Os jogos sérios em Flash estão fazendo a produtora rir a toa.
Pouco tempo depois de criar a desenvolvedora de games Jynx, em Recife, os sócios perceberam que o mercado no qual embarcaram tinha armadilhas. Por conta da pirataria, alguns dias depois de lançados, os jogos já circulavam no mercado paralelo. Foi então que decidiram investir em advergames, os jogos feitos para campanhas publicitárias. Em Flash, é claro.
A mudança de rumo deu certo. Tanto que mantém a Jynx em crescimento há cinco anos. Em seu portfólio, a produtora ostenta clientes gigantes, como Coca-Cola, Petrobrás e Sadia. O caminho até eles foi aplainado por parceiros importantes, como as agências de publicidade McCann Ericsson e Ogilvy. “É com elas que estão as verbas de marketing das empresas e são as próprias que buscam a mídia interativa digital”, diz Fred Vasconcelos, diretor de marketing e sócio da Jynx. O trabalho com games também não se restringe à web. Em alguns casos, são criadas peças para os clientes distribuírem em CDs.
Mas o que as empresas sérias tanto querem dos jogos? Conhecer seu consumidor e orientar as estratégias de mercado. Nos Estados Unidos, segundo Vasconcelos, a Nike publicou um jogo em que o usuário podia personalizar a roupa e o tênis do jogador de basquete Vince Carter, mas só depois de se cadastrar no site da empresa. Com isso, a Nike montou um banco de dados com 40 milhões de usuários e usou as informações das preferências em cada região para remanejar o estoque e a distribuição dos produtos. “Enquanto o internauta se divertia, a Nike ia colhendo as informações para usá-las strategicamente”, diz Vasconcelos.
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ADVERGAMES
A produção de um advergame na Jynx leva entre um e três meses. O trabalho começa logo que a agência recebe o briefing com as necessidades do cliente. “Estudamos com a agência e pensamos na solução”, diz Vasconcelos. O segundo passo é a criação de um game conceito, que é enviado ao cliente. Se aprovado, o projeto começa a virar um game design. “É a etapa mais difícil, pois precisamos detalhar muito, já que é em cima disso que o programador vai trabalhar”, diz ele.
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TREINAMENTO
Recentemente, a Jynx passou a produzir games para treinamento corporativo, o que o mercado chama de GBL (Game Based Learning). São jogos complexos, que consomem mais tempo de produção, mas, segundo o diretor de marketing, é um mercado que tem-se mostrado promissor. “Nos Estados Unidos, o uso é maciço, não só pelas empresas, mas também pelas universidades”, diz ele.
Na área de GBLs, a Jynx fechou parceria recente com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para a criação de jogos que serão usados na capacitação dos aprendizes de empreendedores. Um desses games é o simulador de restaurante self-service. “O Sebrae percebeu que um terço dos restaurantes self-service fechavam no primeiro ano de vida. Com o simulador, eles passaram a acompanhar os possíveis problemas que surgiam ao longo da operação”, diz ele. A peça é apenas a primeira de uma série de dez jogos que a Jynx vai produzir para o Sebrae.
CELULAR
No segmento dos celulares, a Jynx inicia a produção de games para a Samsung. Embora os jogos para celular exijam configurações específicas para cada modelo de aparelho, a produtora terá pela frente 36 games. “A produção é complicada, porque cada fabricante tem um sistema operacional, padrões e qualidade de resolução diferentes, fatores importantes para um game. O custo inviabiliza o desenvolvimento em grande escala, mas acredito que a convergência facilite o nosso caminho”, diz ele. Atualmente, a concepção de jogos para 462 aparelhos exige cerca de 70 versões diferentes.
Por essas e outras razões, o mercado sem fio responde por uma pequena parte da produção da empresa. A área mais rentável é a dos advergames, hoje praticamente consolidada. A médio prazo, a Jynx acredita que o GBL deve reverter o jogo. “São eles que vão alavancar de vez nossos negócios, por serem projetos de maior porte e de maior repercussão”, diz Vasconcelos.
A equipe de criação da Jynx é formada por cinco designers de games, outros cinco profissionais de arte e sete rogramadores completam o time. Cerca de 90% dos produtos são desenvolvidos em Flash 8. A equipe trabalha também com C++ e Delphi, além do Director Web 3D, considerado por eles um programa revolucionário. “Antes, era impensável juntar terceira dimensão com web. O Director Web 3D conseguiu reunir as duas coisas”, afirma Vasconcelos.
Dicas da Jynx
> Para Programadores
1 . Nunca espalhe códigos dentro do seu arquivo principal (o fla). Prefira colocá-los dentro de uma classe (as). No .fla, faça apenas chamadas para os métodos que estão na classe. Isso organiza seu código e não deixa nada escondido dentro dos movie clips e botões.
2. Defina bem a estrutura de objetos que você vai usar e tente realmente seguir o paradigma de programação orientada a objeto (vinculando as classes aos respectivos movie clips).
3. Nomeie movie clips, gráficos ou variáveis com nomes que os expliquem de fato. Isso ajuda bastante.
4. Organizar a biblioteca ajuda na hora de fazer ajustes na arte.
5. Só coloque chamadas de métodos na camada que você designou para ter ações. Não coloque código em nenhum outro lugar a não ser nessa camada (só chamada de métodos) e dentro dos arquivos .as, nas classes.
> Para Designers
1 . Nem sempre gráficos em vetor são a melhor solução, pois o processamento no computador deve ser levado em onsideração.
2 . Siga um processo, um método de trabalho.
3. Organize a biblioteca — jogos demandam muitos objetos. A arquitetura e a hierarquia da informação são fundamentais.
4. Nomear todas as camadas é lei.
5. Defina cores para camadas específicas. Por exemplo, amarelo para código, vermelho para labels, cinza para referência, verde para camadas do jogo etc.
6 . Procure reutilizar seus componentes, para tornar menor o tamanho do arquivo do jogo.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">A jogada da Jynx</a>, Juliana Nogueira, Coleção INFO Flash de janeiro de 2007 - Os jogos sérios em Flash estão fazendo a produtora rir a toa.
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