Parece que a crise não está afetando a Totvs, gigante de software de sistema de gestão (ERP), que abocanha nada menos que 39% do mercado no país, segundo a FGV-SP. Nos últimos 12 meses, faturou mais de 1 bilhão de reais. No segundo trimestre, bateu seu recorde de faturamento, com 240,3 milhões de reais, o que representa um aumento de 15,6% em comparação ao mesmo período de 2008.
Outro importante indicador, o Ebitda (lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciações e amortizações), também mostra que a Totvs vai muito bem, com capacidade crescente de gerar fluxo de caixa, apesar do cenário econômico difícil. O Ebitda atingiu 58,697 milhões de reais, valor 32,8% superior ao do mesmo período de 2008. A margem Ebitda alcançou 24,4% no trimestre.
Mas qual é o segredo da Totvs? Na avaliação da empresa, os resultados do trimestre são consequência dos projetos de implantação de sistemas aderentes ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Mas não é apenas essa ocasião específica que leva para frente a Totvs. Ajustes foram feitos na empresa para obter bons resultados. Há duas semanas, conversei com o presidente da Totvs, Laércio Consentino sobre os resultados do INFO200, ranking elaborado pela revista INFO das maiores empresas de tecnologia do Brasil, que será publicado na edição de agosto. Ele atribui o crescimento a dois fatores principais: a divisão da equipe em 11 setores especializados e à criação de “pacotes” que incluem software, infraestrutura e serviços e consultoria. “Nossos vendedores sabem atender às necessidades de setores específicos, como de saúde e de educação”, diz.
Naturalmente, os bons resultados também são decorrência de importantes aquisições das rivais, que permeiam a toda a história do grupo. Em 2005, a Microsiga comprou a Logocenter e, no ano seguinte, a RM Sistemas. No ano passado, comprou a Datasul, que tinha 16% do mercado brasileiro. É uma gigante verde-amerela que dá canseira às rivais estrangeiras: segundo a FGV, atualmente a concorrente maior da Totvs é a SAP, com 23% do mercado. Em terceiro lugar, está a Oracle, que fica com uma fatia de 18%.