SÃO PAULO – Derrubada pelo escândalo das investigações ilegais promovidas pela HP, a ex-presidente e chairman do grupo, Patricia Dunn, acusou Thomas Perkins, ex-diretor e membro do conselho da empresa, de tramar sua saída da HP.
Patricia afirmou, em entrevista ao programa “60 minutes” da rede CBS, que Perkins atuou nos bastidores da companhia para derrubá-la.
A executiva explicou que as investigações sobre o vazamento de informações confidenciais da HP seguiam sob controle e dentro da lei até que alguns dados apontaram para o conselheiro George Keyworth como um dos responsáveis por repassar dados à imprensa.
Segundo a versão de Patricia, Keyworth era o principal aliado de Perkins no conselho da empresa. Ao perceber que seu aliado corria risco, Perkins passou a atuar para derrubar Patricia, a fim de preservar sua influência no conselho da HP.
Durante a entrevista, Patricia afirmou que Perkins iniciou uma “campanha de desinformação” contra ela, espalhando boatos que “estabeleceram as bases de tudo que se acredita atualmente”.
Patricia afirma que agia dentro da lei e desejava apenas preservar os interesses estratégicos da HP. A ex-chairman diz que não tinha conhecimento das técnicas ilegais usadas por investigadores contratados.
O advogado de Perkins admite que seu cliente fez comentários sobre os métodos usados por Patricia em investigações internas para autoridades americanas. Perkins teria conversado com a Securities and Exchange Commission (SEC), Federal Trade Commission e Departamento de Justiça da Califórnia.
Em outra entrevista ao programa “60 minutes”, outra ex-executiva do grupo, Carly Fiorina, fez duras críticas a Perkins e Keyworth. A executiva os acusou de excessivamente ambiciosos e de atuarem juntos para tirá-la do cargo de presidente do conselho da HP. Fiorina acusou ainda os executivos de terem dificuldade em aceitar a liderança de mulheres.
Fiorina escreveu o livro “Tough Choices” em que critica a dupla Perkins e Keyworth, defende Patricia e conta bastidores da HP.