SÃO PAULO - O diretor de serviços Marco Quatorze colocou o 3G para funcionar em 40 cidades brasileiras.
Nas contas da Claro, a cobertura de 3G da operadora já alcança uma população de 35 milhões de pessoas, espalhadas por 40 cidades brasileiras. Mas o que vem por aí para aproveitar o 1 Mbps de velocidade nominal nos celulares e modems? Nos bastidores da operadora, um time de cerca de 30 pessoas trabalha para identificar novos serviços para a banda larga móvel, das videochamadas à TV por streaming. Até fevereiro, quem comandou essa operação foi o engenheiro eletrônico Marco Quatorze, de 43 anos, diretor de serviços de valor agregado e roaming da Claro. Ele conversou com a INFO de malas prontas para o México, onde agora responde pelo lançamento de novos serviços de todo o grupo mexicano América Móvil, o controlador da operadora brasileira.
INFO - Qual é a cobertura da rede 3G da Claro hoje?
QUATORZE - Começamos com o 3G em novembro, nas cidades de Recife, Fortaleza, Brasília e na região de Porto Alegre. Em dezembro, lançamos o serviço em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje são 40 cidades — e suas regiões metropolitanas. Cobrimos aproximadamente 35 milhões de pessoas com a rede 3G.
A que velocidade dá para navegar?
Na prática, estamos prometendo uma velocidade de até 1 Mbps. A rede está preparada para chegar a até 3,6 Mbps, mas essa é a velocidade máxima teórica.
Quantos modelos de celulares suportam o 3G?
Temos disponíveis nove aparelhos, dois modems e uma placa PCMCIA.
Que novos serviços vão surgir?
O que tem chamado mais a atenção é a videochamada, que permite fazer a ligação com transmissão de vídeo de um celular para outro. Para isso, os dois aparelhos precisam ser 3G e ter o recurso de videochamada — além de estar dentro da zona de cobertura da rede 3G. Na tela do celular aparecem duas imagens: a maior mostra o que o outro telefone está mandando e a menor, no cantinho, mostra o que está sendo enviado.
Quantos usuários já aderiram às videochamadas?
Eu não posso dar números. No caso de pessoa física, ele ainda é um gadget. Já no mercado corporativo, existem várias empresas querendo usar esse recurso como mecanismo de produtividade. Em sinistros de companhias de seguro, como numa batida de carro, o serviço permite falar com o corretor e mostrar ao vivo o que aconteceu, para avaliar se vale a pena ou não fazer o boletim de ocorrência.
Que outros serviços estão ganhando terreno com o 3G?
A internet móvel em banda larga vem tendo grande aceitação. Com um modem que se conecta ao laptop e pode ser levado para qualquer lugar, o usuário pode acessar a internet a 1 Mbps, desde que esteja numa zona de cobertura 3G. E é muito fácil e rápido usar serviços como o Google Maps porque dá para carregar mapas com grande nível de detalhes numa velocidade muito boa. Por isso, a internet móvel está ganhando cada vez mais espaço.
O e-mail móvel deve ocupar o espaço do SMS?
Sim, já está ocupando. Nos Estados Unidos, por exemplo, em vez de enviar uma mensagem SMS, os usuários mandam e-mail pelo BlackBerry. Hoje, o SMS ainda é, de longe, o serviço mais usado no celular no mundo — depois de falar. Em seguida vêm o e-mail e a internet móvel. Mas a tendência é aumentar o uso desses serviços e a posição se inverter.
Como está a adesão dos brasileiros?
No caso da Claro, a demanda por smartphones, que permitem o acesso ao e-mail e à internet móvel, está numa curva de crescimento exponencial. De 2006 para 2007, o número de aparelhos ativados pelos clientes cresceu aproximadamente 300%.
São clientes corporativos?
Não, hoje tem muita pessoa física usando. Antes de oferecer o BlackBerry para os usuários no Brasil, a Claro fez uma pesquisa e descobriu que pouquíssimas pessoas conheciam essa tecnologia. Pior, elas achavam que deveria ser muito cara. Então, a gente adotou o mote BlackBerry para todos e colocou um preço aceitável. A adesão foi muito boa, não só ao BlackBerry mas também às outras soluções de e-mail móvel. Atualmente oferecemos mais de 20 aparelhos com esse recurso, incluindo os smartphones 3G.
E a TV no celular?
Esse é outro serviço disponível em 3G. Não é TV digital; é streaming, no conceito de IPTV. No 3G, a imagem chega a 15 quadros por segundo. Nós temos acordo com vários canais (Bloomberg, CNN International, MaxxSports, Fashion TV, Cartoon Network, Climatempo, Discovery Móvel, A&E e History Channel), mas o serviço não está tendo muita procura dos usuários. É que as pessoas querem os canais nacionais e as emissoras de TV — com exceção da Band — não estão com muita disposição para oferecer esse serviço. Elas querem ir para a TV digital. Só que a TV digital no celular tem um problema: ainda não existe um aparelho compatível com o padrão de TV digital do Brasil que funcione também como telefone.
Mas a Globo está fazendo testes com um modelo da Samsung...
Sim, mas o aparelho só vai ser fabricado se houver demanda. O problema é que o padrão de TV digital escolhido para o Brasil é baseado no ISDB japonês e o padrão de telefonia celular que nós usamos — o GSM — é europeu. Essa combinação não existe no mercado. O GSM não é usado no Japão e o ISDB não é utilizado na Europa. Então, vai ser preciso fazer um aparelho especificamente para o Brasil. E nós somos um mercado pequeno em relação ao mundo. Isso cria um problema de escala, que vai ter que ser resolvido — o que pode levar um pouco mais de tempo e custar muito mais caro.
Quantas pessoas trabalham na área de inovação da Claro?
Aproximadamente 30 pessoas. Uma das grandes missões dessa equipe é identificar quem são os melhores parceiros no mercado para criar as novas aplicações. Basicamente tudo o que fazemos é por meio de parceria. É o caso do Claro VideoMaker, que funciona como um YouTube em que o usuário que postou o vídeo é remunerado por download. A gente fez uma parceria com a empresa Compera, que tinha essa aplicação praticamente pronta. Só moldamos o serviço para ficar com a cara da Claro. O modelo de negócios é de partilhamento da receita. Assim, o parceiro entra com uma parte do risco.