TI na mira dos serviços

por Flavia Yuri
5 de novembro de 2008

TI na mira dos serviços

Quarenta por cento de tudo o que se gastou com TI em 2008 foi destinado à contratação de serviços. Em 2009 esse percentual deve crescer ainda mais

O ano de 2008 não foi diferente dos últimos quatro anos para TI. Com o dobro de crescimento da média global, que fica em torno de 5%, o mercado nacional (software, hardware e serviço) está entre os mais atrativos do mundo. Para a consultoria IDC, a TI brasileira deu um salto de 11,5% de 2007 para 2008, registrando um movimento de 24 bilhões de dólares. Para o Gartner, essa taxa chega a 14% e representa 28 bilhões de dólares. “Desde meados de 2004, o país vem melhorando seu desempenho”, diz Mauro Peres, country manager da IDC Brasil. “Com a crise financeira americana, teremos de rever nossos cálculos para 2009, mas o cenário ainda será de crescimento”, diz ele.

Os especialistas são unânimes em dizer que ainda não é possível prever o tamanho da crise. Mas, apesar disso, o cenário não é de pessimismo. “O impacto do dólar vai acontecer, principalmente para software e hardware importados, mas será gerenciável”, diz Ione de Almeida Coco, vice-presidente de programas executivos do Gartner. Até o terceiro trimestre deste ano, as projeções do Gartner eram de crescimento para todos os setores de TI e de telecomunicações até 2012, quando o mercado como um todo deveria atingir mais de 138 bilhões de dólares no Brasil e 308 bilhões de dólares na América Latina, com crescimento anual médio estimado em 7,4%. “Ainda vamos avaliar como fazer a revisão desses números em função da crise. Mas eles se manterão positivos”, afirma Ione.

Ao mesmo tempo em que cresce a taxas invejáveis, o mercado brasileiro modifica-se. O país entoa o mantra de serviços mesmo em setores tão distintos quanto hardware e telecomunicações. Quarenta por cento de tudo o que se gastou com TI em 2008 foi destinado à contratação de serviços. Em 2010, esse percentual deve subir para 50%, enquanto software responderá por 35%, e hardware, 15%. Os números são do estudo anual realizado pela Fundação Getúlio Vargas, Pesquisa Administração de Recursos de Informática. De acordo com ele, em 2000, a divisão era equilibrada, com 33% para cada um desses setores. “A predominância de serviços nos investimentos em TI é característica de mercados tecnologicamente maduros. A tendência é que a fatia desse segmento fique cada vez maior”, afirma o professor Fernando S. Meirelles, responsável pela pesquisa. “O custo de hardware cai pela metade a cada 18 meses. O de software cai 2% ao ano, enquanto o de serviços cresce”, diz ele.



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TI na mira dos serviços

por Flavia Yuri

5 de novembro de 2008


O ano de 2008 não foi diferente dos últimos quatro anos para TI. Com o dobro de crescimento da média global, que fica em torno de 5%, o mercado nacional (software, hardware e serviço) está entre os mais atrativos do mundo. Para a consultoria IDC, a TI brasileira deu um salto de 11,5% de 2007 para 2008, registrando um movimento de 24 bilhões de dólares. Para o Gartner, essa taxa chega a 14% e representa 28 bilhões de dólares. “Desde meados de 2004, o país vem melhorando seu desempenho”, diz Mauro Peres, country manager da IDC Brasil. “Com a crise financeira americana, teremos de rever nossos cálculos para 2009, mas o cenário ainda será de crescimento”, diz ele.

Os especialistas são unânimes em dizer que ainda não é possível prever o tamanho da crise. Mas, apesar disso, o cenário não é de pessimismo. “O impacto do dólar vai acontecer, principalmente para software e hardware importados, mas será gerenciável”, diz Ione de Almeida Coco, vice-presidente de programas executivos do Gartner. Até o terceiro trimestre deste ano, as projeções do Gartner eram de crescimento para todos os setores de TI e de telecomunicações até 2012, quando o mercado como um todo deveria atingir mais de 138 bilhões de dólares no Brasil e 308 bilhões de dólares na América Latina, com crescimento anual médio estimado em 7,4%. “Ainda vamos avaliar como fazer a revisão desses números em função da crise. Mas eles se manterão positivos”, afirma Ione.

Ao mesmo tempo em que cresce a taxas invejáveis, o mercado brasileiro modifica-se. O país entoa o mantra de serviços mesmo em setores tão distintos quanto hardware e telecomunicações. Quarenta por cento de tudo o que se gastou com TI em 2008 foi destinado à contratação de serviços. Em 2010, esse percentual deve subir para 50%, enquanto software responderá por 35%, e hardware, 15%. Os números são do estudo anual realizado pela Fundação Getúlio Vargas, Pesquisa Administração de Recursos de Informática. De acordo com ele, em 2000, a divisão era equilibrada, com 33% para cada um desses setores. “A predominância de serviços nos investimentos em TI é característica de mercados tecnologicamente maduros. A tendência é que a fatia desse segmento fique cada vez maior”, afirma o professor Fernando S. Meirelles, responsável pela pesquisa. “O custo de hardware cai pela metade a cada 18 meses. O de software cai 2% ao ano, enquanto o de serviços cresce”, diz ele.
|quebra|
A IDC aponta que, em 2007, a taxa de crescimento apenas da área de serviços no Brasil foi de 11%, contra 5% da média global. Isso representa um mercado total de 8,6 bilhões de dólares e coloca o Brasil na liderança do bloco dos quatro principais países em desenvolvimento, composto por Brasil, Rússia, Índia e China. Para o Gartner, esses números são ainda mais expressivos, chegando a 12 bilhões de dólares no mesmo período, com crescimento de 17% em 2008.

Não faltam opções para um mesmo serviço e, graças a esse aquecimento, o poder de barganha está com o consumidor. Já os fornecedores têm uma lição de casa a fazer, que é encontrar uma forma de se tornarem mais lucrativos. À medida que crescem, as empresas formalizam a mão-de-obra, investem em gestão e, com isso, aumentam seus custos e diminuem suas margens. Com o cenário cada vez mais competitivo não dá para passar esses gastos para os clientes. “As empresas estão tendo de reinventar-se. Movimentos de fusão, abertura de capital e opção por projetos regionalizados são algu- mas tentativas de conseguir aumentar as margens”, diz Mauro Peres, country manager da IDC Brasil.

Entre os serviços mais tradicionais, como data center e colocation, a taxa de crescimento ficou por volta de 10%, de acordo com a consultoria Frost & Sullivan. Mas alguns setores despontam como tendência para os próximos anos. Um destaque são os serviços de gerenciamento de segurança, que passaram a ser adotados mesmo por empresas do setor financeiro, que tradicionalmente mantinham essa área dentro de casa. “Em 2008, gerenciamento de segurança cresceu 40%, e deve aumentar mais de 30% em 2009”, diz Marcelo Kawanami, líder de pesquisas da Frost & Sullivan para a América Latina. Disaster recovery e storage, outras duas áreas em ascensão, cresceram 20% e 21%, respectivamente, em 2008.
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TI na nuvens
Um movimento que tem potencial para redesenhar o mapa de serviços no país é a computação em nuvem. Na definição do Gartner, cloud computing é a capacidade que um provedor ou muitos provedores tem de entregar uma área de TI no formato de serviço, com escalabilidade, aproveitando a capacidade ociosa dos computadores. “Chamamos de XaaS, pois na computação em nuvem poderemos ter, além de software como serviço (SaaS), hardware e storage, por exemplo”, diz Cassio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisas do Gartner. O chamado SaaS vem há oito anos consolidando a infra-estrutura e o modelo do que hoje é chamado computação em nuvem, mas o próprio Gartner ressalta que nem toda a aplicação de SaaS pode ser chamada de nuvem. Para isso, é preciso que a solução ofereça escalabilidade suficiente para entregar o mesmo serviço independentemente do tamanho da operação. Uma das características do modelo de serviço em nuvem é a exigência de definições prévias em todos os níveis. Qualquer processo de TI tem boa parte de suas falhas e respectivas implicações identificadas no decorrer da adoção. “No modelo de implantação como serviço, os pontos críticos e de possíveis falhas têm de ser apontados antes do início do processo, o que é um desafio e tanto”, diz Cassio Dreyfuss, do Gartner. Críticas não faltam ao modelo. “Noventa por cento do que se fala da computação em nuvem é modismo e apenas 10% são viáveis”, diz o professor Fernando Meirelles.

Apesar do ceticismo de boa parte do mercado, para os consultores sua adoção é certa. “É inexorável e deve começar a proliferar pelo mercado de pequenas e médias empresas”, diz Mauro Peres, da IDC. Antes disso, os fornecedores terão de equacionar questões como segurança e modelo operacional. Outra tendência apontada pelo Gartner é a adoção de suítes de BPM (Business Process Management) para possibilitar a integração, em diferentes níveis, das várias cadeias de valor. “Esse modelo já é praticado pelas montadoras e consiste em ter todos os fornecedores integrados e trabalhando com colaboração, via sistemas e processos, na rede da montadora”, diz Dreyfuss. “A prática está indo para outras verticais. É o caso da Shell, que dessa forma passou a administrar em tempo real as margens de produção de petróleo”, afirma Dreyfuss. No entanto, para que essa integração decole, a TI tem de se organizar em seus diversos processos e aprender a trabalhar de forma colaborativa com empresas de fora.

Ilustração - Daniel Bueno

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