SÃO PAULO - O instituto científico paraense Imazon estréia, nesta semana, nova ferramenta para medir o avanço do desmatamento da floresta amazônica. A ferramenta vai analisar imagens de satélite.
De acordo com o Imazon, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) desenvolvido pelo instituto receberá imagens de dois satélites (Terra e Aqua) e vai processá-las num software específico.
O programa compara imagens obtidas com 16 dias de diferença e permite apontar em quais localidades os pontos verdes (matas) são substituídos por outras colorações, que indicam a ocorrência de queimadas, retirada de madeira, plantações de soja, pecuária extensiva, etc.
O sistema permitirá publicar na internet, mensalmente, relatórios sobre o avanço do desmatamento na Amazônia. O sistema permite ainda observar pontos de desmatamento quando o dano é superior a 5 hectares.
O grau de detalhamento (5 hectares) e a periodicidade do relatório (mensal) representam avanços em relação a outros dois sistemas em vigor, o Deter, usado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Ibama, e o Prodes, utilizado pelo Governo Federal no cálculo oficial do índice de desmatamento na região.
O Prodes é considerado o sistema mais avançado para análises do tipo, com grau de detalhamento de 6 hectares, porém produz relatórios somente uma vez por ano. O Deter tem nível de detalhamento de 20 hectares e imagens atualizadas a cada duas semanas.
Ambientalistas consideram um avanço o surgimento da nova ferramenta. Para os especialistas, ter vários índices medindo o desmatamento no país permite comparar resultados e obter dados mais confiáveis e precisos.
O Imazon investiu R$ 300 mil no SAD. O sistema já foi testado no monitoramento de áreas verdes no norte do Mato Grosso e será gradualmente estendido para as áreas de floresta amazônica na região norte do país.