Começo de ano, e desta vez um ano de crise econômica realmente global. Os fabricantes da indústria de tecnologia de informação e comunicações deflagram a seqüência de entrevistas para divulgar os resultados do ano anterior. A prática do discurso sem substância se repete.
Para informar nossos leitores, que neste caso são os diretores de tecnologia de empresas, eu preciso fazer mil perguntas. Inclusive o quanto o fornecedor fatura com o que produz. Aí começa o problema.
As empresas, principalmente as multinacionais, negam-se a dar números. Em geral, preferem dar percentuais como “crescemos 25% no país ano passado”, e dizem que regras as impedem de distinguir os números para Brasil, Argentina, Bolívia, Alemanha, Japão ou Butão. Escudam-se na SEC (Securities and Exchange Comission), o xerife americano do mercado de ações, alegando que o órgão proíbe essa discriminação de balanços por país.
Resultado? Entrevistas chatas em que os fornecedores de TI tentam vender à imprensa especializada um mar de rosas high-tech. Mas em nossa defesa – e dos leitores CIOs – há um ponto a frisar. Não perguntamos sobre dinheiro para saber se o executivo vai ganhar um bônus milionário. O objetivo é noticiar fundamentos econômicos, saúde financeira e governança corporativa do fornecedor. O empresário que investe seu orçamento em uma tecnologia precisa saber se seu fornecedor está bem para continuar dando suporte ao produto, ou se vai sumir, ou ser engolida por uma empresa maior em uma aquisição.
Imagine depositar um importante processo de negócio em um sistema que deixará de ter pai ou mãe, pois o fornecedor faliu. É um temor fundamentado, ainda mais nesta crise econômica, na qual muitos gigantes financeiros se revelaram castelos bilionários de cartas.
Por isso, as perguntas sobre as finanças vão continuar. E as respostas evasivas continuarão a gerar desconfiança cada vez maior.
Postado por Max Alberto Gonzales Osorio - 04/02/2009 - 18:55