
OpenStage será oferecido como aparelho do serviço CaaS da Siemens e IBM
SÃO PAULO – Mais uma sigla entra no cardápio da sopa de letras que os CIOs degustam diariamente. Desta vez, é o CaaS, communications as a service, que a subsidiária brasileira da Siemens criou em conjunto com a IBM Brasil.
A oferta consiste em oferecer uma infraestrutura completa de comunicações sem que seja necessário comprar os aparelhos, imobilizando um capital considerável em um ativo que se defasa tecnologicamente. Ou seja, os clientes vão alugar o hardware, o software e ter suporte técnico 24/7 pagando uma mensalidade de 60 a 80 reais por usuário. O alvo primordial são as pequenas e médias empresas
“A idéia é que o cliente tenha acesso a comunicações de ponta, sem investir dinheiro em máquinas”, diz Juliano Fenólio, gerente de alianças da Siemens e um dos responsáveis pelo acordo com a IBM. “O core da solução é hospedado em um data center, e entrego o serviço na ponta para o cliente.”
Fenório refere-se à estrutura de serviços de TI da IBM, que possui um grande centro em Hortolândia, região de Campinas. O preço por usuário é reduzido justamente porque Siemens e IBM podem gerenciar o compartilhamento da infraestrutura entre vários clientes. Mas as duas empresas não podem oferecer o link para conectar o cliente à rede pública de telefonia, pois para isso teriam que ser autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações – o que não é o caso.
|quebra|Além dos aparelhos telefônicos e do programa softphone para os computadores, o cliente do serviço CaaS recebe um appliance de rede que funciona como gateway da rede de telefonia IP. O aparelho faz o entroncamento das chamadas pela rede corporativa da empresa. “Ou seja, nada passa pelo data center. Lá eu crio os perfis dos usuários, as rotas de interconexão e administro a operação”, diz Fenólio.
Tudo isso roda em software de código livre, vertente pela qual a IBM suporta parte de sua estratégia de se transformar em empresa de serviços. Esse fator, somado à tecnologia de servidores e à infraestrutura de datacenters da IBM pelo mundo fez a Big Blue ser a parceira preferencial da Siemens na criação do CaaS.
A proposta surgiu em 2004, quando técnicos da Siemens no Brasil começaram a desenvolver um sistema de voz que pudesse ser vendida na forma de serviços. A matriz do conglomerado alemão comprou a idéia e desenvolveu um produto global, o softswitch OpenScape Voice, baseado no SIP, o protocolo de inicialização de sessão, padrão usado para estabelecer comunicações de voz e vídeo por meio de redes IP.
As conversas com a IBM aumentaram de temperatura em setembro do ano passado, no evento IBM Fórum. A Big Blue patrocinou a demonstração do Open Scope Switch em um servidor IBM e foram finalizadas os produtos finais de terminais de videoconferência de alta definição a partir de um data center. “Já tínhamos desenhado a nossa abordagem ao mercado, contatado clientes. Em dezembro, a IBM criou o material de marketing e viabilizamos a oferta [do CaaS]”, diz Fenólio.
|quebra|E como fica para as operadoras de telecomunicações? “Para elas tudo funciona como o IP trunking, que é fazer a ligação IP entre as partes”, diz Fenólio. “Para elas é até uma coisa normal, elas já se deparam com esse cenário.” O detalhe é que a estrutura IP do cliente precisa ser adequada para suportar o tráfego de voz adicional. “Para as operadoras, compensa”, afirma Fenólio.
Para usar o serviço a empresa precisa de um link de dados de no mínimo 64 Kbps. Em geral, as empresas contratam, links de maior capacidade, e o trabalho seria administrar a banda para garantir sempre a disponibilidade para a telefonia IP. Para interligar dois sites de uma empresa, a banda necessária pode chegar a até 25 Kbps por usuário, dependendo da quantidade de serviços oferecidos (telefonia, videoconferência, aplicativos baseados em Java etc.). “Além da economia em hardware, a vantagem é a qualidade de serviço. O SLA do softswitch é de 99,999% de disponibilidade”, afirma Fenólio.
A Siemens ainda não tem um cliente em CaaS, informa apenas que espera fechar um contrato em março, e espera ativar 50 mil ramais até 2010 no Brasil. O investimento para desenvolver o serviço foi de 1 milhão de reais, segundo Fenólio, em servidores, software e treinamento.