SÃO PAULO – A Apple admitiu, em comunicado, que houve abusos por parte de um de seus fornecedores de iPods na China, a indústria Foxconn. O fornecedor é acusado de super explorar seus trabalhadores e submetê-los a jornadas extenuantes na linha de produção.
A informação ganhou notoriedade quando jornais ingleses denunciaram o caso, retratando histórias de operários que trabalham até 80 horas em uma semana. Após a divulgação da denúncia, a Apple enviou uma comissão de auditores à China, que atestaram os casos de abuso.
De acordo com a própria Apple, os operários trabalhavam mais de 60 horas por semana em um terço das semanas e pelo menos uma vez ao mês trabalhavam todos os dias da semana, sem direito a descanso semanal. A Apple diz que não encontrou, no entanto, casos de trabalhos forçados ou exploração da mão de obra de crianças.
A situação desrespeita um código de conduta que a Apple impõe a seus fornecedores e as próprias leis chinesas. Na China, a jornada de trabalho é de 60 horas semanais. Só para efeito de comparação, no Brasil a maior parte dos trabalhadores tem jornada de 44 horas semanais e na França de 35 horas semanais.
A Foxconn comprometeu-se a não manter operários em sua linha de produção por mais de 60 horas por semana.
Para a Confederação Internacional da Livre União dos Trabalhadores (ICFTU, na sigla em inglês), as desculpas da Apple e a promessa da Foxconn são medidas insuficientes. A ICFTU diz que não houve uma auditoria independente na fábrica da Foxconn e que há suspeitas de abusos graves contra os trabalhadores.
A ICFTU acusa também grandes corporações de abusar da ausência de proteção trabalhista nos países asiáticos para diminuir seus custos e super explorar os trabalhadores. Na China, os operários não podem se organizar em sindicatos livres e defender medidas como redução na jornada de trabalho ou melhores salários.