NOVA YORK/SAN FRANCISCO (Reuters) - O Yahoo está sob pressão para fechar um acordo de aquisição da Facebook.com, o segundo maior site de redes sociais dos Estados Unidos, a fim de recuperar o atraso com relação ao Google, que anunciou esta semana acordo para compra do YouTube, afirmam analistas.
O acordo do Google para comprar o site de vídeo online YouTube, anunciado na segunda-feira, força os demais concorrentes de grande porte no mercado de Internet a agir rapidamente, à medida que aumenta a confiança quanto ao segmento e que as avaliações das companhias crescem, dizem observadores do setor.
Uma aquisição do Facebook, o principal site social destinado a universitários norte-americanos, pelo Yahoo pode atingir valor de 1 bilhão de dólares, de acordo com esses observadores. Fontes do setor vinham dizendo anteriormente que as duas empresas estavam conversando, ainda que o estágio que essas negociações atingiram seja incerto.
"Acreditamos que o Yahoo está em desvantagem diante do Google em termos de inovação, finanças e parcerias/aquisições", escreveu Scott Kessler, analista da S&P's Equity Research Services, em nota aos clientes na terça-feira.
"Com suas ações próximas de seu ponto mais baixo em 52 semanas, acreditamos que a pressão sobre o Yahoo para que faça algo importante seja significativa, com o objetivo de despertar interesse positivo e restaurar a confiança dos investidores", afirmou.
Além do YouTube, do Facebook e do site líder de redes sociais, o MySpace, adquirido um ano atrás pela News Corp., há poucas empresas de escala atraente disponíveis no mercado para aquisição por empresas de mídia. Mas transações semelhantes podem acontecer mesmo assim.
"É uma busca frenética por expansão", disse Peter Fader, professor de marketing na Wharton School, segundo o qual, além da união entre Google e YouTube e da potencial união entre Yahoo e Facebook, "haverá toda espécie de compradores e vendedores surgindo no mercado".
Fader se preocupa com a possibilidade de que os preços subam rápido demais, o que atrairia comparações com a ascensão e queda das empresas de Internet no período 1999/2000.
"O que vai acontecer é que outras empresas irão pagar para comprar esses sites secundários de compartilhamento de vídeos e esses serão alguns dos piores acordos já feitos. Companhias como Viacom e Yahoo vão buscar o que sobrar. Elas irão pagar caro", diz Josh Bernoff, vice-presidente da Forrester Research, preocupado com a possibilidade das empresas de Internet pagarem excessivamente por ativos arriscados.
"Os sites que sobraram têm muito menos tráfego e muito menos valor", disse Bernoff, citando empresas de serviços de compartilhamento de vídeos como Revver, Guba e Veoh Networks.
A porta-voz do Yahoo, Joanna Stevens, não comentou sobre possíveis negociações da empresa com a Facebook. "Não discutimos rumores e especulação", afirmou ela na terça-feira. Representantes da Facebook não estavam disponíveis para falar sobre o assunto.
Não apenas o Yahoo, mas a Microsoft precisa rapidamente se mover para o segmento de redes sociais em um momento em que os sites estão sendo consolidados. Fontes próximas da gigante do software afirmam que a companhia acredita que pode criar sites competitivos por si só, em vez de ser forçada a pagar caro por endereços populares. Fader, da Wharton School, afirma que o acordo do Google com o YouTube foi único pois envolveu ícones da Internet.
"Apesar de serem boas empresas, Yahoo e Facebook não são dominantes ou únicos nas mentes dos internautas como acontece tanto com o Google quanto com o YouTube", disse o especialista.