Fotógrafos experientes dão dicas para um resultado infalível de fotos da natureza
A natureza é um espetáculo cheio de cenas deslumbrantes e curiosas. É raro encontrar um fotógrafo, amador ou profissional, que já não tenha tentado capturar a imagem de um pôr-do-sol numa praia deserta, ou o vôo rasante de um pássaro sobre a água ou ainda a delicadeza de uma borboleta. Mas nem sempre é fácil transformar em pixels as imagens da natureza que enchem os olhos. Por isso, INFO foi buscar dicas com fotógrafos profissionais. Eles são: Luciano Candisani, que usa uma Nikon D70; Bia Parreiras, que dá seus cliques com uma Nikon D100; e Julio Fiadi, que tem uma Nikon D70 e uma FinePix S-2, da Fujifilm. Aproveite os truques para arrasar nas próximas fotos.
1. Contra a luz
Saber usar a luz é uma regra essencial quando se fotografa a natureza. A norma de evitar bater as fotos contra a luz nem sempre se aplica nesse caso. Flores, por exemplo, podem produzir resultados diferentes quando estão contra e a favor da luz, exibindo gradientes de cor e transparência inusitados sob o ângulo apropriado. Se a câmera estiver no modo totalmente automático, é possível que o objeto em primeiro plano fique escuro quando fotografado contra a luz. Isso pode ser interessante se o objetivo for registrar só a silhueta. Se, no entanto, você quiser clareá-lo, a maneira mais simples é acionar o flash. Experimente, também, fazer ajustes manuais na exposição para variar a luminosidade.
2. Enxergue como o sensor
A trajetória do sol no céu, ao longo do dia, pode interferir nas cores das imagens capturadas. Ela cria diferentes comprimentos de onda, que os fotógrafos profissionais chamam de temperaturas de cor. As cores vão se modificando durante o dia, mas nossos olhos corrigem essas variações automaticamente. Só que os sensores das câmeras digitais captam essas mudanças. Por isso, é importante entender como o sensor enxerga — e interpreta — as cores. Evite dar seus cliques no horário entre 11 e 14 horas, pois é o período de maior incidência da luz solar. E o sol a pino reduz o volume do objeto fotografado. Pela manhã ou mais à tarde a inclinação da luz solar produzirá imagens com sombras e contrastes — e fotos mais vivas. Isso serve também para os dias nublados. Neles, também há variações na temperatura da cor ao longo do dia.
3. Sem medo de chuva
Nas fotos de natureza, dias de chuva podem revelar imagens interessantes — um raio cortando o céu, por exemplo. Por isso, não tenha medo de dar seus disparos por causa do tempo ruim. Mas tenha o cuidado de proteger a câmera. Vale usar um guarda-chuva, uma caixa estanque ou um saco de plástico grande.
4. Faça muitas fotos
Aproveite o fato de as câmeras digitais não precisarem de filme e bata muitas fotos. Para capturar boas imagens de aves em pleno vôo ou de animais correndo, é preciso dar vários cliques seguidos. De quebra, você pode conseguir cenas ou efeitos inesperados, como uma onda arrebentando nas pedras, passarinhos cantando em coro ou um macaco bocejando. Para cenas de movimento rápido, use o modo de disparo contínuo da câmera. Só não se esqueça de colocar na mochila um cartão de memória adicional.
5. Flash a tiracolo
Se você pretende se embrenhar no meio da mata, não dispense o flash, mesmo durante o dia. Há ambientes escuros em que o flash e alguma iluminação artificial extra podem ajudar a obter bons resultados. Para fotografar animais, por exemplo, o ideal é trabalhar com a câmera em baixa velocidade e o flash com baixa intensidade. Isso permite acompanhar o movimento do bicho, deixando-o no foco e o fundo difuso.
6. Foco nos olhos
Um toque que pode fazer a diferença na hora de fotografar animais: procure sempre focalizar nos olhos. Se a imagem capturada apresentar algum movimento no bico de uma ave ou no focinho de um touro, por exemplo, isso não vai prejudicar muito o resultado. Mas, se o olho do animal estiver desfocado, a foto estará perdida. Observe que o foco no olho também é a regra no caso de retratos de pessoas.
7. Contra o vento
No caso de fotos de aves grandes, cujos ninhos podem ser fotografados com o auxílio de uma teleobjetiva ou até mesmo com uma aproximação cautelosa, é preciso manter-se sempre contra o vento, pois é nessa direção que as aves pousam. Exemplo: para clicar um cormorão, certa vez o fotógrafo Julio Fiadi gastou cerca de uma hora buscando a melhor posição, contra o vento e na linha de aproximação do pássaro.
8. Agilidade
Animais em movimento rápido são difíceis de acompanhar e exigem firmeza nas mãos. Quando a ocasião permite, o ideal é brincar com os ajustes do obturador e utilizar a velocidade mais alta, de 1/250 ou mais, e evitar imagens tremidas.
9. Use o branco
Explore a possibilidade de calibrar o balanço de branco de sua câmera digital se o modelo oferecer esse ajuste. Para isso, coloque na mochila uma folha de papel em branco, que será utilizada para a calibrargem. Se você fizer isso num local muito claro, iluminado pelo sol do meio-dia, o balanço do branco criará imagens mais azuladas. Mas, se você quiser uma foto com cores mais neutras, calibre a sua máquina digital numa região de sombra.
10. Suavize as sombras
O flash e o rebatedor são acessórios muito úteis nas fotos de natureza — em especial de flores, plantas e árvores. Eles evitam a dependência de luz natural e permitem suavizar as sombras, ao utilizar iluminação de preenchimento. Nos casos de luz em excesso você pode usar um refletor, ou uma superfície brilhante, para rebatê-la e dar volume às fotos. Modelos dobráveis de refletor podem ser encontrados em lojas de equipamentos fotográficos profissionais. Se sua câmera admite a conexão de um flash externo, vale a pena investir nesse acessório. Além de ser mais potentes, as unidades externas geralmente possibilitam direcionar o facho para que seja rebatido em alguma superfície.
11. Tripé na mochila
O tripé é outro acessório importante nas fotos da natureza, pois garante a firmeza da câmera e evita que as imagens saiam tremidas. Ele é fundamental nas fotos feitas com maior exposição, ou com velocidade inferior a 1/60, que em geral ficam com a nitidez comprometida. E não é preciso usar modelos grandes ou pesados demais. Existem tripés pequenos, com cerca de 300 gramas, que não pesam na mochila e que são uma mão na roda para fotos em áreas com menos luz. Para fotografar animais em movimento, pode ser mais prático usar o monopé. Esse suporte não é, claro, tão firme quanto o tripé. Mas ele proporciona alguma estabilidade sem prejudicar os movimentos rápidos da câmera.
12. Escolha a lente certa
O uso de lentes adequadas pode ser de grande ajuda para obter o efeito desejado nas fotos de animais, flores ou outros elementos da natureza. Mas, para isso, é preciso que sua câmera digital ofereça a possibilidade de trocar as lentes — um recurso apresentado pelos modelos reflex. Para fotografar animais a distância, por exemplo, a lente indicada é a teleobjetiva longa (mínimo de 200 mm), que oferece uma boa aproximação do objeto.
13. Campo florido
Nas fotos de flores, as lentes mais usadas são a grande-angular e a objetiva com função macro. Se você for fotografar um campo florido, por exemplo, deve utilizar uma lente grande-angular entre 20 e 28 mm, que permite enquadrar uma área maior.
14. Close nas pétalas
Sabe aquela foto linda das gotas de orvalho sobre as pétalas da rosa? Você pode produzi-la usando uma lente macro (de 105 mm ou outra) e, se possível, um tripé. Algumas câmeras digitais compactas já incorporam a função macro entre os seus recursos. Nos modelos reflex, é preciso comprar a lente macro se ela não vier no kit da câmera. Também é possível obter o efeito de close empregando tubos de extensão ou uma lente auxiliar do tipo close-up.
15. Foco na rã
A lente macro também é utilizada para fotografar minúsculos insetos, como abelhas, besouros e aranhas, e pequenos animais, como sapos e rãs. Ela permite uma aproximação do assunto, a uma distância mínima de foco de centímetros. Em geral, essa lente é usada junto com o flash para congelar o movimento e garantir o foco da imagem. Na verdade, o ideal é empregar dois flashes, um em cada lado, para eliminar as sombras — já que a captura da imagem tem de ser feita bem de perto. Para esse tipo de foto, uma macro de 100 mm ou mais é preferível. Se for usada uma lente mais curta, será necessário aproximar muito a câmera do objeto.
16. Na beira d’água
Cuidado na hora de bater fotos próximo à água de rios, lagos ou do mar. O brilho da luz sobre a água pode produzir reflexos que prejudicam a foto. Há várias opções para evitar isso. Se o objeto a ser fotografado estiver perto, vale a pena acionar o flash ou encontrar um ponto de vista mais favorável. Além disso, um filtro polarizador corretamente ajustado reduz bastante os reflexos. Naturalmente, você não deve usar esse filtro se seu objetivo for justamente registrar os reflexos, o que também pode trazer resultados interessantes.
17. Filtre a luz e as cores
Os filtros são acessórios que podem ajudar bastante nas fotos de natureza. Encaixados na frente da lente, eles modificam a forma como a luz entra nela, mantendo as cores naturais dos cenários ou evitando efeitos indesejáveis na foto. O filtro mais útil é o polarizador, que diminui os reflexos em superfícies brilhantes, como a água. Em fotos de paisagem, o polarizador intensifica o azul do céu, salientando as nuvens.
18. Destaque a cena
As lentes conversoras de tele e grande-angular podem ajudar a atenuar a limitação óptica das câmeras digitais compactas. Sua função é aumentar ou diminuir a distância focal da lente objetiva. O conversor de tele facilita fotos de pássaros e outros animais. E o conversor de grande-angular é indicado a fotos de paisagens — especialmente quando se quer inserir um objeto em primeiro plano na imagem, dando ao cenário uma sensação de profundidade e perspectiva.
19. Cachoeira mística
Para transformar a água caindo de uma cachoeira em uma cena com névoa e um certo ar místico, é só usar a mesma técnica que produz os efeitos de luzes difusas nas avenidas iluminadas pelos faróis dos carros à noite. Fixe a câmera no tripé, ajuste o obturador a uma velocidade baixa (tempo de exposição de 1/16 segundo ou mais) e bata a foto. Boa sorte!