Algumas das maiores operadoras de telecomunicação da Europa e grupos de private equity deverão disputar a unidade de telefonia móvel da Telecom Italia, afirmam analistas e representantes de bancos. O negócio pode movimentar ofertas de até 35 bilhões de dólares.
A diretoria da Telecom Italia decidiu em reunião realizada segunda-feira (11/09) pela separação do grupo em duas companhias, uma de redes e outra de telefonia celular. A empresa informou após a reunião que a reestruturação da quinta maior companhia de telecomunicações da Europa tem por objetivo focar suas atividades em mídia e banda larga, em reviravolta que pode levar à venda da unidade móvel TIM. O grupo italiano informou que vai estudar maneiras para "extrair valor" de suas unidades de redes e de telefonia móvel.
A possível venda da TIM pode impulsionar a tendência de consolidação de negócios de telefonia fixa e móvel, além de dar a interessados uma rara oportunidade de comprar uma líder de telefonia móvel em um dos maiores mercados de telecomunicações da Europa. "Essas coisas não acontecem com muita frequência", afirmou um analista de Londres.
Possíveis compradores incluem grupos de private equity, como The Carlyle Group, Apax e Permira, bem como grandes operadoras européias como a Deutsche Telekom e a espanhola Telefónica. Os analistas de crédito também sugeriram que seguradoras podem estar interessadas no fluxo de caixa previsível dos ativos.
Segundo fontes próximas ao assunto, a TIM tem valor de mercado entre 35 bilhões e 40 bilhões de euros, incluindo dívidas, o que deve implicar em um dispêndio em dinheiro de cerca de 10 bilhões de euros por parte de empresas de private equity interessadas em uma aquisição conjunta.
Uma fonte disse à Reuters nesta segunda-feira que o Carlyle Group estava interessado na TIM se a unidade for colocada à venda. Já a Telefónica, tida por analistas como a mais provável interessada em fazer uma oferta pela TIM, afirmou na semana passada que não pretendia lançar nenhuma grande proposta de aquisição até o final de 2007.
A TIM é a parte mais saudável do grupo italiano, gerando quantidade significativa de recursos com uma rede madura que requer investimentos modestos. A empresa teve uma participação estável de mercado de 40% e sua margem operacional em 2005 ficou em elevados 28,5%, para 12,96 bilhões de euros em receitas. A empresa tem uma rede de telefonia celular no Brasil, sendo a segunda maior operadora do país, atrás da Vivo.