O vestuário de trabalho depende da empresa, da função e até do tipo de cliente.
Camiseta, calça jeans, bermuda, tênis e boné são itens básicos no guarda-roupa de trabalho de boa parte dos profissionais do Vale do Silício, na Califórnia. Mas será que esse padrão descontraído é aceito no Brasil? Depende. Em algumas empresas, impera a informalidade da vestimenta. É o caso da LocaWeb. Da diretoria à recepção, todo mundo desempenha suas funções com trajes informais. “Aqui não tem essa de terno, gravata e camisa social. Até porque 83% das pessoas têm entre 18 e 32 anos”, afirma Celso Paulon, gerente de RH. Bermuda e regata só não são vistas pelos corredores da empresa de serviços de hospedagem e internet porque o condomínio onde está instalada, na Vila Olímpia, em São Paulo, não permite. E o que os clientes acham disso? “Eles sabem que as empresas de tecnologia são despojadas em relação à roupa”, diz Paulon.
Os clientes podem até entender, mas, segundo a consultora de etiqueta Célia Leão, é bom não exagerar. O principal erro na indústria de TI, segundo ela, é confundir informalidade com relaxo. “O pessoal na área é mais preocupado com o conteúdo do que com a forma, mas é preciso apresentar-se mais sério para ser levado a sério”, afirma. De acordo com Célia, o informal pode até significar o uso de jeans, mas a peça precisa ser clássica. Em outras palavras, aquele jeans surrado que o acompanha desde os 18 anos deve ficar reservado para os fins de semana. A camisa pode ser esporte e de manga curta, mas tem de combinar com o resto. “E não é permitido descuidar dos detalhes: o sapato tem de estar limpo, e o cabelo e a barba, aparados.”
Na Sun, o estilo casual adotado por todos os profissionais que não têm contato direto com os clientes é calça social e camisa sem gravata. “Não é o informal tipo Google”, afirma Noemi Sakitani, analista de recursos humanos. A roupa mais sóbria tem uma explicação. “Muitas vezes, recebemos clientes ou surge um imprevisto e o profissional tem de sair. É importante estar preparado”, afirma. A recomendação para quem trabalha nas áreas de negócios, no entanto, é adequar-se ao padrão de vestimenta do cliente. Quando vai visitar uma empresa da área educacional, mais informal, o profissional da Sun deve usar roupa descontraída. Quem visita um banco não pode ir à vontade.
Na Cisco, vestimenta é tratada com rigor. “A imagem da Cisco é profissional. A empresa respeita as culturas locais e, no Brasil, a roupa profissional é o traje social”, afirma Rosa Bojlesen, diretora de recursos humanos para a América Latina, México e Caribe. No escritório em São Paulo não tem sequer casual day. Mas há exceções. “Um profissional que esteja trabalhando em um Estado muito quente, onde os clientes não usam terno e gravata, tem de se vestir de acordo até para não constrangê-los.”
A idéia de seguir a linha adotada pelo cliente também faz parte do dress code da Hewlett-Packard. “Nem sempre é o clássico paletó e gravata que deve ser utilizado”, afirma Jair Pianucci, diretor de RH da HP. Segundo Jair, o código que impera é o do bom senso, ditado pelo próprio ambiente de trabalho. “Se um funcionário exagera, sempre tem alguém que dá a dica. Já no ambiente de fábrica, quando aparece um de paletó e gravata, os colegas perguntam se ele vai à missa”, diz o diretor.
Na Microsoft não há restrições. Os funcionários são livres para se vestir da maneira que se sentem mais confortáveis, com bom senso. A empresa não pede o uso de terno e gravata, exceto nos casos em que o funcionário precisa trabalhar dentro da empresa de um cliente que exija uma roupa mais formal. Nas empresas não tão liberais, a formalidade vem sendo compensada com o casual day, a sexta-feira informal, com direito a jeans.

<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Com que roupa eu vou?</a>, Maria Isabel Moreira e Bruno Ferrari, edição de maio de 2007 - O vestuário de trabalho depende da empresa, da função e até do tipo de cliente.
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