O CIO Marcelo Camêlo dita a moda nos bits da empresa.
Nunca a TI da Hering, uma das maiores indústrias têxteis do Brasil, esteve tão na moda. Entre desenhos de peças, escolha de cores e defi nição das próximas coleções, os estilistas usam software como agulhas e tesouras e computadores como moldes. Nas áreas de negócios e de produção, as ferramentas da web 2.0 começam a entrar na rotina dos funcionários — a empresa já embarca até no conceito de wiki. É o mineiro Marcelo Camêlo, 38 anos, gerente de TI da Hering, quem dita o que vai ser moda nas 202 lojas da rede e nas máquinas dos 1 500 usuários de TI. De seu QG em Blumenau, Santa Catarina, Camêlo conversou com a INFO:
INFO A Hering é uma empresa web 2.0?
CAMÊLO Eu diria que ainda não chegamos lá. Estamos numa versão anterior da web, embora usemos alguns recursos. Temos de aprender a usar esse tipo de ferramenta. Somos uma indústria têxtil que nasceu e vive num ambiente tradicional, no qual a tecnologia é voltada para processos produtivos.
Como vocês aderiram aos wikis?
Temos um projeto com a IBM, que mantém um laboratório nos Estados Unidos para desenvolvimento de documentação e tecnologia para seus clientes. Nos candidatamos a participar do primeiro piloto deles com a tecnologia da Wikipedia, em cima de um produto chamado IBM Director, usado na gestão do datacenter. A idéia é que várias pessoas possam contribuir com suas experiências e resultados práticos, sem estar fi sicamente presentes.
O wiki já entrou em produção?
Ainda não. Estamos aproveitando a experiência com o pessoal da IBM para ganhar conhecimento para gerenciar e publicar informações. Como o wiki é muito aberto, você precisa ter uma disciplina prévia e ver se colocou o conteúdo certo para o público certo. A própria Wikipedia foi se adequando ao longo do tempo. Nossos profissionais das áreas comercial e de produtos precisam trocar informações internas e de produtos. Ainda este ano devemos fazer algo para a empresa.
Qual é a função do IBM Director?
É um software de gerenciamento de servidores e storage para datacenters. Monitora a rede, o uso do servidor e dos discos e a locação dos aplicativos. Não posso correr o risco de paradas em algum momento crítico. Se houver algum problema, o programa emite um alerta e nos ajuda a tomar ações corretivas imediatamente.
Onde entram o MSN e o Skype?
Eles são fortemente usados para relacionamento com clientes e fornecedores. A área de suprimentos se relaciona com fornecedores, transportadoras e operadores logísticos principalmente via messenger. O correio eletrônico fi ca em segundo lugar e o telefone, em terceiro.
Qual é a ferramenta de mensagem instantânea?
São duas de mercado abertas — o MSN, da Microsoft, e o Skype — e uma interna, que é o Lotus Sametime. Estamos testando a possibilidade de fazer webconference dentro da rede com o Sametime. Como ele é gerenciado por nós, posso calibrar a rede e o nível de comando de voz e vídeo. Em produtos de vestuário, as pessoas precisam visualizar o item do qual está se falando para, por exemplo, colocar uma estampa em determinada peça de roupa.
O Skype predomina nos interurbanos?
Temos mais de uma opção de saída de voz para dentro e para fora do Brasil. Dependendo da localidade, a gente faz estudos periódicos para ver a relação custo—benefício. Avaliamos se o Skype tem um preço melhor ou se a operadora fechou um preço agressivo de tarifa. Cada caso é um caso.
O custo foi a maior motivação para usar esse tipo de ferramenta?
O primeiro apelo foi o custo, até porque os funcionários trouxeram esse cenário para dentro da empresa e contaram que o vizinho ou eles próprios estavam usando. A produtividade é outro fator. A ferramenta ajuda a encontrar as pessoas com mais agilidade. E essas tecnologias não demandam uma grande infra-estrutura. Não é preciso ter uma sala de videoconferência para reunir pessoas de dois ou três países. Você faz isso sentado na frente do computador, com microfone e câmera. Pode utilizá-lo do hotel, da praia, de casa.
Existe um padrão de tecnologia para as lojas da Hering?
Sim. Em média, uma loja da rede própria ou franqueada tem dois computadores que funcionam como caixa. Neles, está instalado o software Linx POS ou o Linx Global Fashion, que opera a frente de caixa e atualiza as informações de retaguarda, como controle de estoque e movimentação de produtos. Os micros da linha de frente são ligados a pelo menos uma estação de trabalho que fi ca na retaguarda e faz a comunicação via internet conosco para o tráfego diário de dados. Toda programação de compra, entrega e movimentação de produtos ou serviços chega para as lojas via extranet.
Há planos de vender pela internet?
Até 2002, tínhamos uma loja online que vendia produtos básicos, mas os volumes não eram altos se comparados a uma loja física. No fi nal de 2006, o assunto foi retomado. Vamos criar algumas vantagens para o consumidor de compras de internet. Até o Dia das Mães o site estará no ar.
A TI ajuda a ditar moda?
Temos programas europeus, os sistemas de CAD/CAM Gerbi e Lectra, que chegam a mostrar se determinada padronagem vai ter bom aproveitamento da estamparia e do corte. Mas a decisão fi nal sempre fi ca nas mãos de um ser humano. No modelo e na velocidade em que trabalhamos hoje, seria impossível atuar sem essas tecnologias. Lançamos uma coleção nova a cada 70, 90 dias.
E no chão de fábrica?
No caso do ambiente de produção, nossa presença é ainda mais clara e determinante. Hoje, não se produz uma camiseta sem que haja uma interação direta do operador com o sistema de TI, com um terminal coletor de dados, com um leitor óptico e com uma balança. Não tem como sair uma nota fi scal da empresa sem que ela passe por um sistema de controle que nós operamos.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Os wikis da Hering</a>, Françoise Terzian, edição de abril de 2007 - O CIO Marcelo Camêlo dita a moda nos bits da empresa.
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