O mercado quer e paga mais pelos especialistas na biblioteca de melhores práticas de TI.
A vida profissional de Elber Ribeiro deu uma guinada, depois que ele decidiu apostar no ITIL (IT Infrastructure Library), a quentíssima metodologia para gerenciamento da infra-estrutura de TI. Seu celular não pára de lhe trazer propostas desde 2005, ano em que obteve a difícil certifi cação Service Manager, que lhe dá a posição de mestre. Em menos de dois anos, foram cinco propostas de emprego e várias sondagens. A uma, ele se rendeu: estruturar do zero a área de ITIL da CPM Braxis e conduzir o projeto de um grande cliente na América Latina, liderando quatro gerentes e 15 consultores. Para completar, foi convidado a prestar serviços para o Exin Expert Group, órgão certifi cador internacional de ITIL.
O assédio se justifica. Aos 29 anos, Ribeiro faz parte do seleto grupo de 65 brasileiros mestres numa matéria espinhosa. O ITIL é uma biblioteca de boas práticas para a gestão de serviços de TI. Foi desenvolvida no final dos anos 80 pelo governo inglês e hoje dita as regras de qualidade e efi ciência nas empresas do mundo todo. Quem tem ITIL, quer melhorar. Quem não tem, corre contra o tempo para implantá-lo, procurando gente preparada.
“Busquei o ITIL por soar como uma tendência”, recorda Ribeiro, apresentado ao assunto em 2002. Naquele ano, havia apenas um brasileiro certificado em Service Manager. Surgia aí uma chance de ouro para sua carreira. “Me antecipei e consegui dar um passo à frente”, comemora. Agora, sua meta é se atualizar para a versão 3.0 do ITIL.
O MAPA DA MINA
Há três tipos de certificação em ITIL: Foundation (básica), Practitioner (intermediária e direcionada a cada um dos processos ou grupos de processos) e Service Manager (máxima, com foco na gestão da TI). O Brasil tem hoje cerca de 5 500 profi ssionais certifi cados em ITIL Foundation e 65 em Service Manager. Em Practitioner não há uma estimativa, uma vez que são muitas as categorias.
A cada certificado obtido, o salário aumenta. O Foundation é quase uma obrigação, mas com o Practitioner, o aumento é visível — de 1 250 reais a 2 500 reais a mais. Quem chega a Service Manager ganha de 11 mil a 16 mil reais, dependendo da experiência e da senioridade que possua. Para se dar bem com o ITIL, é preciso ter conhecimentos de administração, engenharia, economia, ciências da computação e até psicologia, entendimento pleno das práticas preconizadas na biblioteca e muita experiência em implantação, enumera Sergio Rubinato Filho, vice-presidente do itSMF Brasil, fórum da comunidade ITIL. Além disso, o profi ssional precisa bancar os cursos e a prova.
No Foundation, por exemplo, o curso oficial custa entre 1 600 e 2 300 reais, dependendo dos meios de aprendizado. No Practitioner, o valor salta para uma média de 4 mil reais, e no Service Manager pode custar até 17 mil reais. O custo é um fator que restringe a busca pelo título máximo.
O curso de preparação dura, segundo Cesar Monteiro, diretor-geral da IT Partners, empresa de consultoria e treinamento, 12 dias, em média. No caso da IT Partners, esses 12 dias são divididos em dois períodos: cinco dias no primeiro mês e sete dias no segundo mês. Motivo: é necessário que o aluno tenha um tempo entre os módulos para estudar e incorporar o aprendizado.
Para o Service Manager, são dois dias de exame, com duração de três horas por dia. Ribeiro fez a prova dissertativa em inglês (hoje, já é possível fazer em português), ao custo de mil reais cada um. Em um dia escreveu 23 páginas e, no segundo, 17. “O tempo foi curto, e as questões não são fáceis”, diz Ribeiro. Para passar, é preciso fazer pelo menos 50 pontos em uma prova que vale 100. Pelas estatísticas do mercado, o número de aprovados é inferior a 20% no Brasil e a 50% no mundo.
PADRÃO INTERNACIONAL
Apesar das difi culdades, Rubinato Filho ressalta que o ITIL ajuda a pessoa a se profi ssionalizar mais e a se alinhar com as normas reconhecidas internacionalmente (ISO/IEC 20000). Por isso, Joel Oliveira, 51 anos, executivo de projetos da área de outsourcing da IBM Brasil, decidiu estudar o ITIL. Ele fez a prova para o Foundation e pretende avançar para o Practitioner. “O mercado demanda certifi cação. Nas licitações públicas e privadas, já exigem profi ssionais certifi cados”, afi rma.
Mesmo na certificação básica, o ITIL ajudou Guilherme Jardim, 30 anos, gerente de projetos de TI da Friboi, a obter o emprego. “Fez a diferença na entrevista e contou pontos a meu favor”, conta. Jardim resolveu apostar no ITIL ao sair do emprego anterior e continua investindo — recentemente ele fez a prova para a certifi cação Service Manager, cujo resultado só sai em três meses.
Apesar do diferencial que o ITIL representa no currículo de um profi ssional, Joel Oliveira lembra que, sozinho, o canudo não faz milagres. “Para ter um bom resultado é preciso que as empresas também possuam outros modelos de gestão, como o CMM (Capability Maturity Model), e que os profi ssionais conheçam outros assuntos.”
Os salários do ITIL
Faixa salarial por certificação
FOUNDATION: 3 mil a 5 mil
PRACTITIONER: 5 mil a 8 mil
SERVICE MANAGER: 11 mil a 16 mil
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">A vida depois do ITIL</a>, Françoise Terzian, edição de julho de 2007 - O mercado quer e paga mais pelos especialistas na biblioteca de melhores práticas de TI.
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