
É justamente na área logística que mais aplicações têm aparecido. O alemão Metro usa as etiquetas inteligentes nas áreas logística e de gerenciamento de depósitos desde novembro de 2004. Hoje, cerca de 40 fornecedores — entre eles, Johnson & Johnson, Henkel e a Procter & Gamble — adotam tags RFID nos paletes que transportam suas mercadorias. Segundo estudos do grupo, a economia propiciada pelo uso dessa tecnologia e da troca eletrônica de dados poderá chegar a 8,5 milhões de euros por ano — isso apenas nas divisões Metro Cash & Carry (atacadista), Real (hipermercados) e nos centros de distribuição.
Já o Wal-Mart tem aproximadamente 300 fornecedores envolvidos em seu projeto de RFID. Por enquanto, as etiquetas são colocadas nos paletes e nas caixas onde são guardadas as embalagens dos produtos. A expectativa é acrescentar mais 200 fornecedores até o fim do ano. Além disso, o Wal-Mart quer expandir o uso da tecnologia RFID em 2006, chegando a mil lojas, clubes e centros de distribuição do grupo nos Estados Unidos. Os resultados começam a aparecer. “Um estudo da Universidade do Arkansas mostrou que conseguimos reduzir em 16% os produtos fora de estoque”, diz Bill Gonzales, vice-presidente de sistemas do Wal-Mart Brasil. “Além disso, a reposição dos produtos com etiquetas inteligentes está sendo três vezes mais rápida em relação ao sistema normal de código de barras”.
A experiência do Pão de Açúcar
Redução de 10% no nível dos estoques, até 12% de aumento na produtividade e diminuição de 18% a 26% nas perdas de inventário. Esses foram os principais resultados da experiência piloto realizada pelo Grupo Pão de Açúcar, há um ano e meio, para avaliar o uso da tecnologia de etiquetas inteligentes no processo de recebimento e envio de mercadorias. Durante dois meses, mil paletes com produtos da Procter & Gamble e da Gillette — parceiros da rede varejista no piloto — foram monitorados, por meio das tags, no trajeto entre as duas fábricas e o centro de distribuição do Pão de Açúcar, localizado na Via Anhangüera, em São Paulo. Neste ano, o grupo pretende repetir a experiência, desta vez com mais fornecedores.
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