O pioneiro Mitch Kapor, em sua versão avatar no Second Life
Os Estados Unidos precisam de um chefe de tecnologia. A pregação por um CTO federal é de um dos pioneiros da era da computação pessoal, Mitch Kapor.
Kapor tem autoridade para fazer uma proposta dessas. Ele é o criador da planilha eletrônica Lotus 1-2-3, produto da empresa Lotus Development, que fundou em 1982. É também um dos fundadores da Mozilla Foundation, criadora do browser Firefox e do correio Thunderbird, e da Electronic Frontier Foundation, organização que defende as liberdades individuais – expressão e privacidade – na era da internet.
A proposta foi feita para o candidato democrata à Presidência dos EUA, o senador Barack Obama, que disputa com John McCain a sucessão de George W. Bush. A idéia, revelada em entrevista na Technology Review, revista do MIT, o mítico Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é oportuna pelo momento de divulgação, logo após a convenção do Partido Democrata, que sagrou Obama.
A premissa da proposta, diz Kapor à Technology Review, é a influência da tecnologia em quase todos os aspectos da vida. “É impossível falar de segurança do país, de energia ou de educação, sem uma boa conversa sobre tecnologia. O presidente estará bem servido se a criação de políticas for feita de uma maneira mais sofisticada tecnologicamente falando”, diz ele.
Faz mais do que sentido. Há 30 anos o mundo ainda era essencialmente movido pelas indústrias automobilística e de petróleo – e as superpotências, pelo aparato industrial-militar, além da banca financeira. Todas elas hoje ainda têm seu papel primordial, mas nenhuma funciona sem o uso intensivo de tecnologia.
Os governos ainda patinam no aproveitamento inteligente da tecnologia. Basta ir a uma delegacia ou a um tribunal aqui em São Paulo e ver que ainda há montanhas de papel que atrasam a vida dos cidadãos e favorecem os criminosos, para citar apenas um exemplo.
Por isso, a proposta de Kapor é oportuna e deveria ser seguida como exemplo muitos países. Inclusive os que ainda pensam que tecnologia deve ser apenas usada como bandeira política, como os OLPCs e os pingüins que tomam a agenda de Brasília.
Leia a entrevista de Kapor em http://www.technologyreview.com/Infotech/21247/.