O CIO Wilson Maciel Ramos reestrutura toda a TI para suportar o crescimento da companhia.
Vôos atrasados, overbooking, controladores em protesto, passageiros indignados. Enquanto o caos aéreo fecha o tempo nos aeroportos, o engenheiro Wilson Maciel Ramos, CIO da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, trabalha em soluções ao alcance da área de TI. Uma delas é a ferramenta que permite à companhia remanejar rapidamente a frota e convocar a tripulação com urgência. Outra é o check-in pela web e por celular, mesmo para passageiros com bagagem. Com ou sem crise, trabalho não falta a Ramos. Em seis anos de vida, a empresa abocanhou mais de 40% do mercado de transporte aéreo no país. Por conta desse rápido crescimento, Ramos mudou toda a estrutura de TI nos últimos três anos e se prepara para integrar os sistemas da Varig, adquirida pela Gol no fi nal de março. Acompanhe os trechos de sua entrevista à INFO.
INFO - O que mudou na área de TI desde a criação da companhia?
RAMOS - Mudamos tudo. Hoje a Gol é uma empresa totalmente diferente. A infra-estrutura de TI foi acompanhando a evolução. Começamos bem simples em 2001, e a concepção de toda a rede foi mudando. Há cerca de um mês, comecei a implementar uma reestruturação mais voltada a serviços. Até então, a área de TI estava se afastando dos usuários. O que eu quero é aproximá-los da tecnologia.
No começo, o forte era a terceirização. Como é hoje?
A terceirização ainda se mantém forte na Gol, com modifi cações. Antes nós tomávamos conta de tudo. Agora toda a responsabilidade de identifi car problemas, solucioná-los e atualizar os sistemas é dos fornecedores. Quase tudo de TI é terceirizado.
Que novas tecnologias serão introduzidas?
A área de TI teve uma participação importante na defi nição do perfi l da Gol. Por isso, temos um grupo de inovação e produção de tecnologia trabalhando para manter a companhia sempre atualizada. Neste ano, queremos começar a trabalhar com SOA (arquitetura orientada a serviços) e vamos consolidar e virtualizar nossos 100 servidores, que devem fi car em torno de 20.
O que vai acontecer com os sistemas da Varig? Serão mantidos ou substituídos?
Faremos sinergia entre os dois sistemas, mas há soluções que não tem como eliminar, como o sistema de reservas, que continuará diferente em cada uma das companhias. A infra-estrutura de TI da Varig era muito antiga, e as soluções estavam bem desconectadas umas das outras. O que for possível migrar para o que a Gol utiliza atualmente será feito, até porque mudamos recentemente para tecnologias bem mais avançadas. Não queremos acabar com tudo, só vamos rejuvenescer uma marca estabelecida há 78 anos. Estamos consolidando e virtualizando também os servidores da Varig que, de 67 máquinas, passarão para 15 ou 16. A idéia é usar um mesmo padrão de arquitetura para facilitar o trabalho da TI e, quem sabe, estabelecer um data center único. Começaremos a integração em um mês.
A infra-estrutura atual é capaz de suportar a aquisição de outra empresa?
A Gol tem hoje uma TI de ponta. É claro que se a companhia continuar crescendo, teremos de caminhar com ela. Mas a infraestrutura atual suporta a aquisição de novas empresas tranqüilamente.
Ferramentas colaborativas web 2.0, como blog, têm lugar na empresa?
Criamos um wiki interno para permitir a troca de informações entre os funcionários. A Gol é uma empresa jovem, que está antenada em novas tendências.
Qual é o tamanho da equipe interna?
São 82 pessoas na TI, das quais oito focadas em processos e 12, em documentação. Criamos grupos de trabalho com foco em inovação, processos e planejamento.
A Gol apurou no primeiro trimestre uma receita líquida de 1 bilhão de reais. Quanto da receita é destinado a TI?
Antes, eu cuidava de tudo relacionado a tecnologia na Gol. Agora que temos um diretor cuidando dos detalhes, centralizei meu trabalho na estratégia e, para isso, conto com 1,6% a 1,8% da receita para investir em tecnologia.
De que forma sua área pode contribuir para reduzir os atrasos dos vôos e o overbooking?
Apesar de o caos aéreo ser em boa parte causado por quem controla os vôos e poucas vezes pela companhia, nós procuramos ter uma rede funcionando perfeitamente e com planos de contingência de plantão para lidar com eventualidades. Temos uma ferramenta que nos permite remanejar toda a malha aérea da nossa frota e convocar uma tripulação com urgência.
Eventualidades como o choque do Boeing da Gol com um jatinho no ano passado?
Sempre estamos preparados para lidar com eventualidades infi nitamente menores do que foi o acidente do vôo 1907. Apesar de ter fi cado comprovado que a Gol não foi a responsável pelo choque, temos um plano de ação para acidentes. Infelizmente, tivemos de usá-lo. No dia e nas semanas seguintes ao desastre, várias equipes circularam com seus notebooks, celulares e handhelds por vários pontos do país. Nosso trabalho era manter a rede, os sistemas, as aplicações e os servidores no ar sem falhas. Essa comunicação tinha de ser infalível.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">O próximo vôo da GOL</a>, Cibele Gandolpho, edição de julho de 2007 - O CIO Wilson Maciel Ramos reestrutura toda a TI para suportar o crescimento da companhia.
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