A nova geração de computadores Apple conquista cada vez mais usuários que sempre foram fiéis ao PC
SÃO PAULO - Quando decidiu que precisava de um laptop, há cerca de um mês, o engenheiro André Leite Balbi pesquisou as opções e acabou levando um iBook. Um pouco antes, o programador Julian Monteiro comprou um MacBook Pro. Balbi e Monteiro têm algo em comum além do fato de estarem com computadores novos em casa. Embora já admirassem o belo design das máquinas da Apple há muito tempo, ambos eram fiéis usuários de PCs com Windows. O encanto dos equipamentos munidos com o sistema operacional Mac OS X nunca resistiu a uma análise que levasse em conta critérios como o preço, a disponibilidade de programas e o trabalho de aprender a lidar com uma interface diferente da que estavam acostumados. Pelo menos até agora. Os dois estão entusiasmados com a mudança de lado. "A qualidade das imagens é muito superior e a integração com o (tocador de música digital) iPod é fascinante. Meu Mac virou um centro de entretenimento", diz Balbi.
Como Monteiro e Balbi, cada vez mais usuários de PCs estão saltando para o outro lado da força. Finalmente o público se deu conta das qualidades que antes só os aficionados percebiam? Bem, não foram os consumidores que mudaram, mas a Apple. Até o início da década, a empresa parecia caminhar para a falência. Mas, desde o lançamento do fenômeno iPod, a maré começou a virar. Num arroubo criativo, a companhia colocou no mercado novos computadores e sistemas operacionais. O cálculo que os consumidores fazem para decidir sua compra mudou de fato quando a Apple aproximou suas máquinas dos onipresentes PCs. Isso facilitou o uso do Windows, da rival Microsoft, no Mac. Se você sempre admirou o design dos computadores enfeitados com o logotipo da maçã, o momento é mais propício do que nunca para se deixar seduzir. Mas ainda há prós e contras nessa decisão.
O estopim do atual cenário ocorreu em março, quando a Apple anunciou que o Macintosh deixaria de lado o processador PowerPC, fabricado pela IBM, para utilizar pela primeira vez os chips da Intel, que permitem rodar o Windows. Segundo a empresa, o chip da IBM não estava mais suprindo a demanda por agilidade da máquina que a Apple pretendia atingir. Steve Jobs, fundador e principal executivo da empresa, alegou que a mudança não teve como objetivo principal ampliar o número de usuários. Mas, se não foi a intenção, não há como negar que o crescimento das vendas começa a se consolidar como uma conseqüência bem-vinda. Faz tempo que os produtos da Apple têm a capacidade de despertar paixão em consumidores que os defendem com fervor de torcida organizada. Mas esse grupo sempre foi pequeno, geralmente composto de profissionais de setores como design e criação e aficionados de tecnologia em geral. No último trimestre, contudo, as vendas mundiais de Macs aumentaram 12% e os analistas acreditam que o ritmo deve se acelerar. No Brasil, a rede Fnac, que tem um público fiel de Macintosh, registrou aumento na demanda após a implementação do chip Intel de 10% a 15%. "Muita gente que tinha dúvida se acostumaria ou não com a plataforma anterior tomou coragem ao saber que poderia rodar Windows", diz Milton Miranda Junior, gerente de informática da loja em São Paulo. Segundo ele, a compatibilidade com o iPod também ajudou.
Com a alteração na arquitetura das máquinas, surgiram programas que permitem rodar o Windows no Mac. Um deles é o Boot Camp, software desenvolvido pela própria Apple que pode ser baixado gratuitamente da internet e será parte integrante da próxima versão do sistema operacional Mac OS X, batizado de Leopard. O Boot Camp cria uma divisão no disco rígido do Mac e instala o Windows nele. Ao ligar o computador, o usuário escolhe se deseja iniciar com o Windows ou com o Mac OS X. "Acho até que o Windows roda melhor no Mac do que no PC. É muito rápido", diz o gerente de marketing Alexander Moraes, usuário do Boot Camp. Outro software que traz o Windows para dentro do Macintosh é o Parallels Desktop. A vantagem do produto é a possibilidade de rodar simultaneamente os dois sistemas operacionais na mesma máquina, além de permitir a troca de dados e arquivos entre eles. Mas isso é obtido à custa de uma ligeira queda de performance.
São novidades importantes. Ainda assim, os PCs continuam tendo algumas vantagens. Há muito mais variedade de tamanhos e modelos de equipamentos, produzidos por diferentes fabricantes. As opções de preço também são mais abrangentes e a Apple não tem equipamentos tão baratos quanto podem ser os laptops e computadores de mesa equipados com o Windows. Tudo isso precisa ser levado em consideração. Mas os ventos parecem mesmo favoráveis a Steve Jobs. O sucesso do iPod não só resgatou a empresa da crise como lustrou a imagem inovadora da Apple e reacendeu a aura de visionário de seu executivo-chefe. Além disso, a própria Microsoft deu uma mãozinha à concorrente. Os sucessivos atrasos no lançamento da próxima versão do Windows, o Vista, são um fator a mais a empurrar os consumidores para os braços da Apple. "Não entendo por que o Mac é um computador de nicho. Ele é muito melhor para qualquer função", diz o médico Oswaldo Ferreira Netto, antigo usuário de Macintosh. Cada vez mais gente pode pensar como ele agora que os mundos da Microsoft e da Apple estão mais próximos. Essa parece ser a aposta de Jobs -- e, com tanto vento a favor, pode ser que ele acabe conseguindo.
É hora de trocar?
Compare as vantagens de Mac e PC
MAC
• Tem design mais bonito e interface gráfica mais sofisticada e elegante
• Todos os computadores são montados pela Apple. Em caso de problema, basta levar a uma assistência técnica autorizada
• Como há um único fabricante, os sistemas tendem a ser mais estáveis
• Os Macs são mais seguros e não sofrem com a proliferação dos vírus de computador
• Os novos modelos, equipados com processadores Intel, permitem utilizar o sistema Windows XP
PC
• O sistema Windows é o padrão universal, usado na imensa maioria das empresas
• A disputa entre os fabricantes de processadores Intel e AMD gera competição e, conseqüentemente, queda de preços
• A diversidade de fabricantes de PCs permite a oferta de modelos para diferentes perfis de público
• Muitos programas são desenvolvidos exclusivamente para o sistema Windows
• Tem escala de produção maior e, portanto, os preços são mais baixos que os dos Macs