SÃO PAULO - A Vivo parece ter agradado aos investidores em um trimestre onde a companhia conseguiu reduzir os custos de aquisição de clientes mesmo com duas datas fortes de comércio - Dia das Mães e Namorados.
Os papéis preferenciais da companhia tiveram a quarta maior alta da quarta-feira (31) da Bovespa, com elevação de 8,07 por cento sobre o pregão anterior, negociados a 8,84 reais.
"O investidor viu que estamos mantendo o controle dos custos e resolveu nos premiar", disse Carlos Raimar, diretor de relações com investidores da Vivo, em entrevista à Reuters.
Segundo ele, a queda de 17,3 por cento nos custos de aquisição de clientes quando comparado ao mesmo trimestre de 2007 foi conseguida com uma série de fatores, como a escala mundial dos aparelhos GSM, que garantem preços mais baixos, além do real apreciado em relação ao dólar e os clientes que compram somente o chip, reduzindo a necessidade de subsídios por parte da operadora.
A empresa também manteve em linha o investimento em rede, apesar de estar ampliando a cobertura. Raimar explicou que a companhia só contabiliza no capex de uma rede nova aquilo que o fornecedor de equipamentos já entregou.
No caso da região Nordeste, para a qual a Vivo comprou licenças no ano passado e já iniciou a montagem da rede, o investimento ainda não foi contabilizado. Na teleconferência com os analistas, o presidente Roberto Lima preferiu não informar a data em que a companhia irá estrear nessa região.
IPHONE NÃO DEVE PRESSIONAR
Depois de mostrar controle rígido dos custos, a Vivo informou não esperar pressão nas margens com o início das vendas do iPhone da Apple ou de outros celulares de terceira geração que a companhia deve passar a comercializar este ano.
Raimar afirmou que "o iPhone não custa muito mais que o N95 da Nokia ou um Blackberry de primeira linha", modelos que a operadora já vende hoje.
Ele lembra que os preços de aparelhos "ano a ano vêm diminuindo" e que o próprio iPhone teve seu preço reduzido para metade no lançamento da terceira geração, que começou a ser vendido nos Estados Unidos em 11 de julho.
A Vivo, entretanto, não informa a data em que terá o modelo disponível nem quando dará partida à sua rede de terceira geração, para a qual comprou licenças em dezembro do ano passado.
Preferindo não fazer previsões futuras, Raimar afirmou que os custos dependem da atividade comercial de cada período do ano e da disposição do consumidor. "Crescer sempre custa porque ainda subsidiamos", disse.
A empresa disse estar acompanhando os índices de inflação, mas afirmou que eles ainda não preocupam no que se refira a celulares. "Hoje o celular é um meio de sobrevivência para vários profissionais, as pessoas precisam do celular, não é mais um luxo como no passado", reiterou o executivo.