SÃO PAULO – Após um ano de negociações nos bastidores, a chinesa Lenovo fez uma proposta formal para comprar a brasileira Positivo Informática, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
De acordo com o jornal, a Dell também estaria no páreo, mas as negociações teriam esbarrado na questão do preço. A Positivo tinha determinado como preço alvo para venda o valor de R$ 4,7 bilhões, mas estaria disposta a aceitar R$ 3 bilhões, apurou a reportagem.
No entanto, os controladores, que detém 70% dos papéis, teriam recebido propostas de no máximo R$ 2 bilhões pela empresa, disse o jornal. Para aceitar a proposta, a Positivo teria que mudar seu estatuto, já que pelas regras vigentes o comprador de mais de 10% das ações terá de pagar a cotação mais alta dos últimos dois anos, inclusive aos acionistas minoritários.
Uma fonte envolvida na negociação disse à Folha que as conversas podem avançar caso a crise financeira se agrave no primeiro trimestre de 2009.
Nesta quinta-feira, a Lenovo confirmou que está estudando uma possível aquisição, mas não confirmou quem seria o alvo. As ações da chinesa subiram 27% na quarta-feira devido às especulações sobre o acordo.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira, a Positivo não negou que estivesse à venda, resumindo-se a confirmar que o banco UBS Pactual é responsável pela análise das ofertas de compra.
Procurada pela reportagem de INFO Online, a Positivo afirmou que não transmitiu novas informações ao mercado desde a divulgação do fato relevante.
Efeito fusão
Diante da perspectiva de venda, as ações da Positivo, que chegaram a cair a R$ 3,40 logo após o estouro da crise econômica, fecharam em alta de 6,11% ontem, valendo R$ 10,45.
Lançados a R$ 23,50, os papéis da empresa já vinham em forte trajetória de queda antes da crise. Depois de atingir o pico de R$ 47,50 no final de 2007, os papéis vêm se desvalorizando desde janeiro de 2008.
O estouro da crise mundial e a alta do dólar estrangularam as margens da empresa, cujo negócio se baseia fortemente em componentes importados.
Com a redução no seu valor de mercado, a empresa é um alvo atraente para potenciais compradores. Líder em vendas de computadores no Brasil há 16 trimestres consecutivos, a empresa vendeu 303 mil PCs no último trimestre, respondendo por uma fatia de 13,2% do mercado.