
Conglomerado petroquímico decide azeitar os processos de TI para fortalecer sua estratégia de crescimento baseada na compra de empresas
SÃO PAULO – Desde a sua formação, na fusão das unidades petroquímicas dos grupos Mariani e Odebrecht à Copene, a Braskem tem sua história marcada por aquisições e fusões de empresas. O que é um desafio e tanto para a equipe de TI encarregada de integrar as operações e garantir a sua parte no processo de governança corporativa.
Recentemente, a empresa concluiu um processo de análise de seus ativos e processos de TI para azeitar esse processo. A Braskem avaliou e mapeou o grau de maturidade de cada um de seus processos e agora acredita estar preparada para realizar a integração da área de TI das novas empresas adquiridas de uma forma rápida e prática.
“No ano passado decidimos contratar uma consultoria para nos ajudar a analisar internamente quais são nossas fortalezas e o que precisávamos melhorar”, diz Marcelo Koji Tahara, gerente de planejamento e qualidade de TI da Braskem. A empresa contratada foi a Ci&T, de Campinas, que em quatro semanas analisou tópicos como gerenciamento de projetos, a prontidão para dar respostas rápidas às demandas de TI e a excelência operacional.
Durante quatro semanas, a Ci&T analisou a área de tecnologia da Braskem com base no Cobit (Controle de Objetivos para Tecnologia da Informação e Relacionadas), um framework de gerenciamento que ajuda a equipe de TI a administrar melhor a parafernália de hardware, software, conectividade e processos que usam tudo isso para a empresa funcionar. “Foi uma análise muito customizada para a Braskem”, diz Koji. “Pegamos os processos mais críticos, que tinham o maior impacto sobre a estratégia da empresa.”
|quebra|Uma das áreas mais importantes nesse processo de análise foi a de gerenciamento de projetos – vital quando o desenvolvimento de um sistema tem valor estratégico forte para a estratégia de negócios da empresa, e sensível quando o software depende de muito trabalho em cima do código para o programa se integrar a outros sem causar problemas. “Para nós, foi como cuidar da nossa casa”, diz Koji.
A decisão de implementar o Cobit e contratar a Ci&T ajudou a Braskem a planejar suas ações de TI em 2009, um ano fadado a ensanduichar o CIO entre a obrigação de entregar resultados e os inevitáveis cortes de orçamento causados pela crise econômica global.
“Havia três grandes drivers nesse processo”, conta Koji. O primeiro era a área de TI dar uma garantia de suporte ao negócio com qualidade; o segundo, colocar à prova a prontidão do departamento de TI para atender a estratégia de crescimento da Braskem; e o terceiro, melhorar a performance dos processos de negócio da empresa.
Por exemplo, a Braskem decidiu criar um escritório de gerenciamento de projetos (PMO), que entrou em operação no último trimestre do ano passado. “Já começamos com uma administração forte e todo o portfólio de projetos de 2009 passará por ele. A grande diferença é que os projetos tiveram melhor controle de orçamento, de riscos, de prazo e de qualidade”, diz Koji. “Além disso, diminuíram as incidências de projetos que começaram atrasados e com baixa qualidade.”
|quebra|Foi organizada também uma área de governança de processos, com membros das áreas de TI e de negócios, um processo que Koji considera fundamental, junto com o PMO. “Não tivemos que aumentar os investimentos em TI, o trabalho nos ajudou a potencializá-los, pois sabemos usar melhor o que já implementamos”
Houve economia de gastos? Segundo Koji, é difícil mensurar isso, mas ele cita um outro aspecto não-tangível mas crítico: “Um projeto de TI com gerenciamento mal feito pode simplesmente parar a empresa assim que começa a funcionar”, diz ele. Isso é um risco forte, pois a gestão da Braskem funciona baseada em uma arquitetura de sistemas totalmente integrada, com o ERP da SAP.
“A minha lição é que a prática do Cobit nos ajuda a ter maior visibilidade do grau de maturidade dos processos internos”, diz Koji. Ele vê como benefícios o surgimento de um guia de melhores práticas e uma forma de acompanhar os movimentos internos. “Assim, o Cobit nos ajuda a manter as ações mais relevantes e manter um correto alinhamento da estratégia de TI à estratégia da empresa.”