SÃO PAULO - Banda larga, câmeras digitais e sites de compartilhamento alimentam a mania do vídeo digital
Em julho, um vídeo protagonizado pelo apresentador Fernando Vanucci — supostamente perturbado por uma dose excessiva de medicamento — virou febre no YouTube. Até o dia 18, teve 1,7 milhão de visualizações, 15 vezes a audiência média do programa de Vanucci na Rede TV. Esse número impressionante é a evidência de que o alcance da web supera o da TV em algumas situações. Mostra, também, que os brasileiros estão ligadíssimos no mundo do vídeo online. De fato, segundo pesquisa do Ibope/NetRatings, 1,4 milhão de usuários domésticos brasileiros visitaram o YouTube em maio, o que equivale a 9% dos usuários caseiros no país. Entre os países pesquisados, essa porcentagem só é maior na Espanha, onde chega a 17%. Considerando a tendência de crescimento, pode-se estimar que o número de visitantes domésticos brasileiros no site já esteja perto de 2 milhões. E esses números não incluem aqueles que navegam no trabalho, na escola ou numa LAN house.
Vídeos brasileiros também não faltam na Web. No dia 18 de julho, uma pesquisa no YouTube com a palavra “Brasil” levava a 9 254 clipes. Já “futebol” trazia 3 209 itens como resposta. Esse interesse dos brasileiros pelo compartilhamento de vídeo levou ao surgimento de pelo menos um serviço do gênero no país, o Videolog (veja o quadro Faturando com vídeo).
Câmera na mão
A popularização da produção de vídeo representa uma mudança de comportamento considerável. Até há pouco tempo, pouquíssima gente se dedicava a essa atividade. A filmadora era vista por muitos como equipamento caro e de uso infreqüente. Agora, muitos filmes são feitos com a câmera fotográfica digital, e alguns até com o celular ou a webcam. As estimativas indicam que 2 milhões de câmeras fotográficas digitais foram vendidas no Brasil em 2005. Neste ano, calcula-se que serão 3 milhões. Isso representa um enorme contingente de pessoas aptas a fazer vídeos para compartilhar na web. Editá-los no computador também não é problema. Mesmo o aplicativo simples como o gratuito Virtual Dub (www.info.abril.com.br/download/1592.shtml) pode ser suficiente para cortar e colar trechos de um videoclip. Além disso, o Windows Movie Maker, incluído no Windows XP, pode cumprir essa função de edição básica de videoclipes.
Outro fator que colocou o vídeo online no dia-a-dia dos brasileiros foi a popularização do acesso à internet em banda larga. Por causa das exigências de banda, é praticamente inviável surfar num site como o YouTube com conexão de linha discada. O Ibope/NetRatings calcula que havia, em maio, 9 milhões de usuários residenciais com banda larga no Brasil. Isso equivale a 68% das conexões residenciais de acesso à internet existentes no país. Esse número vem crescendo, enquanto o de usuários de linha discada — 4,2 milhões em maio — decresce lentamente. Pode-se estimar que, até o final deste ano, haverá 10,5 milhões de brasileiros com banda larga em casa. E, também nesse caso, os números não incluem o pessoal que navega no trabalho ou na escola. Somando tudo, há mais de 30 milhões de brasileiros com acesso rápido à internet. São todos potenciais consumidores de vídeo online.
O celular é a TV
Um outro mercado — ainda muito incipiente mas com grande potencial de crescimento — é representado pelos smartphones e outros dispositivos móveis capazes de exibir vídeo. Se uma pessoa precisa passar algum tempo, digamos, na sala de espera do dentista ou no aeroporto, ela pode se interessar em assistir a um programa em seu dispositivo móvel. Para as operadoras de celular, que cobram pelo volume de dados transferido ou pelo tempo de conexão, esse é um negócio promissor. Basta pensar que o número de celulares em uso no país, cerca de 92 milhões, é 3,6 vezes maior que a quantidade de pessoas que têm acesso a computadores pessoais, estimada em 25 milhões. A corrida para fornecer conteúdo móvel está apenas começando. O site brasileiro TV Rock, que entrou no ar recentemente, é um exemplo de empreendimento criado com os celulares em vista. Ele oferece programação de vídeo voltada para quem gosta de rock. Os quatro sócios no empreendimento planejam levar a TV Rock para os celulares e para a televisão convencional, além de ganhar dinheiro com anúncios na própria web. O site veicula videoclipes fornecidos por bandas que querem divulgar seu trabalho. Além disso, conta com estúdio e equipe própria para produzir seus programas. Muitos outros empreendimentos como esse certamente virão. O certo é que a explosão do vídeo online no Brasil está apenas começando.
Faturando com vídeo
Até recentemente, o site brasileiro Videolog funcionava basicamente como serviço de blogs com vídeo. Neste ano, o sucesso do YouTube levou os donos a reformulá-lo para que ficasse mais parecido com o site americano. Mas, em vez de apostar nos anúncios online, o pessoal do Videolog pretende ganhar dinheiro cobrando pela hospedagem. O site cede 64 MB gratuitamente, mas está implantando opções pagas para profissionais que necessitam de mais espaço para mostrar seu trabalho. Em julho, tinha 120 mil usuários registrados e recebia 40 mil visitantes únicos por dia, segundo o próprio Videolog.