SÃO PAULO - Troquei São Paulo por Aracaju. Mas a banda larga...
Sou o tipo de cara que consegue viver sem TV, sem telefone, sem sair de casa. Necessidades básicas? Comer, dormir, tomar banho e ter banda larga — nessa ordem. Há pouco mais de um ano, decidi trocar São Paulo por Aracaju, então indicada como a capital com melhor qualidade de vida no Brasil. Mas não sem antes fazer (ou melhor, tentar) meu dever de casa em relação às opções de banda larga. Verifiquei a possibilidade de usar o ADSL (o Velox, da Oi), a melhor conexão em velocidade e recursos disponível na cidade. A velocidade máxima disponível? 1 Mbps. Ok... Hora de arrumar as malas.
Ser uma pessoa planejada nem sempre resolve quando o assunto é banda larga. Apesar de toda a confirmação prévia, desde que cheguei, em fevereiro de 2007, não existe conexão desse tipo para minha linha telefônica. Além do ADSL, as opções de banda larga ficam basicamente no rádio, em geral, compartilhado no condomínio ou prédio, que acabou sendo minha opção. Várias empresas oferecem esse serviço, mas, até pouco tempo atrás, havia poucas diferenças entre elas. Para começar, não dá para ter um IP externo. Parece uma bobagem, mas isso limita o tipo de aplicativo que pode ser usado na rede.
Controle remoto do PC? Funciona em poucos casos e, mesmo assim, só com os serviços que usam um site fixo para o login, como o LogMeIn. Programas de P2P também sofrem um baque. Dependendo da forma como é distribuída a conexão (em muitos casos, o roteador ou switch usado não permite o uso de NAT), não dá para fazer ligações diretas entre usuários desses aplicativos, e a velocidade de download fica muito baixa. Acabei virando mestre nos sites de envio de arquivos. O RapidShare e o MegaShares são meus melhores amigos. Recentemente, até me emocionei ao ver o novo serviço do site ImageShack: ele recebe um arquivo torrent, baixa o conteúdo indicado nele e permite o download por HTTP.
Algumas pessoas preferem a conexão por rádio porque é mais barata. Mas, contabilizando a assinatura desses serviços, pago quase o mesmo que numa conexão ADSL de 1 Mbps em São Paulo, antes do boom das velocidades grandes — por volta de 140 reais. E eu ainda tinha um IP externo e fixo! E que inveja me dá em pensar que o pessoal do INFOLAB está testando um serviço de 60 Mbps enquanto eu navego a 700 Kbps (e só à noite, quando meus vizinhos já desligaram seus PCs). Com uma conexão dessas, eu provavelmente viraria um eremita.
Apesar desses problemas, com um pouco de paciência, dá para achar quase tudo das redes de P2P em download direto. Mas arquivos acima de 4 GB nem sempre podem ser baixados com sucesso. Às vezes, a transferência é interrompida antes de se completar. Em compensação, agora vou a uma festa junina... É do outro lado da cidade, mas chego em dez minutos.