As universidades corporativas suprem as necessidades de treinamento de funcionários
Correia: empenho para conhecer os produtos da Datasul e melhorar processos
Empresa competitiva é aquela que responde rápido — ou mesmo antecipadamente — às exigências do mercado. Mas só consegue ter essa agilidade as companhias que contam com profissionais cheios de novas idéias, capacidade de empreender, conhecimento profundo da área em que atuam e feras nos produtos e serviços com os quais trabalham. Como as empresas têm conseguido criar essa cultura? Investindo na educação interna dos funcionários.
A educação corporativa é o segmento de ensino a distância mais representativo no Brasil e no mundo. Segundo dados do portal ELearning Brasil, quase 2 milhões de funcionários e executivos participam de cursos de formação e treinamento a distância nas universidades corporativas do país. O treinamento e a capacitação por meio desse ambiente de aprendizado empresarial viabiliza o aperfeiçoamento simultâneo de vários profissionais com economia de custos e ganho de tempo. “É a melhor opção para adultos com compromissos familiares e profissionais, pois permite a continuação dos estudos sem o abandono das outras atividades”, afirma Fátima Domingues, consultora de recursos humanos da Manager.
Os cursos das universidades corporativas podem ser obriga-tórios ou opcionais, mas quem está em busca de aperfeiçoamento não deixa escapar nenhuma oportunidade. É o caso de Ivan Carlos Correa, de 35 anos, gerente de desenvolvimento de mercado da Datasul. Por iniciativa própria, Correa já fez diversos cursos relacionados aos produtos da empresa, como o treinamento em soluções de gestão para a área de manufatura e o de processos de desenvolvimento. “Meu objetivo era acompanhar a evolução dos produtos e me aprofundar nos processos do dia-a-dia. Fiz os cursos à noite, na empresa, e aos sábados, em casa. Acho que foram muito bons”, afirma. Sem essa flexibilidade de horário, ele diz que não teria a possibilidade de se dedicar ao treinamento.
O CUSTO DO E-LEARNING
Estudos realizados nos Estados Unidos e em alguns países da Europa mostram que a economia de tempo dos cursos online em comparação aos presenciais pode chegar a 50%, e os custos podem ser até 60% menores. A conta é simples: se uma empresa precisa treinar em torno de mil funcionários em uma aplicação, terá de formar cerca de cem turmas de dez alunos. “Além do tempo necessário, as aulas online não impõem horário nem número máximo de alunos. Há um ganho de eficácia no treinamento”, diz Giovanni Coradin, gerente de gestão de capital humano da Datasul.
Segundo Marc Ripert de Menezes, especialista em educação corporativa a distância, um curso presencial para uma turma de 30 alunos, por exemplo, custa entre 10 mil a 15 mil reais, incluindo deslocamentos, passagens aéreas e material didático. Um curso de e-learning pode chegar a 40 mil reais, no entanto, esse curso pode abranger um número maior de pessoas. “Ou seja, o custo pode até ser maior no início, mas depois compensa”, diz.
DUAS DÉCADAS
O número de empresas nacionais e multinacionais com projetos de educação corporativa no Brasil é grande. Nomões como Motorola, Natura, Siemens, Companhia Vale do Rio Doce, Sadia, Coca-Cola, Citibank, BankBoston, ABN-Amro Bank, McDonald’s, IBM e Accor investem pesado em soluções de elearning para manter seus quadros de funcionários — e, em alguns casos, fornecedores e clientes — sempre em dia.
Uma das pioneiras nessa linha é a Motorola. A Motorola University iniciou suas atividades há mais de 20 anos, nos Estados Unidos, e foi reconhecida como universidade na década de 80, quando começou a desenvolver cursos específicos para o corpo de engenheiros das áreas de eletroeletrônicos e de telecomunicações. Anos depois, a unidade transformou-se em um negócio da corporação, com atuação também no mercado de consultoria e fornecimento de cursos. Em 2001, a estrutura da Motorola University foi reduzida mundialmente, passando para o comando da área de recursos humanos. Atualmente, as atividades destinam-se exclusivamente aos funcionários da empresa, com programas desenvolvidos e disseminados mundialmente para apoiar a estratégia da empresa e criar uma cultura de qualidade.
A universidade da Motorola chegou ao Brasil em 1995 com o papel de ser parceira nos negócios e a missão de adaptar-se à realidade local. Somente em 1999 o elearning começou a ser adotado na unidade. “Hoje, pesquisamos o que os funcionários desejam estudar e implementamos o curso”, diz Eduardo Pellegrina, diretor de recursos humanos. O catálogo de cursos inclui opções nas áreas de tecnologia, software, ferramentas, comportamento, desenvolvimento gerencial, vendas e marketing. Os programas que disseminam a cultura da empresa são obrigatórios. Nessa categoria estão cursos como ética, foco no cliente, qualidade, gerenciamento de desempenho e respeito às pessoas. “Há uma preocupação em traduzir os materiais, exemplificar com casos reais brasileiros, certificar instrutores e consultores locais e fechar parcerias com universidades e entidades de educação”, diz Pellegrina.
Uma das alunas da Universidade Motorola é Alessandra Viegas, de 21 anos, funcionária de recursos humanos. Além de fazer os cursos exigidos pela empresa, Alessandra participou de treinamentos ligados a sua área de atuação, como o Privacy Directions 101: Awareness. “Fiz por vontade própria outros cursos que são interessantes e não geram débito no centro de custo do departamento. Consegui organizar o meu dia para fazer as aulas durante o horário de trabalho”, afirma. Para Alessandra, os cursos são didáticos e têm interface atraente, características que estimulam o aprendizado e levam os alunos à conclusão. “Na maioria das vezes, existe um qüiz no final, que vale também como uma forma de testar os conhecimentos adquiridos. Muitos conceitos que vi nos treinamentos eu aplico no dia-a-dia.”
FUNCIONÁRIOS E PARCEIROS
Outro exemplo de universidade corporativa que deu certo é o da Oracle, que dispõe de mais de mil cursos para funcionários e parceiros. “Separamos os profissionais por perfis e aplicamos os treinamentos obrigatórios conforme as necessidades de cada área. Os temas são os mais variados possíveis e abrangem as áreas técnica, comercial, de manejo de soluções e de gerência”, explica Silvana Morrone, diretora da Oracle University. Os cursos têm carga horária variada, mas duram 32 horas em média. “Hoje, a universidade corporativa é uma realidade que só trouxe benefícios às empresas. Sem o e-learning não seria possível atingir o mesmo número de pessoas”, diz.
O projeto de educação corporativa na Datasul teve início em 1999, mas só em 2002 os treinamentos da Universidade Datasul passaram a ser quase exclusivamente online. “Atualmente, cerca de 90% dos treinamentos são virtuais e atingem consultores, equipes de vendas e implantação, desenvolvedores de produtos e a área administrativa”, afirma Julio Cunha, diretor-executivo da Datasul Educação Corporativa. São oferecidos mais de 2 500 cursos online somente para os funcionários. Os programas têm de 15 minutos a 1 hora de duração e muitos são obrigatórios. “É uma forma de avaliar o funcionário e conferir se aproveitou o curso”, explica Giovanni Coradin, gerente de gestão de capital humano da empresa. Até 2002, a Universidade Datasul atendia a cerca de 5 mil funcionários. Atualmente, o número de funcionários treinados gira em torno de 50 mil profissionais por ano.
A Universidade do Hambúrguer, do McDonald’s, procura oferecer programas de treinamentos para os empregados da empresa ou para os franquiados. A universidade corporativa da rede já graduou mais de 65 mil gerentes. A Universidade do Hambúrguer brasileira é considerada o centro avançado de treinamento para executivos da organização, para onde vêm profissionais argentinos, venezuelanos, chilenos, paraguaios e colombianos. Parte do treinamento é oferecido em e-learning, por meio de um convênio com o Senac-SP.
Sucesso no treinamento
A Universidade Datasul reúne mais de 2 500 cursos e treina em torno de 50 mil profissionais por ano. Entre os temas estão cursos de gestão de cadeia de abastecimento, estratégica, financeira e ambiental.
Entre os campeões de audiência da Cisco Networking Academy estão os cursos Cisco Lifecycle Services Express E-learning e Introduction to Networking, com 2 300 acessos e 3 700 acessos nos últimos 12 meses.
A Motorola University aborda tecnologia, software, ferramentas, comportamento, gerência, vendas, marketing, ética, cliente, qualidade e gerenciamento de desempenho.
A Oracle University reúne em seu catálogo mais de mil cursos em diferentes áreas, indicados para a formação tanto de funcionários como de parceiros.
Com cursos presenciais e online, a Universidade do Hambúrger, da rede de fast food McDonald’s no Brasil, é considerada o centro avançado de treinamento de executivos da América do Sul.
A universidade corporativa da IBM, denominada IBM Global Campus, está presente em 60 países, em 18 idiomas diferentes, e reúne cerca de 300 mil alunos entre funcionários e clientes externos.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Aptos para o trabalho</a>, Cibele Gandolpho, Coleção INFO Cursos Online de junho de 2007 - As universidades corporativas suprem as necessidades de treinamento de funcionários
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