LONDRES (Reuters) - As empresas de mídia globais, temerosas de que serviços de busca na web como o Google estejam prejudicando sua capacidade de geração de receita, planejam lançar um sistema automatizado para conceder licenças de uso de seu conteúdo.
Com o estímulo de uma decisão da Justiça belga, esta semana, segundo a qual o Google está violando os direitos autorais de jornais em francês e alemão ao reproduzir pequenos trechos de seus artigos no serviço Google News e em resultados de busca, as editoras anunciaram na sexta-feira que planejam começar os testes do sistema antes do final do ano.
"Essa iniciativa setorial responde de maneira positiva à crescente frustração das empresas, que continuam a investir pesadamente na geração de conteúdo para disseminação e uso online", disse Gavin O'Reilly, presidente da World Association of Newspapers (WAN), que comanda a iniciativa.
"O objetivo do sistema é remover qualquer conflito quanto a direitos autorais que possa surgir entre as produtoras de conteúdo e os serviços de busca", acrescentou O'Reilly, que também é vice-presidente de operações da Independent News and Media.
O custo do projeto, conhecido como Automated Content Access Protocol, não foi divulgado, ainda que as empresas de mídia tenham reservado em 310 mil libras (583,7 mil dólares) para serviços de consultores a ele relacionados.
O programa-piloto surgiu devido à imensa popularidade dos serviços de busca, que geram resultados automáticos sobre conteúdo de jornais, revistas e livros, e usualmente oferecem links para o site de uma publicação, no qual os usuários podem ler o artigo na íntegra.
Muitas editoras sentem, porém, que os serviços de busca estão operando como editores.
"Já que as operadoras de serviços de busca dependem de 'spiders' robotizados para administrar seus processos automatizados, os sites das editoras precisam começar a falar uma língua que os serviços de busca possam ensinar seus robôs a compreender", afirma um documento obtido pela Reuters no qual os planos das editoras estão delineados.
"O que é necessário é uma maneira padronizada de descrever as permissões que se aplicam a um site para que possam ser entendidas por uma máquina sem a ajuda de um advogado caro."
A WAN é uma organização sediada em Paris formada por 72 associações nacionais de jornais, executivos de imprensa de 100 países e por 13 agências de notícias.