AMSTERDÃ / LONDRES - E se houvesse uma corrida aos bancos e ninguém soubesse?
Nos últimos dias, a imprensa norte-americana deu destaque para a “corrida silenciosa” em direção aos depósitos do banco Wachovia, que está sendo comprado após a paralisação de um plano de resgate e de seu rival, o Washington Mutual, quebrar, no que se configurou a maior falência de um banco da história.
Comentaristas como Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York, têm chamado a atenção para discretas retiradas de dinheiro feitas pelos depositantes cujas posses excederam certos níveis seguros.
Na Europa, outra importante falência bancária fez sobressair um diferente fenômeno do século 21: como empresas e cidadãos estão cada vez mais acostumados a gerenciar suas finanças pela internet, uma retirada em massa de dinheiro dos bancos pode acontecer sem que ninguém se dê conta.
O Fortis, foco de um resgate econômico internacional na semana passado, também foi vítima de uma corrida silenciosa aos bancos que, junto com a brusca queda das suas ações, impeliu os países da Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) a socorrê-lo e injetar capital no grupo bancário e de seguros.
“Se o Fortis está com problemas, transfiro meu dinheiro pela internet para a conta dos meus pais”, disse a estudante Frederique Schilte do lado de fora de um banco de Amsterdã, onde ela fora pagar uma conta.