NOVA YORK (Reuters) - A decisão do New York Times de bloquear o acesso de leitores online britânicos a um artigo sobre suspeitos de terrorismo em Londres desperta novas questões quanto à restrição do fluxo de informações na era da Internet, dizem especialistas em assuntos legais e mídia.
O New York Times anunciou na terça-feira que havia bloqueado o acesso dos leitores online britânicos para uma reportagem que detalhava elementos da investigação quanto a um suposto complô para explodir aviões comerciais em trânsito entre o Reino Unido e os Estados Unidos.
A história saiu segunda-feira na versão impressa do jornal. Sob as leis britânicas, os tribunais podem punir organizações noticiosas que divulguem material que, na opinião dos juízes, possa influenciar jurados e impedir que réus recebam julgamento justo.
"Não houve até agora processo por desacato contra veículos que publiquem fora desta jurisdição (Reino Unido), mas não existe razão lógica para que isso não venha a acontecer", disse Caroline Kean, sócia do escritório de advocacia britânico Wiggin.
Embora restringir os direitos de publicação da mídia britânica tenha funcionado efetivamente no passado, a Internet tornou muito mais difícil impedir que informações divulgadas por organizações estrangeiras, ocasionalmente em desacordo com as leis britânicas, atinjam os leitores do Reino Unido.
O artigo do New York Times mencionava fontes não-identificadas que forneciam informações que a polícia britânica não havia divulgado publicamente.
A reportagem detalha o conteúdo dos vídeos de martírio e dos equipamentos de produção de bombas localizados pela polícia, e diz que a tentativa de explodir os aviões não era tão iminente quanto sugeriram as autoridades.
O artigo também foi publicado no site do jornal, http://www.nytimes.com, mas os leitores britânicos que clicassem para obtê-lo recebiam uma notificação de "artigo indisponível".
"Por orientação da assessoria jurídica, o artigo está indisponível para leitores do nytimes.com no Reino Unido. A decisão deriva de cláusulas das leis britânicas que proíbem a divulgação de informações prejudiciais sobre os réus antes do julgamento", dizia a notificação.