SÃO PAULO - Outubro foi um péssimo mês para a Bovespa. Quem investiu no UOL, Positivo ou Totvs que o diga.
Desde que o Lehman Brothers virou suco nos Estados Unidos, as bolsas do mundo todo, inclusive a Bovespa, vêm oscilando fortemente.
O mês de outubro foi particularmente tenebroso para quem aplicou em ações no Brasil, já que o Ibovespa, índice que reúne as ações das empresas mais negociadas da bolsa paulista, despencou 24,80%, uma das piores marcas da bolsa num único mês.
As companhias brasileiras de TI seguiram o movimento de depressão e viram seu valor de mercado derreter. A Positivo, promessa de ganhos altos desde o fim de 2007, quando realizou uma venda recorde de PCs no Brasil, é a mais afetada pelo cenário negativo.
Embora as vendas de computadores sigam em alta no país, sobretudo turbinadas pela inclusão digital das classes C e D, os lucros da Positivo vêm sendo desapontadores. Os analistas responsabilizam o baixo lucro à maior venda de máquinas com configuração simples, portanto de menor valor agregado e lucratividade.
No ano, as ações ordinárias da Positivo (POSI3) acumulam perda de 85%. Em outubro, o tombo foi de 15,86%. O valor de mercado da Positivo está sub avaliado em função do ambiente de crise.
Nos últimos sete dias de outubro, os papéis da integradora subiram 29,45%, numa demonstração de que há investidores apostando que estas ações estão baratas demais e é hora de comprá-las.
A Positivo tornou-se até alvo de especulações sobre sua compra por grupos estrangeiros. O boatos de venda ajudaram na recuperação do valor das ações da empresa na bolsa.
Já o UOL, maior grupo de internet de capital nacional, acumula no ano perda de 44,93% em seus papéis preferenciais (UOLL4). Só em outubro a queda foi de 9,59%, mas poderia ter sido maior. O UOL foi beneficiado pelo movimento de recuperação da Bovespa no final do mês.
Outro exemplo desalentador é o grupo Totvs, dono da RM Sistemas e da marca Microsiga. Ao longo do ano, o grupo viu seu valor de mercado reduzir-se em 35,60% (TOTS3).
O aspecto curioso de UOL, Totvs e Positivo é que todas têm obtido bom desempenho na economia real, faturando mais do que fizeram em 2007, por exemplo. A mudança de humor do mercado e sobretudo a perspectiva de tempos difíceis mais a frente é que motivam a queda expressiva.
Situação diferente é vivida pelas empresas de telefonia e infra-estrutura. Para grupos como Oi, Net, Claro e Embratel, o impacto da crise foi imediato. Menos pela desaceleração no ritmo de vendas e muito mais pelo brutal impacto cambial que a crise em seus balanços.
Todas estas companhias têm dívidas em dólar, já que importam grande volume de equipamentos de rede, servidores e cabos de fibra óptica. De agosto para cá, o dólar saltou da casa do R$ 1,58 para fechar o mês de outubro em R$ 2,17. Pelo menos oficialmente, Net, Oi, Embratel e Claro atribuíram ao dólar a culpa por seu decréscimo nos lucros.
Os números ruins das empresas de TI na bolsa, na verdade, apenas acompanham o encolhimento de preços de empresas de todos setores da economia, como vêm demonstrando a desvalorização de papéis de gigantes como Vale, Petrobrás e instituições financeiras.