Queda da MP do Bem inviabiliza PC de R$ 1,4 mil
Sexta-feira, 14 de outubro de 2005 - 20h46
SÃO PAULO – Com a queda da Medida Provisória 252, que ficou conhecida como MP do Bem, representantes da indústria de informática tentam uma saída para recuperar o investimento que fizeram para fabricação de PC popular.
Eles deverão tentar na próxima semana um encontro com representantes do governo para incluir os itens que incentivam a produção local de micros e exportação de software na MP 255, que ressuscitará algumas partes da 252.
A MP do Bem trazia uma redução de 9,25% em impostos do PIS/Cofins na venda de micros para o usuário final. A medida caiu na última terça-feira, dia 11, porque não entrou em votação dentro do prazo.
Muitos fabricantes investiram em linhas de produção para fabricar computadores de baixo custo dentro das exigências do programa de inclusão do governo “Cidadão Conectado – Computadores para Todos”. Com a queda da MP do Bem, a indústria deverá elevar os preços das máquinas baratas.
Ruy de Salles Cunha, presidente da Abinee, afirma em nota, que “o poder executivo tem que se movimentar urgentemente para corrigir este problema para que não sofra mais um desgaste em sua imagem perante a comunidade empresarial brasileira”.
Cunha afirma que a não aprovação da MP do Bem causa um grande mal ao setor eletroeletrônico, pois prejudica todo o trabalho que vinha sendo desenvolvido para a implementação do programa de incentivo às exportações de software e serviços.
Antonio Hugo Valério, diretor de informática da Abinee, completa que as indústrias já fizeram investimentos para a fabricação de PC barato. Ele observa que as vendas dessas máquinas já trazem reflexo no mercado, com a queda de participação do gray market que reduziu de 76% para 65%. A indústria esperava que os incentivos do governo ajudassem a diminuir essa taxa para 60% até o final de 2005.
Valério diz que a queda da MP do Bem também aborta o programa de financiamento autorizado pelo governo com juros de 2,5% ao mês na venda de máquinas a prazo. O financiamento seria oferecido pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Sem a redução de 9,25% da taxa de impostos, as máquinas não poderão ser comercializadas por 1,4 mil reais.
Edileuza Soares, do Plantão INFO