
Roberto Newton Carneiro é CIO da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), a maior empresa de distribuição de gás natural do Brasil, com aproximadamente 500 mil clientes. Sua responsabilidade nas decisões estratégicas da empresa está crescendo. "Minha área contribui para a consolidação dos processos de governança corporativa e disponibiliza toda a infra-estrutura técnica, de aplicativos e informações para a operação e a gestão da companhia", afirma. No momento de comprar TI, Roberto Carneiro tem um perfil de CIO arrojado: trabalha com os conceitos de aluguel de software e de one-stopshop. Mas não elimina o canal do processo, desde que ofereça serviço e preços atraentes. Conheça, nas próximas páginas, como funciona a TI da Comgás, apresentada por seu CIO.
UM GRANDE PROJETO
"Depois da privatização da Comgás, em 1999, substituímos um a um os sistemas legados e obsoletos. Com a consolidação do ambiente transacional, veio a necessidade de disponibilizar informações de melhor qualidade para a tomada de decisão pela diretoria. Faltava um modelo para extração dessas informações. Iniciamos, então, nosso projeto de BI (Business Intelligence). O primeiro passo foi desenvolver e estruturar um data warehouse, que tem evoluído na medida em que mais informações são incorporadas ao BI. Ele foi chamado de BUC (Base Única Corporativa), e o acesso é feito por um portal na intranet. Para o projeto, a Comgás contratou a Softtek, responsável pela consultoria e implantação, e a Cognos, fornecedora das ferramentas de BI. Em setembro deste ano, a Comgás colocou em produção um modelo de gerenciamento baseado em KPIs (Key Performance Indicators), que foi estruturado em torno dos processos de negócio e visa dar mais qualidade às informações. Com o módulo Cognos 8 Metrics Studio, esse modelo apresenta o estado dos indicadores para a direção da companhia. O BI tem trazido benefícios graduais para a Comgás, como uma análise profunda do mercado residencial, feita pelos profissionais de marketing. E nos permitiu partir para um modelo de gestão de negócios baseado em indicadores de performance. Neste momento, estamos nos preparando para migrar para a versão 8 do Cognos, o que deve ocorrer até o início de 2007. O objetivo é utilizar as novas funcionalidades, como a integração de ferramentas."
IMPRESSÃO TERCEIRIZADA
"Decidimos terceirizar os serviços de impressão e cópias, em 2004, para obter mais qualidade, otimizar os custos e modernizar o parque de equipamentos. Lançamos uma RFP (Request for Proposal) no mercado e após analisar quatro fornecedores, fechamos com a Simpress, distribuidora da Ricoh. O que pesou na escolha foi uma boa combinação entre proposta comercial e pacote de serviços. Hoje pagamos um custo mensal baseado em número de páginas impressas e cópias realizadas. Com isso, temos um controle de quem imprime o quê e fazemos um rateio por áreas. Todos os equipamentos pertencem à Simpress, que também mantém, dentro da Comgás, profissionais para manutenção. O contrato, inicialmente fechado para 12 meses, foi renovado por mais um ano, por conta do bom serviço prestado. No início de 2007 o contrato chegará ao fim novamente. Agora, vamos retornar ao mercado para analisar se há novidades em termos de produtos e de preços. A intenção é chamar vários fornecedores e participantes para uma nova concorrência, incluindo a Simpress."
A COMPRA DE TECNOLOGIA
"Toda vez que a Comgás decide comprar software, hardware ou serviço de TI, o processo de seleção e aquisição segue duas etapas. Sou eu quem dá a primeira palavra, por meio de uma avaliação técnica conduzida pela área de TI. Qualificamos o item a ser adquirido, reunimos propostas, damos uma nota de corte para a avaliação técnica e passamos o resultado para a área de suprimentos decidir. Nosso maior cuidado, além de avaliar criteriosamente cada item de compra, é só passar para o departamento que fechará a compra os nomes dos fornecedores bem cotadosem termos qualitativos. Mas quando o serviço ou o produto em questão não passa de uma commodity, a parte comercial é a mais privilegiada. Agora, se for um serviço estratégico para a TI, eu já entro em uma seara em que o peso da nota técnica tende a ser maior que o peso da análise comercial."
VENDA DIRETA OU INDIRETA
"Trabalhamos com fornecedores e também com os canais de TI. Tudo vai depender do perfil do produto ou do serviço a ser contratado pela Comgás. Se o fornecedor puder vender e implementar seu produto, damos preferência a ele, por conta de vantagens como eliminação de intermediários, otimização de custos e redução de riscos. Entretanto, algumas vezes, o fornecedor só opera pelo canal. Aí, não temos escolha. A boa notícia é que há casos em que o canal possui conhecimento e experiência específicos que justificam a intermediação. Embora tenhamos como norma procurar o fornecedor primeiro, não dá para generalizar a ponto de dizer que todo fornecedor é bom e todo canal é ruim. Tem fornecedor sem presença forte no Brasil ou aquele que simplesmente se limita a fornecer o hardware. Hoje, o CIO não quer mais um simples provedor de produtos. O que busco, por exemplo, é um produto acompanhado de serviço de suporte e de atendimento."
RECOMENDAÇÕES AO CANAL DE TI
"Para ter chances com a Comgás, o canal de TI precisa seguir uma fórmula de venda de produtos e serviços com valor agregado mais uma condição comercial atraente. Tem canal que é puro commodity e só vou comprar desse canal se a sua oferta de preço for muito melhor que a dos outros. Agora, se a revenda oferecer serviços de suporte, manutenção, controle de qualidade e suporte pós-venda, as chances de atrair a Comgás são enormes. Gosto de trabalhar com revendas que enxergam a oportunidade de construir uma parceria de longo prazo com a Comgás e se esforçam desde a pré até a pós-venda. Outro foco da nossa TI é a consolidação das contratações estratégicas de produtos e serviços em poucos fornecedores/parceiros. Com isso, busco desonerar meu lado administrativo de gerenciar uma série de contratos pequenos e ainda ofereço uma escala interessante ao fornecedor. O que o cliente mais deseja é ser surpreendido positivamente pelo parceiro. Ser surpreendido pelo canal significa vê-lo comportar-se como um fornecedor. O canal precisa parar de agir como intermediário e tomar as rédeas de suas ações."
PROJETOS PARA 2007
"O próximo ano será bem movimentado na Comgás. Temos uma série de projetos grandes em pauta, como o upgrade do ambiente SAP ( haverá a migração para a versão mais atual do pacote de ERP); implementação de uma nova solução de CRM (Customer Relationship Management), sai a Vantive e entra a SAP; e uma provável atualização da solução de faturamento, ainda não definida. Hoje a Comgás usa o software CDX, da fabricante americana SPL, recentemente adquirida pela Oracle. A tecnologia é oferecida no formato ASP pela Deloitte, prestadora do serviço de faturamento. Embora ainda não tenhamos decidido se continuaremos a usar essa mesma ferramenta, temos uma certeza: a modalidade sob demanda tem se mostrado bastante atraente. É bem interessante comprar só o serviço, sem ter de instalar nada. Neste momento, estamos implementando um sistema de e-procurement da empresa Webb, também no modelo ASP (Application
Service Provider). O software, o hardware e o serviço são de total responsabilidade
do prestador do serviço."
INFRA-ESTUTURA DE TI
- USUÁRIOS TI MAIS DE 500
- EQUIPE DE TI 20 INTERNOS
- USUÁRIOS DO BI CERCA DE 100
- FORNECEDORES INTEL, SUN, SOFTTEK, SAP, COGNOS E SIMPRESS
PRÓXIMOS PROJETOS
- UPGRADE DE VERSÃO DO BI DA COGNOS
- UPGRADE DO AMBIENTE SAP PARA VERSÃO MAIS ATUAL
- IMPLEMENTAÇÃO DE NOVA SOLUÇÃO DE CRM (SAP deve substituir Vantive)
- ATUALIZAÇÃO DA SOLUÇÃO DE FATURAMENTO
- ANÁLISE DO MODELO DE SOFTWARE COMO SERVIÇO