SÃO PAULO - O uso do celular para trafegar dados, sejam mensagens de texto entre aparelhos ou até navegação na Internet, foi o item que mais se destacou na receita das operadoras de telefonia móvel no segundo trimestre.
Os números apresentados pelas companhias no Brasil mostram mudança nos hábitos dos usuários, que passam a utilizar o aparelho móvel com mais frequência para outros fins além da voz. Em alguns casos, como de Vivo e TIM, os dados já representam algo como 10 por cento da receita total de serviços.
O analista Júlio Puschel, do Yankee Group, lembra que "a voz tem se tornado commodity", à medida que os preços caem diante de alternativas como o uso do protocolo internet (IP). Por isso, é natural que as operadoras busquem outras formas de receita.
"Na telefonia móvel, a receita com voz ainda deve crescer por alguns anos, mas a tendência é que chegue à mesma situação da telefonia fixa", em que a receita de voz está em queda mês a mês, diz.
No caso da Oi, o salto na receita de dados sobre o segundo trimestre de 2007 foi de 97 por cento, passando de 66 milhões para 130,2 milhões de reais --valor que representou 8,3 por cento da receita na área móvel.
O avanço foi provocado, principalmente, pelo crescimento das trocas de mensagens entre usuários de pré-pago e das assinaturas de pacotes de dados da companhia.
Na Vivo, maior operadora de celular do país, os serviços de transmissão de dados ultrapassaram a barreira dos 10 por cento da receita total de serviços pela primeira vez.
No período entre abril e junho, a empresa gerou 351,9 milhões de reais com dados, cifra que foi 52,7 por cento maior que em igual intervalo de 2007. O montante equivaleu a 10,4 por cento da receita total, ante 7,8 por cento no mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com o balanço.
Segundo a Vivo, "o serviço que mais vende continua sendo o SMS pessoa a pessoa", ou a troca de mensagens entre usuários. As mensagens respondem por quase metade de toda a receita gerada em dados para a companhia, mas a Vivo relata que a rubrica também é alimentada pelo envio de emails, navegação na Internet e acesso a jogos e conteúdos personalizados, como boletins de notícias.
CLARO CREDITA SUCESSO AO 3G A transmissão de dados também foi destaque no resultado da Claro que, apesar de ter capital fechado no Brasil, tem seu desempenho divulgado no balanço da controladora América Móvil.
Enquanto a receita líquida total da operadora cresceu 17,2 por cento no trimestre sobre igual período de 2007, a receita de dados saltou 57,8 por cento e hoje equivale a quase 9 por cento do total.
Segundo o balanço da América Móvil, o crescimento na receita de dados "atesta a grande aceitação que os serviços de terceira geração têm tido, especialmente o uso de banda larga móvel". A Claro lançou os serviços de terceira geração em novembro e hoje cobre 70 municípios do Brasil com a nova rede, que permite acesso à Internet em alta velocidade.
A receita de transmissão de dados também foi destaque no balanço da TIM, divulgado nesta quinta-feira. A companhia informou que os dados passaram a 10 por cento da receita de serviços, frente a 7 por cento há um ano e 8 por cento nos três primeiros meses de 2008.
Enquanto a receita líquida total da companhia cresceu 4,1 por cento sobre o mesmo trimestre do ano passado, a de dados saltou 49 por cento, chegando a 397 milhões de reais.
Na Brasil Telecom, que lançou serviços de terceira geração em 30 de abril, a receita da área de dados cresceu 36,8 por cento no segundo trimestre em relação a 2007, para 35,8 milhões de reais --montante que equivale a 8,5 por cento da receita total de serviços.
Com a queda dos preços de voz, o crescimento dos dados poderá elevar as margens de rentabilidade das companhias.
O que se viu no segundo trimestre do ano foi uma queda de 4,3 pontos percentuais na margem Ebitda da TIM --que ainda reduziu a expectativa para todo o ano-- e de 1,9 ponto na mesma margem da Claro.
A Vivo teve uma pequena elevação de 0,6 ponto na margem Ebitda e a Oi, quando se detalha apenas a operação de celular, foi a de melhor performance nesse aspecto, com alta de 8,7 pontos percentuais.