Escolha a sua máquina

Flávia Yuri
21 de novembro de 2008

Escolha a sua máquina

O aumento do dólar e a incerteza dos fabricantes podem inibir a venda de máquinas. A tendência é que cada vez mais o hardware seja vendido como serviço

Um crescimento de 11,3%. Esse foi o balanço do Gartner sobre o setor de hardware neste ano. Para o próximo, é provável que essa curva diminua. Ainda não há estudos ou pesquisas que façam uma previsão considerando a crise econômica, mas o que se vê é que a dança do dólar tem feito os fabricantes reverem suas estratégias. Enquanto uns acrescentam alguns reais ao preço, outros suspendem a venda e a importação de novos itens.

No total de investimentos em TI, a participação de hardware deve cair ano a ano. Para o professor Fernando S. Meirelles, diretor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP, e especialista em administração de recursos de informática e TI, em 2010, o setor deverá representar somente 15% de tudo o que será gasto em TI. Parte disso se deve ao amadurecimento do mercado de TI, principalmente entre as grandes empresas, e outra parte representa uma tendência: a oferta de máquinas como serviço. Não é de hoje que grandes corporações encontram alternativas para renovar storage e mainfraimes sem ter de arcar, necessariamente, com a compra convencional, fazendo contratos de leasing.
Opções como essas começam a surgir para o mercado de pequenas e médias. Um exemplo é a iniciativa de uma grande operadora de telecomunicações, que passou a oferecer um pacote de acesso para empresas que inclui o PC. "A operadora já registra bons resultados com a iniciativa, a exemplo do que acontece em outros países da América Latina em que esse tipo de contrato faz sucesso", diz Vinícius Caetano, analista de telecomunicações da IDC. O professor Fernando Meirelles vai ainda mais longe: "A longo prazo, o custo da máquina no pacote de serviços corporativo tende a zero", diz ele.

A afirmação hoje é polêmica, mas, para o Gartner, já em 2011, empresas com tecnologia de ponta chegarão a ter 40% de sua infra-estrutura de hardware contratada. A banda larga em alta velocidade, que permitirá agilidade no tempo de resposta de aplicativos alocados em outros sites, será uma grande impulsionadora desse movimento. Para o consumidor, a tendência de comoditização da infra-estrutura pode acabar com a tradicional dependência em relação a uma marca e baixar os custos da troca de fornecedores.




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Escolha a sua máquina

Flávia Yuri

21 de novembro de 2008


Um crescimento de 11,3%. Esse foi o balanço do Gartner sobre o setor de hardware neste ano. Para o próximo, é provável que essa curva diminua. Ainda não há estudos ou pesquisas que façam uma previsão considerando a crise econômica, mas o que se vê é que a dança do dólar tem feito os fabricantes reverem suas estratégias. Enquanto uns acrescentam alguns reais ao preço, outros suspendem a venda e a importação de novos itens.

No total de investimentos em TI, a participação de hardware deve cair ano a ano. Para o professor Fernando S. Meirelles, diretor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP, e especialista em administração de recursos de informática e TI, em 2010, o setor deverá representar somente 15% de tudo o que será gasto em TI. Parte disso se deve ao amadurecimento do mercado de TI, principalmente entre as grandes empresas, e outra parte representa uma tendência: a oferta de máquinas como serviço. Não é de hoje que grandes corporações encontram alternativas para renovar storage e mainfraimes sem ter de arcar, necessariamente, com a compra convencional, fazendo contratos de leasing.
Opções como essas começam a surgir para o mercado de pequenas e médias. Um exemplo é a iniciativa de uma grande operadora de telecomunicações, que passou a oferecer um pacote de acesso para empresas que inclui o PC. "A operadora já registra bons resultados com a iniciativa, a exemplo do que acontece em outros países da América Latina em que esse tipo de contrato faz sucesso", diz Vinícius Caetano, analista de telecomunicações da IDC. O professor Fernando Meirelles vai ainda mais longe: "A longo prazo, o custo da máquina no pacote de serviços corporativo tende a zero", diz ele.

A afirmação hoje é polêmica, mas, para o Gartner, já em 2011, empresas com tecnologia de ponta chegarão a ter 40% de sua infra-estrutura de hardware contratada. A banda larga em alta velocidade, que permitirá agilidade no tempo de resposta de aplicativos alocados em outros sites, será uma grande impulsionadora desse movimento. Para o consumidor, a tendência de comoditização da infra-estrutura pode acabar com a tradicional dependência em relação a uma marca e baixar os custos da troca de fornecedores.

|quebra|
Hoje, o Gartner estima em 11 bilhões de reais o volume do mercado de hardware em 2008. Para as pequenas e médias empresas, hardware ainda é o principal gasto com TI. Para um país de proporções continentais não é pouca coisa. "Cerca de 490 mil empresas, com um quadro de funcionários que varia entre 10 e 499 pessoas, respondem por quase 50% dos gastos em TI", diz Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas e análises de mercado da IDC. Incluindo o uso domiciliar, o Brasil é o terceiro maior mercado do mundo para PCs e notebooks, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Dois segmentos que também impulsionam os investimentos em hardware são mainfraime e storage. "O Brasil é o número um dos fornecedores globais de mainfraime, que têm na área financeira seu principal filão", diz Roveri. Para a IDC, storage apareceu entre as cinco prioridades de investimento de 2008. Com a consolidação da computação em nuvem, a tendência é que esse mercado cresça ainda mais, como reflexo da necessidade de grandes empresas terem armazenamento redundante para as aplicações que rodarem em nuvem. Equipamentos importados devem sofrer o impacto da alta do dólar, mas acredita-se que o mercado vai continuar crescendo.

TI de que cor?

Sustentabilidade entrou para a pauta de TI globalmente e fornecedores de hardware estão entre os principais agentes dessa tendência. Não é à toa. De acordo com um relatório da APEL, consultoria especializada em sustentabilidade, um PC e seus periféricos, com peso médio de 24 quilos, demandam 1,8 tonelada de recursos naturais. O foco de fornecedores globais é produzir hardware que consuma menor quantidade de matéria-prima e menos energia. Mas os analistas concordam que o movimento ainda é muito tímido. "Quando têm de trocar um equipamento, as empresas tendem a optar por um hardware mais sustentável, mas elas não estão dispostas a pagar muito por isso. Elas podem gastar 52, no lugar de 50. Mas não pagarão 60 para ter essa opção", diz Fernando Meirelles, da FGV.

A consultoria Frost & Sullivan perguntou a dezenas de empresas da América Latina quais os motivos que as levariam a adotar TI Verde. As três principais razões que apareceram no levantamento foram relacionadas a custo. Em primeiro lugar, foi apontada a diminuição de gastos com consumo de energia. Em seguida, a redução de custo operacional, por estarem adotando equipamentos mais modernos, e em terceiro lugar a melhoria de imagem da marca da empresa. "Responsabilidade social não figurou nem mesmo entre os dez primeiros colocados", diz Marcelo Kawanami, líder de pesquisas da Frost & Sullivan para a América Latina.

|quebra|
No mercado, são escassas as iniciativas de sustentabilidade na área de tecnologia. Mas, ainda assim, há consenso de que TI Verde vai movimentar a área de hardware. "Globalmente, os fornecedores estão empenhados nessa questão. Em pouco tempo, esse será um movimento sem volta que vai abarcar até empresas que não tenham foco na questão social", diz Kawanami.

O Gartner considera que a preocupação com custos será o estímulo inicial para as empresas começarem a adotar medidas sustentáveis, mas que em pouco tempo as companhias passarão a ter políticas sólidas de sustentabilidade.

Hoje, a maioria das corporações ainda não tem qualquer conhecimento sobre os níveis de emissão de CO2 na produção de seus equipamentos. Mas, até 2010, 75% das empresas terão como pré-requisito de compra de hardware o controle de emissão de carbono na etapa fabril e o uso otimizado de energia. E, a partir de 2010, os maiores fornecedores de TI terão de provar suas credenciais verdes por processos de auditoria certificada.

Dica de Compra Mesmo no caso de fornecedores globais e reconhecidos, cheque a reputação dessas empresas com seus clientes mais antigos. O pós-venda pode ser uma caixa de surpresas, mesmo quando se trata de fornecedores renomados. Pesquisar a reputação da companhia evita que se fique na mão justamente na hora da manutenção, quando a máquina já movimenta seu Data Center.


Para Reinaldo Roveri, da IDC, TI Verde no Brasil sairá mesmo do papel quando houver leis e metas colocadas pelo governo que obriguem as empresas a investir nessa questão. "O que deve acontecer em algum momento, mesmo que seja por pressão internacional", diz ele. Seja qual for o motivo por trás desse movimento, não há dúvidas de que no futuro os fornecedores terão de seguir a cartilha da sustentabilidade.

Ilustração - Nik

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