
O 8º Relatório Global de Tecnologia de Informação 2008-2009, do Fórum Econômico Mundial, mantém o Brasil no 59º lugar.
SÃO PAULO – O Fórum Econômico Mundial (WEF) apresentou o 8º Relatório Global de Tecnologia de Informação 2008-2009, e o Brasil permaneceu no 59º lugar do ranking entre 134 países.
A posição é a mesma que o Brasil ocupou no ranking 2007-2008, quando o Índice de Prioridade para as Tecnologias de Informação e Comunicação (Networked Readiness Índex, NRI) foi composto por 127 países. Sessenta e oito índices, divididos em três grandes áreas (ambiente econômico, preparação e qualificação, e uso da tecnologia) compõem o NRI.
Entre esses índices, o Brasil se destaca positivamente pela Quantidade de fornecedores locais de tecnologia, no 13º lugar, e negativamente pela Extensão e efeitos da taxação sobre a tecnologia, em que o país ocupa o vexaminoso 134º e último lugar.
Também não houve novidade no topo da tabela, com Dinamarca e Suécia repetindo a dobradinha 1-2 pela terceira vez seguida. A novidade no pódio foi a ascensão dos Estados Unidos ao terceiro lugar, seguido de Cingapura, em quarto. Os dois países subiram uma posição cada uma, empurrando a Suíça – sede do WEF – do terceiro lugar de 2007 para o quinto lugar de 2009.
|quebra|O desempenho do Brasil foi comentado pela economista sênior Irene Mia, coeditora do relatório: “Embora o Brasil apresente um alto nível de prioridade para a tecnologia, com práticas de governo eletrônico e ações empresariais, tudo isso ainda não criou um ambiente tecnologicamente avançado para os brasileiros”.
Segundo Irene, a exclusão digital, social e econômica é o principal obstáculo. “Além do ambiente de mercado que sofre com o excesso de regulação e baixa qualidade do sistema educacional”, diz ela.
De fato, a interferência do Estado e a baixa qualidade educacional da população brasileira puxaram a pontuação do Brasil para baixo. Além da lanterninha no índice do efeito de impostos, o Brasil foi vice-lanterna em: Carga de regulamentação governamental (133º lugar), e foi péssimo em Tempo para abrir uma empresa (129º lugar), Quantidade de procedimentos requeridos para abrir um negócio (127º), Qualidade da educação em Matemática e ciências (124º), Eficácia das instâncias parlamentares (119º) Carga tributária total (118º), Qualidade do sistema educacional (117º) e Número de procedimentos para fazer um contrato ser respeitado (115º).
Maus resultados também foram obtidos pelo país em alguns itens relacionados especificamente à tecnologia.
A Prioridade do governo para as tecnologias de informaçãoe comunicações teve o Brasil no 112º lugar. Na taxa de assinatura mensal de telefonia básica residencial o Brasil foi o centésimo colocado, em contraste com o 58º lugar na Mensalidade de serviço de banda larga. Essa diferença reflete bem a situação de concorrência em telefonia fixa – praticamente nenhuma – e a de serviços de internet – com mais provedores disputando o consumidor.
|quebra|Nem tudo é má notícia para o Brasil no ranking de tecnologia do Fórum Econômico Mundial. Movidos pelas empresas, universidades, fornecedores e pela grande quantidade de usuários de telefonia, vários indicadores do ranking mostram que há ilhas de excelência e sofisticação no cenário brasileiro de TI.
Além do 13º lugar em: Quantidade de fornecedores locais de tecnologia, o Brasil se destaca pelo 18º lugar em Importações de computadores, serviços de comunicação e serviços, Disponibilidade local de serviços de pesquisa e treinamento e Disponibilidade de serviços online do governo (26º lugar), Capacidade inovação (27º lugar), Investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (31º lugar), Menores preços de banda larga (38º), Exportações de alta tecnologia (39º), Qualidade dos fornecedores locais de TI (41º), Qualidade dos competidores em serviços de internet (44º),
Especificamente nos indicadores de uso pessoal de tecnologia, o relatório do WEF destaca valores de 2005, como Número de PCs (48º lugar) e Capacidade instalada de largura de banda (69º lugar), e números de 2007, como Assinantes de banda larga (55º), Usuários de internet (55º) e Assinantes de celular (82º).
Nas empresas, o melhor indicador é o da Abrangência de uso de internet para negócios (28º lugar), seguido por Disponibilidade de linhas telefônicas (39º), Absorção de tecnologia pelas empresas (42º) e Existência de licenciamento de tecnologia estrangeira (48º).
Outros itens mostram a importância e a consolidação da democracia e da economia de mercado no Brasil, como a Sofisticação do mercado financeiro (21º), Liberdade de imprensa (34º), Intensidade da competição local (43º) e Acesso ao conteúdo digital (63º).
|quebra|Veja quais foram os países que lideram o NRI:
1 Dinamarca 5,85
2 Suécia 5,84
3 Estados Unidos 5,68
4 Cingapura 5,67
5 Suíça 5,58
6 Finlândia 5,53
7 Islândia 5,50
8 Noruega 5,49
9 Holanda 5,48
10 Canadá 5,41
11 Coréia do Sul 5,37
12 Hong Kong 5,30
13 Taiwan 5,30
14 Austrália 5,29
15 Reino Unido 5,27
16 Áustria 5,22
17 Japão 5,19
18 Estônia 5,19
19 França 5,17
20 Alemanha 5,17
|quebra|Confira a posição dos principais países da América Latina no NRI:
39 Chile 4,32
59 Brasil 3,94
64 Colômbia 3,87
65 Uruguai 3,85
66 Panamá 3,84
67 México 3,84
78 El Salvador 3,69
82 Guatemala 3,64
87 Argentina 3,58
89 Peru 3,47
95 Honduras 3,41
96 Venezuela 3,39
116 Equador 3,03
122 Paraguai 2,93
125 Nicarágua 2,90
128 Bolívia 2,82