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Laboratório dentro de casa
Segunda-feira, 28 de agosto de 2006 - 11h29
Uma nova geração de impressoras domésticas produz imagens de melhor qualidade - e com custo cada vez mais acessível.
Revelar fotos em casa sempre foi considerado um hobby para iniciados. Até pouco tempo atrás, manter um laboratório doméstico exigia um quarto escuro, equipamentos como ampliadores e estufas e um arsenal de produtos químicos. Com a chegada da fotografia digital, veio também a possibilidade de jogar fora toda essa quinquilharia. No entanto, era necessária certa habilidade com o computador e com os softwares de impressão para atingir bons resultados - isso sem contar o alto custo dos papéis e cartuchos de tinta necessários para imprimir imagens. Quase sempre o resultado era sofrível quando comparado com as imagens impressas em lojas especializadas ou mesmo quando comparadas às fotos tradicionais. A operação também era bastante lenta e a impressão de uma única foto levava vários minutos. Agora, uma nova geração de impressoras portáteis e de alta resolução começa a mudar essa história. Não é preciso ser um expert em informática para operar essas máquinas - que já dispensam a intermediação do computador e podem ser conectadas diretamente a câmeras e celulares que tiram fotos. Algumas delas, como a Photosmart 375, da HP, imprimem uma foto em apenas 1 minuto e não requerem cabos nem conexão física com a câmera ou o celular. Todo o processo ocorre por meio de bluetooth, um dispositivo de transmissão de dados.
O custo de impressão, que era proibitivo no passado, tornou-se bem mais competitivo e em alguns casos até empata com os preços cobrados nas lojas especializadas e nos quiosques de auto-serviço. Uma boa impressora fotográfica custa hoje entre 300 e 650 reais. Em média, o valor de uma foto impressa em casa está variando de 99 centavos a 1,65 real (veja quadro abaixo). Nas lojas especializadas e nos quiosques de auto-serviço, esses valores variam de 60 centavos a 1,50 real por cópia. Se comparado com a fotografia tradicional, em rolo de filme, o custo de imprimir em casa já é bastante vantajoso. Em média, cada cópia produzida pelo método mais antigo custa cerca de 3,50 reais - incluindo-se na conta o custo do filme, da revelação dos negativos e as cópias em papel. (Caso as impressoras domésticas se transformem de fato em bens de largo consumo, as empresas ligadas à impressão de fotos tendem a ter sérios problemas. Trata-se, mais uma vez, de uma ruptura tecnológica com potencial para construir e destruir negócios.)
A principal razão para a queda do custo é a chegada ao mercado de kits prontos de papel e tinta para imprimir de 36 a 120 fotos, por preços que variam de 60 a 200 reais. "No passado, muitas pessoas acabavam deixando de imprimir as fotos por causa do preço e arquivavam as imagens no computador ou gravavam em CD. Outros compravam as impressoras, mas, quando acabavam o papel e a tinta, não faziam a reposição devido aos altos preços", diz João Hiroshi, gerente da área de impressoras da Samsung. "Hoje, isso já não acontece. O preço do papel fotográfico está mais acessível e o mercado oferece equipamentos de impressão cada vez mais avançados, com um custo que cabe no bolso." A Samsung, por exemplo, usa em suas máquinas uma tecnologia chamada dye sublimation, que não usa tinta líquida. "Os pigmentos são aplicados a um papel-base pela transferência de calor, o que garante uma alta cobertura de cores, sem falhas", diz Hiroshi.
Imprimir fotos sem o auxílio de equipamentos complicados proporciona uma satisfação indescritível ao aficionado de fotografia -- e, muitas vezes, até uma mudança de comportamento social. Enzo Compatângelo, executivo de vendas da fabricante de alumínio Alcoa, é um exemplo. Nos últimos cinco anos, Compatângelo já teve 12 modelos de máquinas digitais. Para imprimir as fotos, ele usa uma impressora Kodak Printerdoc Plus, que leva para todo lado - eventos familiares, saídas com os amigos e pequenas viagens. "Outro dia levei a impressora para a festa de aniversário do meu sobrinho. Eu fazia as imagens, as imprimia na hora e presenteava as crianças. Elas adoraram", diz Compatângelo. "Não há nada como você tirar a foto e em poucos segundos estar com ela nas mãos mostrando aos outros."
O mercado de impressoras fotográficas tem dado demonstrações de vigor. Nos Estados Unidos, aproximadamente 35% das fotos impressas em papel já saem de equipamentos domésticos. Por aqui ainda não existem estatísticas desse tipo, mas estima-se que as vendas de impressoras domésticas possam crescer cerca de 20% ao ano até 2010. No mundo todo, os fabricantes têm se esforçado cada vez mais para fazer produtos simples e atraentes - contratando até mesmo estúdios de design para deixar as máquinas mais bonitas. A americana Lexmark, por exemplo, encomendou o desenho de suas impressoras domésticas à Pentagram, a mesma empresa que criou o desenho do iPod e do iMac, da Apple, aparelhos que são objetos de desejo de dez entre dez amantes da tecnologia.
Preços competitivos
Compare o custo e o tempo de impressão de cada foto das principais impressoras disponíveis no mercado
Photosmart 375, da HP: R$ 0,99 / 60 segundos
R220, da Epson: R$ 1,00 / 58 segundos
Printerdoc Plus, da Kodak: R$ 1,50 / 60 segundos
CP 510, da Canon: R$ 1,63 / 58 segundos
SPP-2040, da Samsung: R$ 1,65 / 60 segundos
Por Júlia Zillig, da EXAME
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