SÃO PAULO – Blogueiros dão recado às empresas e seus blogs corporativos. E a palavra “controle” está fora de cogitação.
No maior (e mais polêmico) painel do Seminário INFO Redes Sociais, seis blogueiros se uniram a Manoel Lemos, do BlogBlogs, para discutir um Manual de sobrevivência empresarial dos blogs. Estavam presentes Reinaldo Azevedo, da Veja; Lucia Freitas, do Ladybug; Edney Souza, do Interney Blogs; Carlos Cardoso, do Meio Bit; Carlos Merigo, do Brainstorm #9 e Beatriz Kunze, a Garota sem fio.
Quais as oportunidades e ciladas que surgem quando uma empresa resolve dar as caras na blogosfera? A primeira lição é atuar com transparência. A moderação deve servir apenas para evitar internautas desagradáveis, com palavreado chulo e ofensivo. Excluir um comentário negativo ou criar usuários fake para responder a reclamações de internautas pode ser um tiro no pé. Da mesma forma, rechaçar blogs do tipo “eu odeio a empresa X” acaba por trazer mais dor de cabeça do que ajudar a limpar o nome da empresa na rede.
“Há casos desastrosos de companhias que tentaram excluir blogs negativos a seus produtos. Se você tira um blog do ar, surgem mais 10 para comentar o fato de você ter tirado”, afirma Carlos Merigo, do Brainstorm #9.
Reinaldo Azevedo, que recebe cerca de 2,5 mil comentários por dia em seu polêmico blog de política, acredita que qualquer forma de controle soa como censura na internet. No entanto, segundo ele, há limites para isso. Apenas 700 comentários acabam sendo publicados. Segundo ele, as outras 1,8 mil opiniões são impróprias ou são de correntes de discussão paralelas. “Se quiser me ofender, crie um blog para me ofender. Eu não publico. Cada um no seu quadrado”, diz Azevedo.
Mas não basta apenas criar um canal para saber o que o cliente pensa. O blog gera uma expectativa de resposta rápida ao usuário insatisfeito. Por isso, é necessário ter uma boa infra-estrutura de atendimento prático ao cliente, não apenas a teória. “Uma fabricante de celulares entrou em contato comigo para saber porque havia tantos comentários negativos sobre ela nos blogs”, afirma Bia Kunze, que escreve resenhas sobre equipamentos sem fio. Segundo ela, o suporte da empresa era precário, uma primeira resposta aos questionamentos da fabricante.
Conteúdo e foco no público
Mas não basta seguir as boas práticas da transparência e não ser bom na matéria prima principal, senão única, de um blog: o conteúdo. E ele deve combinar com o perfil do cliente da empresa. “A linguagem depende do perfil da companhia. Se ela focar num público mais jovem, a linguagem é mais informal. Se for para executivos, é bom tratar como o leitor como ‘senhor’”, diz Edney Souza, do Interney Blogs.
A questão de posts pagos mais uma vez foi levantada na mesa. Agora, com o (nem tão recente assim) caso da galadeira da Coca-Cola. A empresa enviou minigeladeiras para nove dos principais blogueiros, que repercutiram a ação de marketing. O blog BlueBus chamou-os de Blogueiros de aluguel e deu início à confusão.
Polêmicas a parte, Lucia Freitas, do Ladybug, lembrou que casos que dividem opiniões podem ser positivos para as empresas. “A Coca-cola ganhou com a repercussão da história da geladeira”, diz.
Cardoso do Meio Bit, um adepto dos posts pagos, defende a transparência com o leitor. O importante é analisar se a propaganda que entrará no blog tem a ver com o público que consome aquela informação. “O preço dos blogueiros é bem mais alto que os 50 dólares que valem a geladeira da Coca-cola. O meu leitor está muito mais ciente da minha relação com a empresa do que em outros veículos”, afirma Cardoso.
Para exemplificar, ele defende que escrever posts sobre a viagem patrocinada por uma empresa, descrevendo como foi a hospedagem e os passeios realizados, é mais transparente do que usar o “jornalista viajou a convite da empresa Y” no pé da matéria, como é comum nos veículos “tradicionais”.