SÃO PAULO - A participação do mercado cinza nas vendas totais de PCs caiu de 73% em 2004 para 47,7% no primeiro semestre de 2006. Segundo estudo encomendado pela Abinee e realizado pela IT Data Consultoria o principal fator responsável pela redução, foi a Lei do Bem, que isentou de PIS/Cofins a comercialização de computadores.
A Lei nº 11.196 contempla desktops até o valor de 2 500 reais e notebooks até 3 000 reais, mas não é a única responsável pela redução do mercado de PCs clone. De acordo com o estudo, também contribuíram para a redução a maior fiscalização da Polícia Federal e da Receita Federal, o programa Computador Para Todos e a queda do dólar.
Considerando a faixa de preço, a principal redução do mercado cinza de desktops foi vista nos equipamentos de até 2 500 reais, onde a participação dos clones caiu de 75% para 52%. Nos desktops acima desse valor, a participação do mercado cinza cresceu de 30% para 34%. "Como a concorrência com micros legais de configuração mais básica está mais acirrada, os fabricantes alternativos estão migrando para outros modelos de máquina", diz Ivair Rodrigues, consultor da IT Data responsável pelo estudo.
A queda de preço também fez com que mais pessoas adquirissem seu primeiro computador. Em 2004, do total de vendas de PCs, 55% era primeira compra. Com as novas medidas, esse índica aumentou para 61%.
As marcas nacionais são as que mais estão ganhando com as mudanças. O relatório da Abinee aponta que as vendas desse setor subiram de 16% em 2004 para 37% no primeiro trimestre de 2006. Já para as marcas internacionais, que não fabricam no Brasil, as vendas a participação de mercado aumentou de 11% para 15% no mesmo período.
Pelas previsões da IT Data, as vendas de PCs para o mercado brasileiro atingirão 7,8 milhões de unidades este ano, o equivalente a um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.