SÃO PAULO - A empresa taiwanesa Comtrend decidiu abrir uma subsidiária no Brasil para disputar o mercado de equipamentos de banda larga, em especial os modems de conexão e os sistemas de ampliação da largura de banda vendidos às operadoras.
Apesar de enfrentar por aqui a concorrência de companhias como as chinesas Huawei e ZTE e de outra taiuanesa, a D-Link, a companhia aposta no crescimento da Internet de alta velocidade no país e no potencial da transmissão de TV pela Internet (IPTV), segmento no qual o Brasil ainda engatinha.
Como explicou Glauco Nunes, diretor-executivo da Comtrend para o Brasil, a companhia já vendia equipamentos aos países da América do Sul através de um representante nos últimos três anos.
"A operação ficou grande demais", disse ele, em entrevista à Reuters. Por isso, a empresa decidiu abrir a subsidiária em São Paulo que passa a atender toda a região sul-americana.
A Comtrend já tem contratos para fornecer modems à Telefônica, à GVT e à Sercomtel no país. "O foco da empresa no mundo inteiro é vender somente para as operadoras", afirmou.
Segundo ele, os volumes de vendas atingidos no Brasil já levam a Comtrend a avaliar a produção local. Hoje, a empresa só tem fábricas na China.
"Até 150 mil unidades, não valeria a pena produzir localmente, mas acima disso já começa a justificar", afirmou.
Ele preferiu não revelar o volume já vendido no país, mas informou que só para a Telefônica tem pedidos de mais de 100 mil modems ADSL (ligados aos fios de cobre da linha telefônica).
Nunes reconhece que, fora da Ásia, "a América do Sul é hoje o mercado mais concorrido" em equipamentos de banda larga. "Há muitos fabricantes, mas nem todos atingem a mesma competitividade que nós", acrescenta.
Segundo ele, a empresa acredita que a demanda por banda larga no Brasil e na América do Sul continue forte, especialmente após a popularização da IPTV, que vai gerar a necessidade de maiores larguras de banda para a transmissão dos programas.
"O Peru e a Colômbia estão com índices de crescimento maiores na região, mas o Brasil ainda tem o maior volume", apontou.
Segundo dados do Barômetro Cisco de Banda Larga, levantamento feito pela consultoria IDC a pedido da Cisco, o Brasil tinha 10,04 milhões de conexões de banda larga ao final do primeiro semestre deste ano.
O número representa um salto de 48,3 por cento sobre as 6,78 milhões existentes em junho de 2007.
Do total de conexões, a maior fatia--63 por cento-- é feita por linhas ADSL, segmento em que a Comtrend atua.
A empresa também fornece sistemas que ampliam as velocidades da banda, produtos para os quais espera uma demanda maior após a disseminação da IPTV, disse Nunes.
De acordo com outro estudo da Cisco, a América Latina terá a maior taxa mundial de crescimento de tráfego de Internet até o ano de 2012, com um aumento projetado de 61 por cento em 5 anos, segundo o estudo Visual Networking Index (VNI).