SÃO PAULO - A agência Centrelink, que presta serviços ao governo da Austrália, anunciou a demissão de 19 funcionários acusados de quebrar o código de ética da empresa.
Os funcionários são suspeitos de acessar informações confidenciais da agência e repassá-las a pessoas não autorizadas.
A decisão gerou polêmica na sociedade australiana em função do método utilizado pela direção da agência para obter provas contra os acusados. A Centrelink optou por usar softwares de espionagem, leu e gravou informações sobre a navegação dos funcionários nos computadores da empresa.
Jeff Whalan, diretor da Centrelink, defendeu a ação a agência. Na opinião de Whalan, a atitude foi necessária e justificada pela necessidade de proteger informações estratégicas da agência e de interesse público. A Centrelink conduz processos que podem determinar a contratação de pessoas pelo governo daquele país ou influenciar na concessão ou não de benefícios sociais. Informações privilegiadas podem favorecer candidatos a empregos ou requerentes de benefícios.
A Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT) criticou a ação da agência e disse que órgãos públicos e empresas privadas devem esforçar-se para proteger suas informações estratégicas e confidenciais e não dedicar-se a espionar seus próprios colaboradores, em detrimento da privacidade dos trabalhadores.