Como o departamento de TI lida com os três estágios de uma recessão

Jorge Lopez, do Gartner
6 de abril de 2009

Como o departamento de TI lida com os três estágios de uma recessão

Uma recessão econômica causa um alto estresse na empresa e na organização de TI. Esta pesquisa apresenta aos CIOs os três estágios de uma desaceleração, como prevê-la e como lidar com ela.

Descobertas chave

• As maiores mudanças que as organizações devem realizar entre esses estágios são um ponto crucial de risco e oportunidade para a empresa.

• Os sinais para cada um destes estágios estão disponíveis antecipadamente, mas requerem técnicas de planejamento de cenário com rupturas adicionadas para identificá-las.

Recomendações

• Use a diretriz "nunca desperdice uma crise" para entrar em consenso quanto a ações que não seriam consideradas em épocas melhores. Itens do orçamento antes considerados sagrados podem ser reduzidos ou eliminados quando a sobrevivência da empresa está em jogo.

• Sempre desenvolva pelo menos dois cenários de orçamento – um em que a atual situação continue e um em que a próxima fase da desaceleração entre em cena.





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Como o departamento de TI lida com os três estágios de uma recessão

Jorge Lopez

6 de abril de 2009


Descobertas chave

• As maiores mudanças que as organizações devem realizar entre esses estágios são um ponto crucial de risco e oportunidade para a empresa.

• Os sinais para cada um destes estágios estão disponíveis antecipadamente, mas requerem técnicas de planejamento de cenário com rupturas adicionadas para identificá-las.

Recomendações

• Use a diretriz "nunca desperdice uma crise" para entrar em consenso quanto a ações que não seriam consideradas em épocas melhores. Itens do orçamento antes considerados sagrados podem ser reduzidos ou eliminados quando a sobrevivência da empresa está em jogo.

• Sempre desenvolva pelo menos dois cenários de orçamento – um em que a atual situação continue e um em que a próxima fase da desaceleração entre em cena.


|quebra|Análise

Muitos relatórios sobre a recessão atual são sobre como ninguém a esperava – elaborados em detalhes por muitos líderes políticos. Isto contradiz os muitos sinais antecipados da recessão que teriam servido como gatilhos para a tomada de ações, entre aqueles que estavam adequadamente preparados. Agora que sabemos que estamos em uma recessão, a questão é o que fazer para reduzir nossos riscos.

Isso tem sido dificultado pelo espaço de tempo entre o início de uma recessão ou desaceleração econômica e sua determinação oficial nos EUA pela NBER (Secretaria Nacional de Pesquisa Econômica). Por exemplo, determina-se que a atual recessão tenha começado em dezembro de 2007 e ela foi anunciada em 28 de novembro de 2008, um ano depois.

Ainda que isto seja um tema de rigor acadêmico significativo, os executivos precisam agir muito antes desse ponto. Antecipá-lo é o propósito desta pesquisa.

Estágios de uma Desaceleração

A Tabela 1 (veja nas próximas páginas) ilustra os três estágios de uma desaceleração e fornece um roteiro para os executivos que se veem profundamente inseridos na atual crise e precisando de conselhos práticos sobre como chegar à próxima transição. Vejamos como são os sinais que antecipam cada etapa:

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Avaliação: Os sinais de que a recessão está para acontecer são guiados por quedas em números de balanços econômicos, tais como o produto interno bruto (PIB) e os lucros das empresas, assim como valores de ativos. Outro sinal disso é o sentimento dos presidentes. Em fevereiro de 2008, pesquisas com presidentes de empresas mostraram as maiores quedas no otimismo dos presidentes em cinco anos. Muitos modelos empresariais que estavam gerando rentabilidade durante anos agora perceberão que estão recebendo retornos cada vez menores de seus investimentos em marketing e em novos produtos conforme os mercados desaceleram. As organizações também notarão recusas excessivas de muitos setores corporativos, do governo e da mídia perante os movimentos reais.

Depressão: Ainda que os sinais da avaliação costumeiramente sejam marcados pela recusa a eles, os sinais de depressão são marcados pelo medo e pessimismo excessivos. Meses após os mercados de crédito, equity e outros ativos terem começado a desacelerar, permanece o sentimento predominante de que a recessão durará por muitos meses ou mais. Existe, naturalmente, a possibilidade de que o sentimento negativo esteja certo, porém as ações tomadas durante este período são diferentes da fase anterior de avaliação. O objetivo é administrar da melhor maneira os recursos remanescentes, sem ser dominado por demandas adicionais que certamente surgirão.

Recuperação: Neste estágio, começa a se tornar claro que a enorme dimensão das perdas financeiras em um ano proporciona comparações fáceis no ano seguinte. Repentinamente, a queda econômica desacelera e a taxa de lucro começa a crescer conforme o intenso foco na gestão de custos traz o fôlego necessário para o investimento de novos lucros em projetos de crescimento – alguns dos quais foram mantidos sob pressão em tempos menos seguros.


|quebra|Tabela 1. Os Três Estágios de uma Desaceleração

 AvaliaçãoDepressãoRecuperação
Descrição

Este é o estágio inicial e caótico de uma desaceleração. Vem como uma surpresa conforme os executivos lidam com a volatilidade e falta de confiança. Isto é semelhante ao paciente com hemorragia na sala de emergência. A situação terminará mal a menos que ações efetivas sejam tomadas para "conter o sangramento".

Neste caso, ele é precipitado pelo pânico financeiro.

Este é a o estágio médio e enganosamente quieto de uma desaceleração. O pânico que iniciou a desaceleração está agora contido, mas a confiança das empresas não se elevou ao ponto de guiar uma recuperação. Sabendo que as recessões dos últimos 50 anos duraram mais de 15 meses, os analistas começam a pensar que a situação não melhorará em breve, mas também não piorará muito.

Este é o estágio final da desaceleração, no qual o otimismo está em ascensão. É evidente que as grandes baixas dos períodos anteriores forneçam agora comparações mais fáceis para mostrar o crescimento de lucros e receita. Assim como a recessão, a recuperação também pode ser uma surpresa.
Situação EconômicaQueda precipitada de valores de ativos afetando os fluxos de crédito e caixa, e volatilidade em preços de commodities — como demonstrado no petróleo, alimentos e metais. Um declínio subsequente ocorre nas receitas e lucros das empresas.Alguns fatores começam a apresentar melhoras, especialmente nos setores e regiões atingidos primeiramente. A melhora, entretanto, não é consistente e pode incluir inflação, o que mantém a incerteza.Em geral, a maior parte dos números apresenta melhoras, especialmente o fluxo de crédito e caixa. Os fatores que não melhoram (por exemplo, inflação, taxas fiscais mais altas e barreiras comerciais) podem limitar a taxa de crescimento.
Condições de NegóciosExpectativas de receita e lucros mais baixos, além de incertezas quanto à magnitude da queda, levam equipes executivas a baixar os valores de break-even em geral. A empresa procura preservar seus recursos financeiros e gerenciar o fluxo de caixa.Este é um momento difícil para empresas, pois elas devem não apenas lidar com as incertezas da queda econômica, mas também o tempo incerto de recuperação. Os investimentos em aperfeiçoamento de custos devem prosseguir, mas pequenos investimentos em inovação para negócios futuros devem também ser sustentados.

Linhas de crédito fluem, permitindo uma maior flexibilidade para o capital de giro. Comparações anuais são facilitadas após as baixas.

A demanda reprimida começa a impulsionar muitas empresas após a desaceleração.
 AvaliaçãoDepressãoRecuperação
Orçamentos de TIOs executivos de TI, se não estão na equipe executiva, surpreendem-se com a dimensão dos cortes orçamentários causados por preocupações de fluxo de caixa, especialmente quanto ao atraso dos cortes. Não é raro que cortes de orçamento fiquem entre 20% e 50% em um ano e que esses cortes sejam executados um ano após o início da recessão. O foco é no aperfeiçoamento – como investir o caixa que a empresa possui para sustentar o que existe, e também fornecer investimentos preliminares no que serão os produtos e serviços de amanhã.A organização de TI recebe carta-branca para investir no futuro da empresa, mas executando-o rapidamente e utilizando o mesmo valor orçamentário que possuía durante a desaceleração.
Ações de TI

Reiniciar: Os executivos de TI diminuem os custos operacionais da TI ao terminar projetos, diminuir a equipe, consolidar centros de dados e muitas outras ações táticas.

Não são necessárias muitas estratégias aqui até que o pânico diminua. A falta de confiança de que as condições sejam estabilizadas conduz mais ações de redução rápida de custos. Esteja preparado para cortar o orçamento planejado um mês atrás, e para lidar com uma série de lançamentos mensais ao invés de um orçamento anual.

Redistribuir: Pare, pense estrategicamente e aja para administrar os custos de maneira a fornecer uma plataforma de longo-prazo para o desempenho da empresa na recuperação –buscando serviços compartilhados, consolidações e padronizações que visam melhorar a produtividade da área de TI. Não esqueça que você também deve reservar pensamentos para as inovações que levarão ao crescimento nas receitas ou lucros nos anos seguintes.
Finalmente, use a crise como o condutor para alcançar mudanças na TI em um nível inimaginável dois anos atrás. Ela será aliada na criação de resultados de alta categoria.

Renovar: Assegure-se que a melhora na produtividade para a qual se trabalhou tanto durante a recessão continue a melhorar conforme se procura sustentar o emergente crescimento da empresa.

Acelere os investimentos nas inovações que levem ao crescimento, aproveitando os ganhos em produtividade de áreas menos estratégicas.

|quebra|Notas

• A necessidade de um planejamento de cenário é crucial para que os executivos estejam preparados para o que pode ocorrer durante uma desaceleração/recessão econômica. É muito frequente que os dados econômicos que apóiam um conjunto de ações estejam muito aquém da realidade. Como os executivos estão descobrindo, as corporações que melhoraram sua situação financeira antes do pânico, ou o evitaram completamente, estão em melhor forma para suportar a recessão.

• Nem todas as recessões são semelhantes. De 1979 a 1983, a forma era de um "w"' -- primeiramente era negativa, em seguida, positiva, em seguida negativa novamente, antes de recuperar a energia. O quadro nesta pesquisa, que incentiva o planejamento de cenário, fornece a flexibilidade para agir, entre a economia em ascensão ou declínio, ao identificar sinais de aviso com antecedência. Por exemplo, uma ascensão pode ser sinalizada por aumentos na velocidade econômica, aumentos na liquidez ou reduções em outros fatores que servem como um desgaste para a economia, tais como inflação, barreiras comerciais aumentadas e crescimentos em taxas fiscais marginais.

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