SÃO PAULO - O relatório da Polícia Federal sobre o caso Cisco diz que a fabricante importava produtos por até um terço de seu preço real.
Segundo trecho do relatório de investigação, que contém 1,3 mil páginas e teve trechos reproduzidos no jornal Folha de S. Paulo, a empresa declarava nas notas ficais valores que correspondiam entre 30% e 60% do preço real do produto. O subfaturamento visava pagar menos impostos de importação.
A Cisco nega a acusação e afirma que não importa diretamente seus produtos para o Brasil. Nesse caso, a responsabilidade seria dos importadores. A PF afirma, no entanto, que a Cisco comandava um esquema de importadores e distribuidores e era a principal beneficiária da operação.
De acordo com as investigações, empresas laranjas compravam os produtos da Cisco nos Estados Unidos e exportavam para outras empresas laranjas, no Brasil. Uma vez no país, os produtos eram distribuídos pela Mude aos clientes da Cisco.
Este esquema cria várias etapas na circulação de produtos desde os Estados Unidos até o cliente final, no Brasil, o que dificultaria a fiscalização. A PF diz ainda que alguns auditores da Receita Federal foram presos por receber propinas para ignorar o esquema.
Na prática, o produto entrava no país com valor declarado que correspondia, às vezes, a apenas um terço de seu valor real. Um dos métodos usados para não pagar impostos era aumentar o valor do software importado e baixar o valor do hardware.
Nesse caso, se um produto custa US$ 100 (US$ 50 custo do hardware e US$ 50 licença do software) a documentação era emitida, por exemplo com US$ 80 em software e US$ 20 em hardware. O método era usado porque a tarifa de importação de software é bem mais baixa que a tarifa de importação de software.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Cisco importava por um terço do preço real</a>, Felipe Zmoginski, do Plantão INFO - SÃO PAULO - O relatório da Polícia Federal sobre o caso Cisco diz que a fabricante importava produtos por até um terço de seu preço real.
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