AMSTERDÃ (Reuters) - Enquanto a unidade alemã da BenQ Mobile planeja pedir falência, outra parceria entre fabricantes de celulares europeus e asiáticos, Sony Ericsson, demonstra que alianças transcontinentais podem obter sucesso.
Como a BenQ Mobile, que combinou as divisões de celulares da taiuanesa BenQ e da alemã Siemens, a aliança entre as atividades da japonesa Sony e da sueca Ericsson na indústria de celulares era uma tentativa de ganhar vantagens de escala e competência, no mercado mundial cada vez mais competitivo de telefonia móvel.
Ao contrário da BenQ Mobile, que anunciou na quinta-feira que pedirá falência nos próximos dias, depois que a controladora BenQ decidiu suspender seu investimento no grupo, a Sony Ericsson floresceu. Está ganhando mercado e gerando saudáveis 9,3 por cento de margem de lucro.
Ambas as parcerias de celulares começaram com fatias de cerca de cinco por cento do mercado mundial. A da BenQ caiu a por volta de 3,2 por cento, enquanto a da Sony Ericsson cresceu para 6,7 por cento.
A Sony Ericsson teve um mau começo. As operações de celulares das duas associadas estavam perdendo dinheiro, e não eram competitivas. Os executivos do grupo decidiram que, em lugar de desistir, fariam uma última tentativa, unindo as duas subsidiárias deficientes.
"As duas crianças problema, ovelhas negras do setor de celulares, foram reunidas. Muita gente nos disse que a probabilidade de sobrevivência era muito baixa", disse John Peter Leesi, ex-vice presidente de finanças da operação combinada.
A união das atividades resultou em corte de custos. A Sony Ericsson rapidamente transferiu sua sede em Londres do sofisticado bairro de Mayfair para instalações mais baratas em Hammersmith, e terceirizou todas as suas operações de produção para outros fabricantes de celulares.
A BenQ Mobile assumiu o controle de uma cara operação da Siemens e continuou fabricando celulares na Alemanha.
"Eles não eram enxutos ou rigorosos o bastante, e não podiam competir em termos de preço", disse John Strand, consultor de telefonia móvel em Copenhagen.
Enquanto a Sony Ericsson foi resultado de uma fusão de iguais, a BenQ Mobile não foi.
A Siemens efetivamente pagou à BenQ para que a empresa assumisse suas operações com celulares no ano passado e recebeu 2,5 por cento empresa de Taiwan em troca.
Os executivos alemães da BenQ Mobile ficaram exaustos de suas viagens para Taiwan, conforme a BenQ passou a dominar cada vez mais a administração, informou Ben Wood, consultor de telecomunicações da Collins Consulting.
Em contraste, Sony e Ericsson gastaram muito tempo para integrar as equipes e culturas corporativas do Japão e da Suécia com seguidas viagens das equipes entre a Europa e Ásia. No final, a empresa descobriu que elas tinham mais pontos em comum do que o inicialmente previsto.
"Se você abrir um livro de design escandinavo e um japonês, você vai ver que são muito parecidos. Foi uma feliz coincidência para nossa empresa", disse Hiroshi Nakaizumi, ex-chefe de projetos da Sony Ericsson.
A escola de design escandinava é inspirada em parte pelos modernistas de Bauhaus da década de 1920: a forma segue a função. Os projetistas japoneses conhecem essa escola artística por causa de sua educação, mas associam isso com sua própria herança cultural, que data de centenas de anos.
PRODUTO DE SUCESSO
Novas empresas precisam de pelo menos um produto de sucesso para motivarem suas equipes e gerarem vendas. Na Sony Ericsson, coube a Nakaizumi e sua equipe inventar um design que conseguisse cumprir isso. O celular que desenvolveram foi o T610.
"Foi nosso produto salva-vidas", diz Nakaizumi. O aparelho quadrado e brilhante e equipado com uma câmera vendeu mais unidades e por mais tempo do que qualquer um imaginava. As vendas começaram em 2003 e a produção parou dois anos depois, um tempo longo para a indústria. O aparelho vendeu 11 milhões de unidades.
A BenQ Mobile não conseguiu criar tal produto de sucesso e nunca foi bem sucedida nos segmentos de aparelhos com preços de médio a alto.
"O ponto crítico para a Siemens foi quando a Nokia fez grandes reduções de preço do modelo 3310 e o preço mínimo despencou para o mercado básico", disse Wood, da Collins Consulting.
Strand ainda tenta descobrir o que a Siemens e a BenQ tentaram fazer.
"Eles queriam ser como a Nokia e a Motorola, mas não se diferenciaram", disse o consultor de Copenhagen.