Vai de ERP segmentado?

Carlos Ossamu , da Info CORPORATE
15 de julho de 2008

Vai de ERP segmentado?

A escolha entre um pacote de gestão generalista e um segmentado depende de uma série de questões. Veja como seis tarimbados CIOs fizeram suas opções

Há dois tipos de pacotes de gestão empresarial: os chamados ERPs generalistas, desenvolvidos para atender a empresas de todos os setores, e os segmentados, aqueles voltados para áreas específicas, como as de saúde ou varejo. Os segmentados são geralmente mais simples e exigem menos customizações. Qual é o mais indicado para cada tipo de empresa? Veja a opinião de seis executivos de TI sobre essa escolha. São eles Adriana Bianca (Henkel), Claudiney Bellezza (Tintas Coral), José Antônio de Castro Souza (Wilson, Sons Logística), Luciano Guerra Moresco (Piccadilly Calçados), Mendel Szlejf (Lojas Marisa) e Rosiane Toscano (Hospital 9 de Julho).

Adriana Bianca, CIO para o Mercosul da Henkel
"O mercado tem oferecido ERPs específicos para determinados setores . Mas, entre as indústrias multinacionais, vem se formando um padrão, e a tendência é o uso de um ERP generalista, como o SAP R/3. Por adotar as melhores práticas em áreas que são comuns a muitas empresas, o SAP é avançado no back office. No front office, há muitas vezes a necessidade de sistemas específicos, para se integrar ao ERP. Fomos uma das primeiras empresas a adotar o SAP no Brasil, em 1997. Apesar de a tendência em empresas mundiais ser o da padronização, na Henkel temos quatro ambientes de SAP: Estados Unidos, América Latina, Europa e Ásia. O ERP é o mesmo, mas há diferenças regionais em questões de legislação fiscal e de negócios. Em janeiro, iniciamos um projeto de atualização do SAP na América Latina, com a versão MySAP 2005. É um projeto grande. Envolve 10 países, 1 500 usuários, 40 fábricas e 5 100 cenários de negócios, com previsão de operação para julho. Essa implementação servirá de modelo para projetos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia."

Claudiney Belleza, gerente regional de TI Tintas Coral
"Qualquer que seja o ERP, generalista ou segmentado, é necessário fazer algum tipo de customização, pois não há uma solução que atenda em 100% às necessidades de uma companhia. Primeiro é preciso mapear todos os processos, necessidades e particularidades, e confrontar isso com as opções do mercado. Apesar de sempre existir a necessidade de customizações, quanto menores melhor, pois há o custo e o tempo de implementação. Uma estratégia interessante é adotar o best of bread, a melhor solução para cada área, no lugar de um pacote com tudo integrado. A dificuldade nesse caso é o gerenciamento de vários fornecedores e saber de quem será a responsabilidade quando surge um problema. Há um trabalho maior para integrar as soluções, mas, muitas vezes, isso proporciona um diferencial competitivo. Dependendo do mercado em que a empresa atua e do seu perfil, essa solução merece ser avaliada. Aqui na Tintas Coral, adotamos o ERP da Datasul desde 1992. Na época, essa solução não nos atendia plenamente e tivemos de desenvolver sistemas específicos. Em 2003, revisamos o ERP e avaliamos outras soluções, mas optamos pelo Datasul EMS. Assim reduzimos em 80% as customizações, em comparação ao anterior."



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Vai de ERP segmentado?

Carlos Ossamu

15 de julho de 2008


Há dois tipos de pacotes de gestão empresarial: os chamados ERPs generalistas, desenvolvidos para atender a empresas de todos os setores, e os segmentados, aqueles voltados para áreas específicas, como as de saúde ou varejo. Os segmentados são geralmente mais simples e exigem menos customizações. Qual é o mais indicado para cada tipo de empresa? Veja a opinião de seis executivos de TI sobre essa escolha. São eles Adriana Bianca (Henkel), Claudiney Bellezza (Tintas Coral), José Antônio de Castro Souza (Wilson, Sons Logística), Luciano Guerra Moresco (Piccadilly Calçados), Mendel Szlejf (Lojas Marisa) e Rosiane Toscano (Hospital 9 de Julho).

Adriana Bianca, CIO para o Mercosul da Henkel
"O mercado tem oferecido ERPs específicos para determinados setores . Mas, entre as indústrias multinacionais, vem se formando um padrão, e a tendência é o uso de um ERP generalista, como o SAP R/3. Por adotar as melhores práticas em áreas que são comuns a muitas empresas, o SAP é avançado no back office. No front office, há muitas vezes a necessidade de sistemas específicos, para se integrar ao ERP. Fomos uma das primeiras empresas a adotar o SAP no Brasil, em 1997. Apesar de a tendência em empresas mundiais ser o da padronização, na Henkel temos quatro ambientes de SAP: Estados Unidos, América Latina, Europa e Ásia. O ERP é o mesmo, mas há diferenças regionais em questões de legislação fiscal e de negócios. Em janeiro, iniciamos um projeto de atualização do SAP na América Latina, com a versão MySAP 2005. É um projeto grande. Envolve 10 países, 1 500 usuários, 40 fábricas e 5 100 cenários de negócios, com previsão de operação para julho. Essa implementação servirá de modelo para projetos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia."

Claudiney Belleza, gerente regional de TI Tintas Coral
"Qualquer que seja o ERP, generalista ou segmentado, é necessário fazer algum tipo de customização, pois não há uma solução que atenda em 100% às necessidades de uma companhia. Primeiro é preciso mapear todos os processos, necessidades e particularidades, e confrontar isso com as opções do mercado. Apesar de sempre existir a necessidade de customizações, quanto menores melhor, pois há o custo e o tempo de implementação. Uma estratégia interessante é adotar o best of bread, a melhor solução para cada área, no lugar de um pacote com tudo integrado. A dificuldade nesse caso é o gerenciamento de vários fornecedores e saber de quem será a responsabilidade quando surge um problema. Há um trabalho maior para integrar as soluções, mas, muitas vezes, isso proporciona um diferencial competitivo. Dependendo do mercado em que a empresa atua e do seu perfil, essa solução merece ser avaliada. Aqui na Tintas Coral, adotamos o ERP da Datasul desde 1992. Na época, essa solução não nos atendia plenamente e tivemos de desenvolver sistemas específicos. Em 2003, revisamos o ERP e avaliamos outras soluções, mas optamos pelo Datasul EMS. Assim reduzimos em 80% as customizações, em comparação ao anterior."
|quebra|
José Antônio de Castro Souza, gerente de TI Grupo Wilson, Sons Logística
"Quando a companhia tem apenas uma linha de negócio, a tendência natural é adotar um ERP desenvolvido para o seu segmento. Isso provavelmente vai atender aos processos do seu negócio. ERP generalista tenta gerenciar vários negócios, e o seu ponto forte está nos processos já dominados pelo mercado, como contabilidade, finanças, RH, CRM, compras, WMS, que são comuns à maioria deles. Para as áreas de negócios, acredito mais em sistemas especialistas ou desenvolvidos internamente. A grande questão ao adotar ou não um ERP generalista está em quanto trabalho de customização será necessário para que se ajuste aos processos de negócios. É como adquirir um terno: comprá-lo pronto só vale a pena se não houver ajustes a fazer. No ERP é a mesma coisa. Quanto maior o trabalho de customização, mais distante a solução está das necessidades. Também será maior a dificuldade em adotar novas versões, com mais funcionalidades e novas tecnologias, já que será preciso refazer as customizações. Aqui na Wilson, Sons, usamos um ERP nacional, da Interquadram, para a área administrativo/financeira. As unidades de negócios usam sistemas especialistas ou feitos internamente, que estão integrados ao ERP."

Luciano Guerra Moresco, gerente de TI Piccadilly Calçados
"Sem dúvida, o ERP segmentado é a melhor opção. O ERP atende a processos que são diferentes nos diversos ramos da indústria. Quanto menos customizações houver e quanto menor for o trabalho de desenvolvimento, melhor para a companhia, pois, caso contrário, além do esforço na adaptação, quando houver a atualização para uma nova versão, todo o trabalho deverá ser repetido. Estar adaptado às exigências da legislação fiscal brasileira também é importante. Aqui na Piccadilly, tivemos uma experiência negativa com o ERP generalista SAP R/3, que foi implantado em 1999. Na época, não havia um módulo específico para a indústria calçadista e de vestuário, mas a empresa que fez a implementação achou que bastariam algumas customizações. A partir daí, enfrentamos vários problemas e resolvemos fazer uma revisão do sistema. Consultamos soluções de grandes players . A SAP chegou a mostrar um módulo para nosso setor, mas já havia um desgaste no relacionamento. Optamos, então, pela Sapiens, da Sênior, por oferecer um módulo para indústria de calçados e de vestuário, além de atender às exigências do mercado nacional. A implementação ocorreu de janeiro de 2004 a junho de 2005. É um sistema menos complexo, mas nos atende."
|quebra|
Mendel Szlejf, CIO Lojas Marisa
"O ideal é conseguir juntar o melhor dos dois universos. Desde 2002, usamos o JDA na gestão mercantil. No ano passado, implementamos o SAP nas áreas administrativas. Em se tratando do back office, como financeiro e contabilidade, sou da opinião de que hoje um ERP generalista é mais eficiente. Ele foi desenvolvido ao longo do tempo com base em resultados colhidos em empresas do mundo todo, seguindo as melhores práticas. É um sistema estabilizado, confiável, que oferece os melhores indicadores. Já na gestão mercantil, que, para empresas de varejo, é onde está a inteligência do negócio, um ERP especializado é fundamental para conseguirmos um diferencial competitivo. Nesse modelo há dois obstáculos a serem superados: a adaptação à legislação brasileira e o trabalho de integração entre os dois ERPs. Mas, quando bem-feito, os resultados compensam o esforço. Há ofertas nacionais, mas a grife e o nome do fabricante do ERP são importantes, pois nos dão uma segurança maior, já que se trata de uma empresa estruturada. A SAP, que surgiu para atender ao setor de manufatura, investe em segmentação e em breve deve ter um bom produto para varejo."

CIO - Rosiane Toscano, gerente de TI Hospital 9 de Julho
"O ERP segmentado supre melhor as necessidades, ainda mais para uma empresa que atua em um setor com tantos processos e particularidades, como é o da saúde. Customizações são sempre necessárias, mas é importante que a solução traga ferramentas que facilitem essas operações, de forma que os processos não fiquem engessados às limitações do sistema. Para o Hospital 9 de Julho, um ERP generalista demandaria muito trabalho em customizações e ficaria mais oneroso, além de aumentar o tempo de implementação. Optamos pelo MV Sistemas, que adotamos em 2002. Trata-se de um ERP nacional e um best seller na área da saúde, com centenas de implementações. Ter benchmarks e um fornecedor com experiência foi importante, pois gerou mais segurança. O setor de saúde é muito regulamentado, com normas e procedimentos rígidos. Por essa razão, um sistema nacional, feito para atender a esse mercado, supre melhor as necessidades. Alguns hospitais usam ERPs generalistas na administração, integrados a sistemas especialistas em processos específicos, como farmácia e análise clínica. No nosso caso, isso não foi necessário, pois o MV atende a todas as demandas."

Adriana Bianca (Henkel), Claudiney Bellezza (Tintas Coral), José Antônio de Castro Souza (Wilson, Sons Logística), Luciano Guerra Moresco (Piccadilly Calçados), Mendel Szlejf (Lojas Marisa) e Rosiane Toscano (Hospital 9 de Julho)

Publicado originalmente na Corporate de Julho de 2007

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