Terra compra base e AOL Brasil fecha em março
Quarta-feira, 28 de dezembro de 2005 - 16h55
SÃO PAULO – O Terra comprou a base de assinantes da AOL Brasil, encerrando a agonia da operação brasileira do maior provedor de acesso do mundo, que se tornou pública em março desse ano.
A decisão será enviada amanhã para a corte de falências nos EUA, que ainda precisa aprovar a transação, mas é pouco provável que exista alguma objeção. Considerando que o juiz tem 30 dias para proferir uma decisão e que cerca de dois meses devem ser oferecidos para que os atuais assinantes da AOL Brasil decidam pela migração ou não para o novo serviço, o processo deve ser concluído em março, quando a AOL Brasil deve fechar as portas. Não foi informado o valor da transação.
A notícia foi confirmada por várias fontes internas da AOL Brasil e da AOL Latin America. Procurados pelo Plantão INFO, a AOL Brasil e o Terra não quiseram comentar o caso.
A AOL Brasil ainda não tem um plano de marketing definido para a migração de sua base para o Terra. Os atuais assinantes devem ter a possibilidade de ainda manter, por alguns meses, o nome de usuário e o e-mail da AOL. Findo esse prazo, as contas serão encerradas e planos do Terra serão oferecidos aparentemente com alguma vantagem para esse grupo. Todos os demais produtos da AOL serão descontinuados no Brasil, incluindo o uso de seu navegador proprietário.
Brasil sai, mas marca fica na região
O fim da AOL Latin America, joint venture entre a AOL Inc., o venezuelano Grupo Cisneros e o Banco Itaú, ficou claro em março, quando a empresa publicou documentos na SEC (equivalente americana da Comissão de Valores Mobiliários) dizendo que a operação não conseguia mais se manter, que suas ações ordinárias não tinham mais qualquer valor e que seus sócios não fariam mais nenhum aporte de capital. Diante da impossibilidade de se conseguir dinheiro novo no mercado, colocava seus ativos à venda.
As operações do Brasil e do México foram sendo paulatinamente desmontadas desde então. As demissões foram se acumulando nos dois países e o principal escritório da AOL Brasil foi fechado em julho, com os funcionários remanescentes sendo transferidos para a unidade em Santo André (Grande São Paulo).
Sem nenhum esforço de captação de novos assinantes há meses, a operação brasileira continua funcionando valendo-se de sua base fidelizada. Fontes internas dizem que ela é atualmente de 130 mil assinantes, todos pagantes.
No fim de novembro, a Justiça americana aprovou o fim das ações de marketing entre a AOL Latina America e o Itaú. O banco brasileiro desempenhava papel de destaque nos esforços de captação, não apenas em comunicações online e off line com seus clientes, mas também com quiosques e promotores em suas agências.
Fora do Brasil, em meados de outubro, a empresa de tecnologia portenha Datco comprou a AOL Argentina, por apenas US$ 1 milhão. A empresa negociou ainda a manutenção da marca AOL e de seus produtos no país. A parte de conteúdo ficou sob responsabilidade do jornal La Nación.
Em maio, a Nextel comprou o passivo da AOL México por US$ 14,1 milhões, mas a operação naquele país continuou sob responsabilidade da AOLA. A operação mexicana está prestes a ser vendida definitivamente agora para a AT&T, que mantém um pequeno provedor local e espera aumentar sua presença com a marca e com os produtos AOL, já que eles devem ser mantidos também, a exemplo do que aconteceu na Argentina.
O quarto país da AOL Latin America, Porto Rico, teve a operação absorvida pela própria AOL Inc.
Em junho passado, a AOLA entrou com pedido de concordata nos EUA. O pedido voluntário segue as normas do Capítulo 11 de falências da SEC e a companhia alegava não ter condições de saldar seus débitos. Seu maior credor é a Time Warner, com uma dívida de US$ 160 milhões.
Histórico da crise:
Justiça aprova fim de acordo entre AOL e Itaú (23/11/2005)
AOL Latin America pede falência nos EUA (24/6/2005)
AOL deixa prédio de SP e faz novas demissões( 3/6/2005)
AOLA vai tirar ações da Nasdaq (12/5/2005)
AOL do Brasil demite 80 funcionários (4/5/2005)
AOLA diz que suas ações serão retiradas da Nasdaq (13/4/2005)
AOL a um passo de encerrar atividades na AL (23/3/2005)
Paulo Silvestre, do Plantão INFO